Resenha: O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

Título: The Picture of Dorian Gray.

Autor: Oscar Wilde.

Publicação: 2009 (originalmente publicado em 1891).

Número de páginas: 304 páginas.

Editora: Penguin Classics Hardcover.

ISBN: 9780141442464.

A lush, cautionary tale of a life of vileness and deception or a loving portrait of the aesthetic impulse run rampant? Why not both? After Basil Hallward paints a beautiful, young man’s portrait, his subject’s frivolous wish that the picture change and he remain the same comes true. Dorian Gray’s picture grows aged and corrupt while he continues to appear fresh and innocent.

Mais um clássico da literatura inglesa (e mundial) ganha espaço aqui no blog. Conheço a obra há algum tempo e sei que muitos de vocês que estão lendo este post também, mas somente li o livro no final do ano passado e gostei muito.

A primeira vez que tomei conhecimento de O Retrato de Dorian Gray foi no filme A Liga Extraordinária, com Sean Connery, não sei se alguém se lembra. Dorian era interpretado por aquele carinha que fez o Lestat no filme A Rainha dos Condenados, o ator britânico Stuart Townsend.

O fato é que eu achei o personagem fascinante, a ideia do retrato envelhecer, enquanto Dorian permanecia jovem e sem marcas era muito interessante. Então procurei algo a respeito da obra e claro fiquei super feliz de saber que era de Oscar Wilde, pois sempre quis ler algo dele. Porém, peguei um daqueles livros adaptados para estudantes de inglês e achei muito ruim, pois não entendi como um texto tal mal escrito (a adaptação era péssima) pudesse ser de Oscar Wilde. Anos depois é que me deparei com a obra original e fiquei maravilhada.

Para registro, assisti à uma das últimas (ou a última) adaptações cinematográficas do livro, lançada em 2009,  que conta com Colin Firth no papel de Lorde Henry e Ben Barnes (sim, o Príncipe Caspian) no papel de Dorian Gray. Amei o filme e recomendo.

Bem, vamos ao que interessa: a resenha de The Picture of Dorian Gray.

Dorian Gray é um jovem que tem o seu retrato pintado pelo artista Basil Hallward. Durante uma das ocasiões em que Dorian está pousando para o pintor, o rapaz acaba conhecendo Lorde Henry, nobre de família influente na aristocracia de Londres.

Lorde Henry é o tipo que diz o que pensa em qualquer situação, principalmente contra as regras sociais pré-estabelecidas pela aristocracia.  Perceber-se facilmente nas falas do personagem todo o sarcasmo e ironia bem típicos da personalidade do próprio Wilde.

Dorian se vê fascinado por Henry (não pelo lado sexual). É através de Henry que Dorian se torna consciente de sua beleza extraordinária e após a finalização da pintura, o orgulho de se ver retratado se mistura com o ódio da realização de que sua beleza é passageira. Dorian acaba trocando sua alma pela juventude eterna e o quadro passa a suportar todas as mudanças físicas que ocorreriam no corpo de Dorian. Percebendo isso, Dorian passa a ter um comprtamente bem diferente do início da trama e passa a experimentar todos os prazeres que tem vontade, até os mais mundanos.

Preciso escrever aqui, que os prazeres sexuais são lógico o foco, embora o autor não tenha colocado nada de forma explíctica, afinal a obra é do final do século 19 e não teria sido publicada se houvesse menção explícita de cenas de sexo. O fato que chama a atenção na obra é realmente a mudança no caráter de Dorian ele passa a não medir as consequências dos seus atos e não mede esforços para não ter o seu segredo revelado.

Eu gostei bastante do livro, pois a narrativa é bem dinâmica, mesmo com as inúmeras descrições de locais e ambientes. Lorde Henry é sem dúvida o melhor personagem da trama, com sua ironia e sarcasmo, inclusive com um pouco de bom humor, o que deixou parte da trama um pouquinho mais leve em alguns momentos.

Não é um livro divertido. Fica bem claro que Dorian sofre muito, mesmo com a tal da juventude eterna, mesmo com o quadro recebendo toda a carga negativa dos atos. E é só no final do livro que se tem certeza do quanto Dorian está insatisfeito.

Agora, sinceramente, não sei, ou pelo menos não percebi assim, se Oscar Wilde quis criticar o culto à beleza, como li em alguns artigos. Contra o comportamento da aristocracia está bem clara a crítica. O prórpio Wilde tinha um fascínio pelo que era belo, tanto que um de seus amantes tinha exatamente a aparência do Dorian Gray do livro. Quem leu ou está lendo a obra, por favor fique a vontade para comentar.

Obra excelente. Mais do que recomendada 😀

.:.Abraços e até a próxima.:.

Anúncios

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Fã do Stephen King. Adora Supernatural e filmes de terror.
Esse post foi publicado em Resenhas, Romance e marcado , , , . Guardar link permanente.

14 respostas para Resenha: O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

  1. Dwejitokkii disse:

    Engraçado que eu cheguei a ler o livro da mesma forma que você. Primeiro vi o filme da Liga e adorei o personagem, também era doida pra ler algo do Oscar Wilder, nem pensei duas vezes e li o livro. Faz até um tempo que eu li mas lembro que apesar de ter adorado o Dorian da Liga, não gostei do Dorian verdadeiro. O livro eu gostei, só não do personagem. De fato, Lorde Henry é o melhor personagem. Posso até tá falando besteira. Não tenho certeza, como já disse faz algum tempo que li, mas não acho que era o culto a beleza que Oscar estava criticando. Era mais algo relacionado vaidade, não a vaidade em si, acho que um pouco não deve matar a ninguém. Mas a importância que dão para aquela vaidade fútil e jovial(praticamente as características de Dorian) que não pensam em outra coisa a não ser a si mesmo.

    • Cassy disse:

      Dwejitokkii, sua opinião foi perfeita. É isso mesmo que eu acho. Obrigada por visitar o blog e, por favor, volte sempre.

      p.s.: Por um acaso vc assistiu ao último filme baseado na obra, lançado em 2009? Achei bem bacana. Mais uma vez valeu por visitar e comentar. Volte sempre 😀

      • Maria Zambianco disse:

        Assiti o filme e adorei, agora vou ler o livro. O tema sobre beleza também é bem atual. Parece que as pessoas dão mais valor a aparencia externa, enquanto seu interior esta se deteriorando.

      • Cassy disse:

        Olá, Maria Zambianco! Eu também assisti o filme antes de ler o livro. Gostei muito de ambos. Tem resenha do filme aqui no blog também. Abs

  2. Dwejitokkii disse:

    Não vi, me lembro que cheguei a baixar mas na epoca não encontrava tempo. Confesso que Ben Barnes(apesar de lindo) a imagem dele como ator também não me convencia muito, mas vou ver se assisto qualquer dia desses.

    • Cassy disse:

      Ben é lindo mesmo, mas tb não me convencia. O filme é bom, mais por causa do Colin Firth, que é o Lorde Henry, mas Ben Barnes faz um bom Dorian Gray. Assim que der prá vc assistir, deixe-me saber o que vc achou. Beijos 😀

      Ah, tomei a liberdade de colocar o link do seu blog no meu Blogroll. Adoro séries 😀

  3. Dwejitokkii disse:

    Colin Firth é um amor *_*, Mr. Darcy. Vou ver sim, quando eu ver o filme venho aqui falar. Ah, Pelo blog muito obrigada. Ainda tá no inicio to ainda apreendendo muita coisa mas que bom que você gostou dele, volte sempre! 😀

  4. Melissa disse:

    Eu gosto muito desse livro. E acho que nele o Wilde está é na verdade falando sobre a natureza do mal. A crítica dele é que Dorian, um rapaz bom e dócil, foi corrompido facilmente pelas idéias podres de homem influente. Inclusive o retrato que contém a verdadeira face de Dorian, é o retrato de um homem decrépito. Pra mim, sempre vai ser um livro sobre a corrupção do coração humano.

    • Cassy disse:

      Concordo, Melissa. É muito interessante essa aparente mudança de caráter do Dorian, mesmo porque só temos uma ideia da bondade dele através das palavras do Basil, só depois que conhecemos o Dorian juntamente com o Lorde Henry e já o Henry influenciando o Dorian com as suas ideias. Parece que Wilde faz isso de próposito, justamente para mostrar memso a corrupção. Wilde é um gênio mesmo. Melissa vc conhece outros trabalhos dele que vc possa me indicar?

  5. Pingback: Resenha: O Retrato de Dorian Gray | D R A G O N M O U N T .:. B O O K S

  6. Vanessa Machado Madalao disse:

    Oi Gente, adorei ler um pouco da opinião de vocês sobre o livro, mas ainda estou insatisfeita. Li o livro há alguns anos, uma grande amiga me sugeriu. Li e reli e fiquei incomodada, pois acho que não consegui pegar a essência total do livro e isso tem me irritado. Adoro interpretar personagens e ter a “moral” de uma obra, mas nenhum argumento ainda me satisfez. Já li que a interpretação seria de que a beleza de Dorian representaria a beleza de obras primas e que o quadro que envelhece seriam as criticas sociais sobre a beleza de uma obra. Já li também que Dorian representaria a exaustão de todos os desejos humanos realizados e sem uma consequência sobre seus atos, o que acarretaria uma imagem de como seria essa consequência em sua pintura. Mas ainda acho que falta mais. Já passei horas queimando a pestana sobre isso (risos) e é muito bom encontrar pessoas que também leram o livro e estão analisando sua interpretação. Quando tiver a resposta que procuro, volto.
    Parabéns à autora da resenha e das meninas que comentaram. Não me julguem arrogante, sou apenas super empolgada com livros e historias….

    • Cassy disse:

      Vanessa, obrigada e te entendo perfeitamente. Acredito que todas as noções sobre a beleza do Dorian estão corretas se vista sob um certo ponto de vista. Mas é realmente difícil tentar encontra qual a real intenção do Oscar Wilde. Ele era muito sarcástico, irônico e cínico, sabia como ninguém usar isso para criticar a sociedade inglesa e se vê muito disso no livro. Não sei se a intenção foi realmente passar algum culto à beleza, uma vez que o Dorian é imagem do amante do Oscar, mas ele escreveu muito bem sobre a hipocrisia da aristocracia londrina.

      E não vi nada de arrogante no seu comentário. Apenas uma excelente e bem escrita exposição de pontos a se considerar sobre a obra.

  7. Sofia Torres disse:

    Honestamente, eu nunca li o romance, eu aprendi a história de adaptações para o cinema que eu vi, ojajlá breve ser capaz de comprar o livro, este post interessante sobre o outro lado. Fez-me lembrar da marca nova série chamada Penny Dreadful, uma história que lida com a origem de personagens literários clássicos como Dorian Gray e Dr. Frankenstein, a verdade é muito bom.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s