Resenha: 11/22/63, de Stephen King

Título: 11/22/63

Autor: Stephen King

Publicação: 08 de novembro de 2011

Número de páginas: 849 páginas

Editora: Scribner (Simon & Schuster)

ISBN: 9781451627282

O dia 22 de novembro de 1963 marcou a história americana. Nesse dia, um dos presidentes mais queridos e idolatrados pela população americana foi assassinado na cidade de Dallas, Texas. O acontecimento ganhou o mundo nas diversas mídias da época. Jornais, revistas e televisão noticiavam sem parar a morte de John Fitzgerald Kennedy, ou JFK como ficaria mais conhecido.

Após a morte de JFK, a Guerra Fria se intensificaria entre Estados Unidos e a Rússia. Além disso, para muitos a morte de Kennedy significou a intensificação de conflitos raciais no sul dos Estados Unidos, alimentados por fortes correntes religiosas protestantes, que culminaram no assassinato de outro líder americano, o Dr. Martin Luther King Jr., em 1964.

Kennedy era tido por muitos como a esperança de uma américa mais justa e mais livre. Será que se ele não tivesse sido morto, a história americana e mundial teriam sido diferentes? Como saber se é praticamente impossível voltar ao passado para descobrir?

Quer dizer, era. Em 11/22/63, Stephen King nos leva de volta para os Estados Unidos do final dos anos 50. Mais precisamente para o dia 09 de setembro de 1958. Jake Epping, o protagonista do livro, se vê com a missão de impedir o assassinato de JFK. Mas primeiro, precisará desvendar o mistério e conspiração que envolve a morte do presidente americano e ter certeza que Lee Harvey Oswald, o assassino, agiu sozinho e não a mando da CIA ou do FBI.

Jake é um professor de ensino médio que reside e leciona na cidade de Lisbon Fall, no estado do Maine. Um dia, enquanto corrige as provas finais de seus alunos, ele é chamado por Al Templeton que lhe revela que pode voltar para o passado, através de um caminho no armário do seu restaurante. A passagem é chamada por Al de Toca do Coelho (Rabbit Hole) em alusão a Alice no País das Maravilhas. Al conta a sua experiência no passado e diz que tentou evitar a morte de Kennedy, mas algo sempre o impedia de cumprir a missão. Al tem diversas anotações de suas viagens, inclusive um roteiro completo das ações de Lee Harvey Oswald.

11/22/63 – edição americana

Sem poder continuar a sua viagem, Al pede Jake para que volte ao passado e impeça a morte de Kennedy e assim, acabe com uma seqüencia de acontecimentos desastrosos para a história americana. Jake a princípio não acredita. Quem acreditaria? Mesmo assim, decide fazer um teste. Visitando o passado Jake logo se espanta com a cordialidade das pessoas, algo que nos tempos atuais praticamente não existe. A sua viagem ao passado, também revela algo triste: a segregação racial. Os negros não podiam frequentar os mesmos lugares dos brancos, placas informavam quais lugares permitiam pessoas de cor ou onde elas deveriam se sentar ou fazer suas necessidades.  Um absurdo, eu sei.

Ainda não convencido com as explicações de Al, Jake decide por mais um teste antes da missão de salvar Kennedy: salvar a família de Harry Dunning. Jake não consegue o seu objetivo de forma completa, pois o passado mais uma vez mostrou que não quer ser mudado. Decidido a enfrentar o passado, Jake parte em busca da missão de impedir o assassinato de Kennedy. Para isso ele assume outra identidade, George Amberson.

O livro é realmente empolgante em muitos pontos, principalmente quando o passado causa certas interferências nas ações de Jake e nem sempre as interferências são desagradáveis. Porém, a trama fica mais emocionante nas partes finais do livro, à medida que o dia 22 de novembro vai se aproximando. Outro fato legal é que cada vez que se volta para o passado, a viagem anterior é apagada. Sempre se votla para o ano de 1958 no dia 09 de setembro, às 11:58h. E alguns padrões, aparência física de pessoas e até frases ditas pelas pessoas se repetem nas diversas localidades onde Jake se encontra. Claro que existe uma explicação para isso tudo, mas vocês terão que ler para saber.

Casal Kennedy chega em Dallas no dia 22 de novembro de 1963

A narrativa também é um ponto a favor. Ao invés da estória se desenvolver na medida em que lemos, tudo é contado pelo próprio Jake, o que dá mais autenticidade para o livro, porque os fatos já aconteceram. Embora, algumas partes foram detalhadas demais para o meu gosto, o que deixou a trama arrastada e até um pouco entendiante em alguns momentos, mas não a ponto de te fazer abandonar a leitura. Mesmo porque não há como não ficar ansioso para saber oque vai acontecer em seguida.

Não é um livro de terror, embora eu tenha visto o livro neste setor das livrarias virtuais. É mais para ficção científica pois inclui viagem no tempo. Também pode ser considerado ficção histórica, pois une ficção e fatos reais da história dos Estados Unidos.

Book Depository – local de onde partiram os tiros que mataram JFK

Por fim, não poderia deixar de citar os crossovers, sempre presentes nas obras do Tio Steve. O primeiro acontece quando Jake tenta impedir um massacre em Derry, no ano de 1958. Quem já leu é fã de King e já leu boa parte de suas obras, sabe o que aconteceu em Derry, mais ou menos nessa época, quando um certo palhaço era visto na parte subterrêanea da cidade. Aliás, Jake começa a escrever um livro, cujo assassino se veste de palhaço para atrair crianças. O segundo, que mais especulação, pois não foi confirmado por King, refere-se a casa que Jake aluga quando está na Flórida. Conforme a descrição do local tudo indica ser a mesma casa de Edgar Freemantle em Duma Key.

Bem, por enquanto é só. Espero que tenham gostado da resenha, fiz de tudo para não soltar muito spoiler e contar o essencial para vocês entenderem um pouco a trama.

Ah, quase esqueci: o livro vai virar filme. Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes, Filadélfia e De Caso com a Máfia) ficará a cargo de escrever, produzir e dirigir a adaptação, que começará a ser filmada no segundo semestre deste ano. Vamos torcer para que esse projeto der certo.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
Esse post foi publicado em Fantasia e Ficção Científica, Ficção Histórica/Romance Histórico, Resenhas, Romance, Stephen King, Suspense/Terror e marcado , . Guardar link permanente.

2 respostas para Resenha: 11/22/63, de Stephen King

  1. Pingback: Pré-venda: Novembro de 63 | D R A G O N M O U N T B O O K S

  2. Maurilei disse:

    Este é meu livro preferido de todos que li até hoje, o achei espetacular. Tomara que o filme fique bom.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

Por favor, deixem os seus comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s