Resenha: Full Dark, No Stars, de Stephen King

Título: Full Dark, No Stars.

Autor: Stephen King.

Publicação: novembro de 2010.

Número de páginas: 384 páginas (hardcover).

Editora: Scribner.

ISBN: 9781439192566.

Cotação: Ótimo.

Publicado em novembro de 2010, é o mais recente livro de contos do autor e contém apenas quatro estórias: 1922, Big Drive, Fair Extension e A Good Marriage. Na verdade, são quatro novelas, mas vou evitar usar o termo para evitar que alguns leitores façam confusão com a produção televisiva. 

O livro começa com 1922. Nessa estória Wilfred Leland nos narra a sua história, através de uma carta onde ele confessa ter feito algo terrível que destruiu a sua família. É um conto que mostra como a ambição faz o ser humano cometer as mais baixas das atitudes. 

Após o terrível acontecimento, Wilf, como o protagonista é chamado, ao mesmo tempo que testemunha a destruição da sua família, começa a ter visões ligados ao fato.

É um terror psicológico de primeira que só Stephen King seria capaz de escrever. Não há como saber o que Wilf imagina e o que realmente está acontecendo em sua vida. E Wilf tem um fim, embora previsível, bem merecido.

Uma curiosidade, 1922 se passa em Hemingford Home, Nebraska, cidade de Mãe Abagail Freemantle, personagem de The Stand (A Dança da Morte).

A segunda estória é Big Driver. Nela Tess, uma escritora, é convidada para uma espécie de palestra em Chicopee, Massachusetts, a convite da bibliotecária da cidade, Ramona Norville. O que deveria ser um agradável dia na vida de Tess se transforma em um pesadelo. Tess é sequestrada.

A estória retrata todo o sofrimento de Tess. A violência física e psíquica pela qual a escrita passa e o seu desejo de vingança. É interessante notar que através de Tess, Stephen King mostra como muitas vítimas de abuso se comportam. O medo do repúdio da sociedade, de serem consideradas o agente provocador e não a vítima.

O final é surpreendente.

Fair Extension é a terceira estória. Embora seja o menor conto do livro, a trama é bem interessante. Dave Streeter é um bancário que vê a sua monótona vida piorar quando faz uma triste descoberta. Um dia, parado em uma rodovia ele encontra George Elvid, um vendedor ambulante. A verdade é que George não é um simples vendedor: ele vende justa prorrogação (fair extension), ou seja, um aumento no tempo de vida das pessoas. Meio que brincando e levando a sério, Dave Streeter aceita a justa prorrogação, mas precisa pagar uma certa quantia periodicamente, além de ter que escolher alguém para passar o fardo. A partir de então, Dave percebe a seriedade do nosso e o que a justa prorrogação da sua vida provoca na vida de quem passa a ter o fardo.

É o conto menos interessante do livro, mas que passa muito bem para os leitores como funciona a natureza humana diante de algumas situações.

Curiosidades: a trama se passa em Derry, a mesma cidade onde se passa a trama de It (A Coisa) e Dave chega a mencionar uma enchente que arrasou a cidade nos anos 80; durante uma festa, Dave diz a Tom, “Long days and pleasure nights”, frase retirada da série The Dark Tower (A Torre Negra); o sobrenome de George Elvid é um anagrama de Devil, diabo em inglês.

A Good Marriage fecha o livro com chave de ouro. Nesse conto, Darcy Anderson, depois de mais de vinte anos de casada, chega à conclusão de que tem um bom casamento. O casal tem dois filhos, Petra e Donald. O casal também possui um hobby, colecionar moedas raras, o que faz com que Bob, o marido, viaje constantemente aao longo do casamento, em busca de mais itens para a coleção. Bob também viaja muito por conta do trabalho.

Darcy descobre quem seu marido realmente é e fica horrorizada. Mas é forma como ela encara o marido depois dessa descoberta e a reação dele o que mais surpreendem no conto. O final é bem interessante.

Stephen King mostra com brilhantismo como funciona a mente de um psicopata, como ele consegue ser dissimulado e ao mesmo tempo cínico, como é capaz de se passar por alguém aparentemente normal, sem atitudes suspeitas e é capaz de cometer os crimes mais hediondos.

Upgrade: A Good Marriage teve os direitos de adaptação adquiridos. A produção ficará a cargo de Will Battersby e Peter Askin, e o roteiro ficará a cargo do próprio Stephen King.

Para terminar o artigo, acho importante esclarecer que li a edição hardcover (capa dura) do livro. Faço essa observação porque a edição em paperback, lançada em maio de 2011, ganhou o conto Under the Water.

Livro recomendadíssimo. Infelizmente, sem previsão de lançamento por aqui. Lançado em 2015 pela Suma de Letras, sob o título Escuro Total Sem Estrelas.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
Esse post foi publicado em Resenhas, Romance, Stephen King, Suspense/Terror e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Resenha: Full Dark, No Stars, de Stephen King

  1. Melissa disse:

    Adoro os contos do King! É uma pena que o Brasil não tem uma grande tradução de publicar e traduzir livros de contos…

    • Cassy disse:

      Melissa concordo com você. Embora eu não goste muito de livros de contos, os de Stephen King tem um diferencial. Agora, acho que Full Dark, No Stars tem boas chances de ser publicado aqui, pois recentemente publicaram outro livro de contos do autor, Ao Cair da Noite, versão brasileira de Just After Sunset (tb muito bom). Então é aguardar, né?

  2. Pingback: Mais duas obras de Stephen King podem ser adaptadas | D R A G O N M O U N T B O O K S

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