Resenha: Fifty Shades of Grey – Cinquenta Tons de Cinza

Título: Fifty Shades of Grey

Autora: E. L. James

Publicação: 20 de junho de 2011

Número de páginas: 514 páginas

Editora: The Writer’s Coffee Shop

ISBN: 9781612130293 (ebook)/ 9781612130286 (paperback/brochura)

Fifty Shades of Grey é o primeiro livro da trilogia Fifty Shades, da autora britânica E. L. James.  A obra ganhou recentemente sua edição brasileira com o título Cinquenta Tons de Cinza. Em 15 de setembro deste ano será lançado Cinquenta Tons Mais Escuros, o segundo volume da trilogia, cuja edição original eu já estou lendo.

Está bem. Eu sei o que vocês estão pensando. E minha resposta é sim, li Fifty Shades of Grey e gostei. Não tenho vergonha nenhuma em dizer isso.  O gostei no caso é mais por descobrir que o livro não é tão ruim quanto eu pensava. Acho que por não ter lido a série Twilight, minha leitura foi mais livre, não fiquei com muito preconceito em cima da obra. Para quem não sabe, a obra se originou de uma fan fiction que a autora fez da série Twilight.

Eu já havia lido livros com cenas eróticas antes. As Crônicas Vampirescas e As Bruxas Mayfair da Anne Rice e os livros da série A Irmandade da Adaga Negra da J. R. Ward, são os exemplos que tenho mais próximo de literatura eróitica. E nem são, pois as duas autoras são inseridas no gênero Fantasia Urbana ou Romance Sobrenatural. Apesar da Anne Rice ter uma trilogia erótica da Bela Adormecida que eu nunca li. Então, Fifty Shades of Grey está sendo a minha primeira experiência em romance erótico puro.

Para dizer um pouco da trama, a estória se passa nos Estados Unidos, em Seattle. A protagonista Anastasia Steele está para se formar em literatura. Para fazer um favor à sua amiga Kate, ela entrevista o jovem e promissor empresário Christina Grey. A atração que ambos sentem um pelo outro é imediata e após alguns encontros propositais por parte de Christian, eles começam um relacionamento. Anastasia, que prefere ser chamada de Ana, se vê em seu primeiro relacionamento e já com uma pessoa que se define como fifty shades de complexidade. Em linhas gerais é isso. Acho que vocês já ouviram e leram bastante sobre o livro e sua trama. A questão sadomasoquista e todo o disse-me-disse feminista contra a autora.

O que eu posso dizer é que, também fiquei curiosa. Não sou praticante de sadomasoquismo, muito menos sou contra quem prática essa arte sexual. Mas sinceramente, está havendo muito barulho por nada. Cada cena do livro tem um contexto próprio e bem colocado. Christian é mesmo uma personagem complexa, que com sua mania de controle e autoconfiança, parece esconder algum trauma, que no livro nos começa a ser revelado.

Anastasia tem complexo de inferioridade e se acha bem inferior às outras pessoas. É uma personagem que em princípio eu detestei e ainda agora, já lendo o segundo livro ainda não gosto muito. Porém a autora coloca muito bem o fato de que Ana, como a personagem gosta de ser chamada, tem sérios probelmas em si comunicar pessoalmente com Christian, o que aos poucos vai sendo superando, mas não totalmente.

É claro que a questão do certo-errado quanto às preferências de Christian e a aceitação (em parte) de Anastasia é colocado no livro. Como disse cada cena tem um contexto próprio. Não me pareceu que a autora foi leviana ou quis induzir as leitoras a aceitarem o que está escrito. Muito menos, há um discuros hipócrita e puritano sobre a questão. E acho que isso que me fez gostar do livro.

O que eu não gostei foi o fato da escritora não se dedicar a uma escrita melhor. Achei que o livro poderia ter passado por uma revisão mais eficiente, que a E. L. James tivesse dado um melhor desenvolvimento na trama e nas personagens. Para um livro escrito para um público maduro, achei algumas cenas muito imaturas e infantis até. Mesmo assim, a leitura flui bem e você fica curiosa/curioso com o que vai acontecer em seguida.

Se recomendo? Sim, para quem já leu romance erótico. Achei o livro bom, acima das minhas expectativas iniciais. Mas não é uma obra prima da literatura. Sinceramente, com todo o meu gostar da obra, acho que não merece o lugar que atualmente ocupa na lista dos mais vendidos. Sei que muitos, como eu, foram atraídos pela curiosidade. Enfim, leiam e tirem suas próprias conclusões.

Por fim, deixo o aviso de que a obra contém descrição de forma explícita de cenas de sexo e seu conteúdo é voltado para o público adulto (18+).

.:.Abraços e até a próxima.:.

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11 Comentários

Arquivado em Romance

11 respostas para Resenha: Fifty Shades of Grey – Cinquenta Tons de Cinza

  1. Pode me chamar de preconceituoso, mas eu não tenho coragem de ler esse livro…

    • Cara, não chamo de nada. Só queria passar um pouco do que eu percebi na leitura. O pessoal está fazendo muito barulho por nada em cima dessa estória e queria mostrar que não é bem assim.

      • Sei lá… Não me lembro de ter lido uma resenha sequer que não tenha me dado uma má impressão desse livro. E ainda mais por ele ser “parecido” com aquela galhofada de crepusculo.

      • Entendi o que vc quis dizer Heitor. Como eu disse é muito barulho por nada, tanto em colocarem o livro no topo, como se realmente fosse o melhor e mais bem escrito livro do mundo, quanto em colocá-lo bem abaixo da média. O livro me surpreendeu um pouco por não ser tão ruim quanto eu imaginei.

        Quanto a ser parecido com Crepúsculo, eu realmente não sei, pois não li a série. Até acho que isso me ajudou a ter uma outra perspectiva de Fifty Shades of Grey.

  2. Amanda Trindade

    De fato, tb estou muito curiosa sobre esse livro, o q me fez baixá-lo, e sua resenha veio me confirmar algo, q por uma questão de curiosidade, vale à pena ler este livro sim, mas, ao meu ver, não é o tipo de livro q
    q faço questão de ter em minha biblioteca real, mas pretendo lê-lo em breve. Valeu pela resenha Cassy!!! Até!

    • Amanda, como eu disse acima, estão fazendo um estardalhaço por nada. Também li em e-book e compensa ler e ver o cntexto real. Vejo muita gente opinar, sei ao menos ter lido um capítulo. Também não compraria o livro real, como eu disse tenho sentimentos dúbios por essa obra. Não é tão ruim, mas também não acrescenta em nada na minha vida como outros livros que já li. Sei lá. É muito estranho.

  3. Ois,

    Nem sei se o livro está publicado por cá, gostei de ler o teu comentário, sinceramente nem sabia que se falava mal dele *assobio* e cada um lê o que quer, desde que lhe dê prazer lol.

    Por acaso da Mayer só recentemente me apercebi que havia tanto veneno a destilar contra os seus livros / admiradores, ninguem está livre de ser criticado mas por vezes parece-me que as pessoas faltam um pouco ao respeito dos outros na forma como comentam as coisas.

    Não tens que ter qualquer tipo de preconceito por leres este livro, ainda por cima até te deu prazer, agora entendo o teu comentário no FB lol

    BJS

    • Obrigada, Fiacha. É a parte psicológica das personagens, principalmente do Christian Grey, que me atrairam mais na leitura. Estudei psicologia forense na faculdade de direito e sempre me atraí ver causos como os descritos no livro.

      Também a questão do que é certo ou errado, em nossa cultura cristã-ocidental, a questão do que moralmente e religionsamente certo (apesar da autora não ter usado exatamente essas expressões).

      Uma pena o livro não ser mais bem desenvolvido, pois a escrita é gritatemente ruim. Uma pena mesmo.

  4. Pingback: Resenha: Fifty Shades Darker – Cinquenta Tons Mais Escuros | D R A G O N M O U N T .:. B O O K S

  5. Vivian

    Estou lendo o livro e entendo o sucesso devido a curiosidade em relação ao tema… Já havia lido a trilogia das “bruxas de mayfair” também. A minha impressão é que muitas vezes o texto é pouco desenvolvido, mas no geral, estou curtindo… Também não li crepúsculo…

    • Exato, Vivian. Realmente o livro não é ruim e até muito interessante a questão do sadomasoquismo que é colocado de uma forma bem contextualizada pela autora. O que faltou mesmo foi um texto mais bem desenvolvido e mais escrito. E o fato de não ter lido Crepúsculo ajuda, pois assim dá para aproveitar mais a leitura sem fazer comparações entre as duas séries.

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