Resenha: The Eye of the World, de Robert Jordan

Título: The Eye of the World

Autor: Robert Jordan

Publicação: 15 de janeiro de 1990

Número de páginas: 782 páginas

Editora: Tor Books

ISBN: 9780812511819

“The Wheel of Time turns, and Ages come and pass. What was, waht will be, and waht is, may yet fall under the Shadow. Let the Dragon ride again on the winds of time.”

Olá pessoal! Alguns posts passados eu apresentei a vocês a série The Wheel of Time do autor americano Robert Jordan. Lembram? A série que é um sucesso nos Estados Unidos e na Europa, chegou de modo discreto ao nosso país, tendo apenas dois livros publicados até o momento.

The Eye of the World é o primeiro livro da série e foi publicado em 15 de janeiro de 1990, mas começou a ser escrito bem antes, no ano de 1984. Neste primeiro volume, somos apresentados às personagens principais da série e a trama se desenrola na busca do lendário ser conhecido como o Dragão Renascido.

Antes, parecido dizer que o livro possui um prequel, o romance New Spring, adaptado de um conto publicado na coletânea de fantasia Legends, mais sobre esse prequel será tema de uma artigo próprio. Um conto chamado The Strike a Shayol Ghul, também serve como prequel da série e nos conta sobre a prisão do ser conhecido como Dark One pelo lendário Dragão, Lews Therin Telamon. E as conseqüências desse heroico feito que chegam a nós leitores desse primeiro livro no prólogo Dragonmount, que além de mostrar a questão importante do que aconteceu com o Lews Therin, nos dá uma ideia, que será melhor explicar no decorrer da trama e da saga, sobre a questão de uma certa maldição.

Somos, então, levados para a vila de Two Rivers, na região de Emond’s Field, onde conheceremos as personagens principais da série. São jovens que terão os seus destinos mudados para sempre ao se verem envolvidos com a Aes Sedai Moiraine Damodred e o seu Warder Lan Manragoran, que estão atrás do Dragão Renascido.

Estranhas ocorrências os obrigam a deixar sua vila. Essas ocorrências estão ligados a aparição de seres até então considerados mitos ou lendas, usadas para assustar crianças ou consideradas entidades maléficas da crendice popular, mas nunca ligadas ao mundo real de fato.

O que então começa como uma aventura e é brilhantemente narrado, começar a se revelar como uma rede de estranhos e bárbaros acontecimentos. Além de revelar também uma rede intrigas políticas e busca pelo poder. A busca pelo Dragão Renascido como a ser algo mais vivo na trama. Aos poucos ficamos sabemos mais sobre a história de Lews Therin e a seu papel na prisão do Dark One e todas as conseqüências desses atos e o que é revelado se interliga com a trama do livro.

A estória é muito bem narrada e cheia de bons momentos, mutos dramáticos e tensos, mas também aventura e um pouco de humor. E apesar de serem jovens as personagens são muitíssimo bem desenvolvidas e cativantes. Os jovens em questão de Emond’s Field são Rand al’Thor, cuja narração mostra que ele é o protagonista da série, e seus amigos Perrin Aybara e Mat Cauthon. Também temos Egwene al’Vere, filha do prefeito, e Nynaeve al’Meara, que comanda o conselho de mulheres da cidade, apesar da idade. A eles se juntaram ainda uma outra personagem, Elayne Trakand, a herdeira do trono de Andor, que apesar da nobreza mostra uma sensibilidade incrível.

A leitura é bem dinâmica, a narrativa muito bem desenvolvida e escrita, acontece sob o ponto de vista de cada personagem . Apesar das idades das personagens e da linguagem mais simples do autor, o livro é voltado para o público adulto. Porém, em 02 de janeiro de 2002 o livro ganhou uma edição voltada para um público mais jovem e foi lançado em dois volumes. O primeiro volume, From The Two Rivers, ganhou um segundo prólogo chamado Ravens, sob o ponto de vista de Egwene, e  segundo volume é To The Blight.  Não foi substituição da editora, o livro em seu formato normal continua a ser publicado.

Quanto à linguagem do livro, quando muitos autores tendem a mostrar determinadas cenas aos seus leitores, carregadas de crueldade ou de sensualidade exagerada, Robert Jordan faz o inverso e nem por isso, a cena perde a carga emocional intencionada pelo autor. É um escritor que agrada muito em sua escrita, mas tende a ser descritivo demais e já aviso que prestem atenção nos detalhes. Mesmo sendo o primeiro livro, voltado mais para apresentações, seja da trama, seja das personagens, muitos fatos aqui terão conseqüências nos demais livros da série.

Quanto ao Dragão Renascido, várias pistas vão identificar a identidade dele na terra. Pelo nome deu para perceber que se trata de encontrar a pessoa na qual Lews Therin renasceu, ou reencarnou, se preferir. Acreditem ou não nisso, Robert Jordan coloca essa mistura de religiões, crenças e mitos de uma maneira que me agrada bastante e tenho certeza que agradará aos novos leitores. Chamo atenção para um fato que me intrigou na leitura: como Robert Jordan nos joga diversas pistas e evidências sobre quem é o Dragão Renascido, porém, em diversos trechos, menciona os Falsos Dragões, que vocês vão saber mais na leitura do livro.

Boa parte da trama do livro se centra na fuga, sendo uma forma do autor colocar para os leitores mais fatos sobre o mundo da série: a história do local, novas cidades que as personagens conhecem, culturas de outros povos. E também mais sobre as personagens, suas personalidades, medos, características e caráter.  Cada personagem enfrenta um drama e aventuras pessoais, que se convergem na trama principal da série.

Em determinado momento a trama da obra se vira para o título. Em português o título é O Olho do Mundo e durante a minha leitura, não encontrando menção ainda ao tal olho, eu me questionava o que seria isso, alguma expressão em inglês que eu deixem passar, possivelmente, mas logo se descobre e é surpreendente, bem como o desfecho da descoberta.

Para terminar, aviso que vocês lerão muitos nomes diferentes para um mesmo ser ou povo, expressões e termos próprios da série. Para quem não está acostumado isso é normal em livros de fantasia épica. Robert Jordan e a editora (pelo menos nos livros em inglês) tomaram o cuidado de editarem um glossário que aparece no final do livro. Então não se assustem em não entenderem determinada palavra e se ela não aparecer no glossário, o próprio autor dá a explicação do seu sentido na estória. No mais amigos, leiam. Esperem que vocês gostem e deixem aí a sua opinião sobre esse livro.

Recomendadíssimo.

Observação: Os livros e a franquia da série The Wheel of Time pertencem a © Robert Jordan.

As expressões The Wheel of Time™ and The Dragon Reborn™, e o símbolo com a cobra e a roda são marca registrada de Robert Jordan.

.:. Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
Esse post foi publicado em Fantasia e Ficção Científica, Resenhas, Romance e marcado , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

17 respostas para Resenha: The Eye of the World, de Robert Jordan

  1. johnatanjj disse:

    sempre quis começar a ler essa saga que parece ser fantástica! algum dia talvez….sahuashusa

    • Wesley disse:

      Johnatan, eu ainda não li cara, a Cassy que leu. Está na minha lista prá começar assim que terminar A Song of Ice and Fire.
      Parece muito interessante e eu gosto de fantasia, infelizmente os livros não repercutiram muito no Brasil quando foram lançados (só os dois primeiros)… Em Portugal apenas os primeiros quatro títulos da série foram lançados e o povo tá fazendo abaixo assinado prá que a série continue sendo publicada.. hahaha Quem dera no Brasil fosse assim.
      Enfim, lê a série sim e depois comente aqui o que tá achando!

      .:. Abraços e até a próxima .:.

    • Cassy disse:

      johnatanjj, não tenho muito para acrescentar, pois o Wesley já disse tudo. A única coisa que eu digo é leia sim. Vale muito a pena. O tema fantasia, misturado com mitologia oriental e europeia, mais a questão política é bem interessante. Robert Jordan é um autor fenomenal e merece ter seu trabalho reconhecido. A série é bem parecida com O Senhor dos Aneis, mas a ideia de conspiração e intrigas, além de disputa pelo poder que vc vê n’As Crônicas de Gelo e Fogo, tb estão presentes. É uma obra prima😀

  2. Pingback: Confirmado: a série The Wheel of Time será publicada no Brasil em 2013 | D R A G O N M O U N T B O O K S

  3. Pingback: Lançamento: O Olho do Mundo | D R A G O N M O U N T B O O K S

  4. Pingback: Os 100 Melhores Livros de Fantasia de Todos os Tempos | D R A G O N M O U N T B O O K S

  5. Matheus G. disse:

    Estou lendo, não sei se sou ansioso demais mas eu esperava guerra, muitas batalhas e uso de magia no livro. Por enquanto, me encontro na página 600 +-, não teve muito disso. Teve, e foi bem legal, mas não muito. Basicamente é sobre a jornada deles e desenvolvimento dos personagens, apresentação de cidades e histórias/lendas, é um livro bem introdutório ao mundo mesmo! Estou gostando e, pelo que vi pela internet, nos próximos livros só melhora!
    Ps: Ainda não sei sobre o tal do “Olho do Mundo” haha, não exatamente mas já foi citado, então a cobra vai fumar daqui pra frente! lol

  6. Chateado que a intrínseca não publicou com essas capas. Eu achei feia as capas do volume 1 e 2 parecem as mesmas…

    • Cassy disse:

      Alguns fãs fizeram uma campanha para a Intrínseca usar, pelo menos, as capas dos ebooks americanos, mas não teve jeito. E também alguns fãs disseram que as capas americanas tinham spoiler.

  7. Pingback: [Edição Brasileira]: O Olho do Mundo | Dragonmountbooks

  8. Maviael Felix disse:

    Olá!! Então eu não comecei a ler ainda porque estou lendo O Nome do Vento e O Sangue do Olimpo, mais quero muito ler!!! Entretanto, vi em outros sites que o livro é um pouco chato e a historia não se desenvolve e que as coisas demoram muito acontecer. Então eu gostaria de vcs me explicassem mais sobre essa coisa de que o livro demora muito e acaba sendo o mais chato da série.
    PS: gostaria de saber se isso é verdade mesmo. :D!!

    • Cassy disse:

      É uma série bem extensa (são 14 livros) e o autor tem uma escrita bem descritiva. Alguns leitores não gostam muito disso e os livros da série acabam sendo chatos para esse tipo de leitor, mas tem a questão do gosto tb, claro.

      O autor não usa linguajar grosseiro e nem há cenas de sexo em demasia e alguns leitores acham isso um defeito.

      Eu gostei e acho que vale a pena. O RJ tem suas bases no Tolkien e no Frank Herbert, isso fica muito evidente, mas tb criou o seu próprio estilo, que serviu para outros autores, inclusive o próprio Patrick Rothfuss.

      Sobre o mais fraco da série, muitos leitores acham o décimo livro bem fraco, na verdade. Eu gosto, mas admito que o Jordan tinha capacidade para escrever algo melhor. Essa coisa de livro mais chato ou mais fraco é normal em séries, não é algo exclusivo da série A Roda do Tempo.

  9. Maviael Felix disse:

    Ah e eu quero ler em inglês!! Então queria saber se a leitura é muiiitoo difícil???

    • Cassy disse:

      Sobre ler em inglês, através do grupo dedicado à série lá no facebook, alguns leitores estão arriscando ler os livros em inglês e não estão tendo dificuldades. Um dicionário ajuda nessas horas, mas quanto mais avançado for o seu inglês melhor.

      No meu caso, eu não traduzo as frases, eu já entendo o inglês, pois é meu segundo idioma, então não paro leitura. Claro que há palavras ou expressões que não entendo, mas o contexto ajuda. Sinceramente, tenho mais problemas com os clássicos da literatura brasileira do que com livros em inglês. rs

      • Maviael Felix disse:

        Nossa!! que legal você tem o inglês como segunda língua isso é muito foda!! kkk. Enfim, obrigado por me responder e esclarecer algumas duvidas!! Sobre o meu inglês, estou no nível avançado do curso e já consigo associar bastante coisa então beleza, claro que as vezes eu não entendo, mais isso é normal ate porque eu ainda estou estudando e preciso melhorar muito e isso eu pego com o tempo e com a pratica! E eu também não traduzo! mais consigo entender (estranho não! kk)! Sobre o autor ser descritível, eu acho isso muito bom! gosto de saber como realmente são as coisas! E concordo contigo em que prefiro literatura inglesa ao invés de brasileira e tenho mais dificuldade em ler clássicos brasileiros do que ler clássicos ingleses. E gostei muito de saber que o Patrick Rothfuss se inspirou em The Wheel of Time para escrever seus livros!! estou amando O Nome do Vento e estou louco para ler o segundo logo!! E para terminar, sobre cenas de sexo eu não ligo muito acho que dependendo da historia fica ate desnecessário e apelativo demais, e se a série e sobre magia acho que não precisa mesmo!! agora no caso de Game of Thrones por exemplo eu acho que é necessário porque e uma série que não fala muito de magia e sim poder! Bom, mais uma vez obrigado! gostei muito do seu site e é isso!! se poder me responder dando mais detalhes sobre o livro eu iria gostar muito!! até a mais!
        P.S.: Eu quero me tornar professor de inglês! então acho que ler livros um pouco mais difíceis irá me ajudar muito, pois dessa maneira aprendo mais vocabulário.

      • Cassy disse:

        Olá! Pois é, segunda língua a custo de curso de idiomas e muita dedicação (ainda consigo isso com o alemão e o Yorubá. rsrs). Ler ajuda muito! E assistir programas de tv e filmes com a legenda em inglês tb. Vai fundo aí na série. Espero que vc goste e boa sorte na sua carreira de professor. Abs!

Por favor, deixem os seus comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s