Resenha: The Name of the Wind, de Patrick Rothfuss

Título: The Name of the Wind

Autor: Patrick Rothfuss

Publicação: abril de 2007

Número de páginas: 662 páginas

Editora: DAW Books

ISBN: 9780756404079

My name is Kvothe, pronounced nearly the same as Quothe. Names are important as they tell you a great deal about a person. I’ve had more names than anyone has a right to. Tradução: Meu nome é Kvothe, com a pronúncia parecida com Quothe. Os Nomes são importantes pois eles dizem muito sobre uma pessoa. Eu tive mais nomes do que uma pessoa tem direito.

The Name of the Wind é o primeiro volume da trilogia The Kingkiller Chronicle, A Crônica do Matador do Rei em português. do autor americano Patrick Rothfuss. Em 2009 a obra foi publicada aqui no Brasil pela Editora Sextante e recebeu o título O Nome do Vento, tradução literal do título em inglês, com a arte de capa da publicação francesa, feita pelo artista Marc Simonetti.

A obra também faturou alguns prêmios: o Quill Award e o Prêmio da Publisher Weekly como Melhor Livro do Ano no gênero Ficção Científica/Fantasia/Terror, no ano de 2007; e o Alex Award, em 2008.

Patrick gastou sete anos para concluir o livro e criou uma história fascinante e bem original. A obra já começa de forma bem misteriosa e te conquista logo de cara. A trama se passa em um lugar fictício chamado The Four Corners of Civilization (Os Quatro Cantos da Civilização, em tradução literal), que apesar do nome estranho, não é muito diferente do nosso mundo.

The Four Corners of Civilization

O protagonista da estória é Kvothe, um homem cuja idade não é revelada, mas cuja aparência chama muito a atenção devido aos cabelos vermelhos. E devo dizer que ele é um personagem fascinante, principalmente porque seus feitos não têm nada de surreais ou sobrenaturais, são pura obra da sua esperteza e de seus conhecimentos. O personagem não te cativa muito de cara, pois é mais discreto no começo da trama, mas ao longo do livro vamos conhecendo um outro Kvothe e esse sim é bem cativante.

Kvothe

Outro personagem é Bast, ajudante e aprendiz de Kvothe. Sua verdadeira origem é um segredo revelado a nós, leitores, através de Devan Lochees. Devan é um cronista que acaba encontrando Kvothe e o reconhece. No final do livro, nos é revelado como Devan realmente chegou até Kvothe. Movido pelas diversas lendas a respeito de Kvothe, Devan consegue convencer Kvothe a contar a sua vida. Kvothe revela que contará tudo em três dias. E são os relatos desse primeiro dia toda a trama de The Name of the Wind.

Gente, a história de Kvothe é uma coisa fantástica. Ele começa narrando o seu período com os pais e a trupe de teatro, passando por um fato trágico que o obrigou a viver nas ruas de uma cidade chamada Trebon, até, finalmente, conseguir entrar para a Universidade, para se tornar um Arcanista.

A trama é recheada de elementos bem próprios da fantasia, como magia. A Universidade, além das disciplinas normais como matemática, química e retórica, leciona Alquimia e Simpatia (espécie de magia associada ao vudu). Por essa razão, o escritor americano Orson Scott Card comparou o livro à série Harry Potter, ressaltando a temática mais adulta da trilogia.

O autor ainda trata de algumas questões sociais, como o fato de Kvothe passar por diversos problemas financeiros, não ter dinheiro suficiente para pagar os seus estudos e a matrícula de cada termo, além de trabalhar em mais de um emprego e ganhar relativamente pouco e ainda ter tempo para estudar e concluir suas tarefas como estudante.Além de tocar o seu alaúde no Eolian.

Uma curiosidade é que as dificuldades de Kvothe nada mais são do que acontecimentos enfrentados pelo próprio autor no tempo em que foi estudante.

Outro ponto interessante, é a brilhante forma como o autor mostra as diferenças sociais na cidade onde Kvothe passou parte de sua vida. Bem parecida com atual situação das nossas metrópoles, onde parte é frequentada pela alta sociedade, possui uma estrutura mais arrojada e melhores condições. Outra parte é descuidada e geralmente habitada por mendigos, prostitutas e ladrões, com casas mal construídas e sujas. Aliás, crítica social é um tema bem presente nos livros de fantasia.

É uma leitura bem agradável, a estória é bem original e muito bem trabalhada. Nem preciso dizer, mas vou dizer assim mesmo: leiam. É uma outra forma de se ver a Alta Fantasia, sem precisar descambar para a violência extrema ou apelos sexuais. A linguagem é bem adulta, sem palavras de baixo calão, palavrões ou expressões grosseiras. Enfim, é uma obra-prima. Mais do que recomendado.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
Esse post foi publicado em Fantasia e Ficção Científica, Resenhas, Romance e marcado , , , . Guardar link permanente.

9 respostas para Resenha: The Name of the Wind, de Patrick Rothfuss

  1. Paulo Dores disse:

    Olá,

    Se gostaste deste volume seguramente irás gostar do próximo (que cá em Portugal foi dividido em dois, com o nome O Medo do Homem Sábio).

    Gosto muito da escrita, do enredo e das personagens que nos cativam imenso.

    Embora queiramos saber sempre mais sobre os assassinos dos pais de Kvothe (grande objetivo do enredo e do personagem), é algo que vamos apenas sabendo de uma forma muito vaga.

    Grandes aventuras ainda tens pela frente e claro adoro certos mestres, Auri, Denna e muitos outros😉

    BJ

    • Cassy disse:

      Olá, Paulo. Gostei muito do livro sim. O autor tem uma escrita bem interessante, até os detalhes mais tristes são descritos de uma forma delicada, na medida certa, sem criar uma atmosfera dramática desnecessária.

      Também gosto muito da Auri e da Denna e espero que no segundo livro o autor desenvolva mais as personagens, pois neste primeiro as duas ficaram muito sombrias ainda. Assim que eu terminar um outro livro gigantesco que estou lendo (A Passagem) eu começo a ler The Wise Man’s Fear e posto aqui.

      Espero não ter mandado muito spoiler, tenho evitado descrever muitos deltalhes das estórias nas minhas mais recentes resenhas, escrevendo somente o necessário para se entender o enredo e a trama da obra.

      Bjos

  2. Marcos disse:

    O Nome do Vento é realmente muito bom, mas O Temor do Sábio supera ele na qualidade, na minha opinião é claro, pois é nele que o autor apresenta mais do seu mundo e alguns personagens novos muito bons, um em especial me deixou arrepiado enquanto eu lia , mas comento mais quando você fizer a resenha desse livro, no mais, outra excelente resenha! Parabéns Cassy!

    • Cassy disse:

      Que bom que gostou da resenha Marcos, como eu disse acima estou evitando passar muitos detalhes. Assim que eu terminar A Passagem eu começo a ler O Temor do Sábio😀

  3. Olá,

    Só posso concordar com o Marcus o volume seguinte ainda é melhor, até Denna acabamos por simpatizar mais com ela.

    Vai ter uma bela demanda o nosso amigo, que como já te tinha rferido tem algumas semelhanças com FitzCavalaria, jovem, uma vida cruel, inteligente, invejado, etc

    depois então comento melhor quando leres o 2º volume😉

    BJ

    • Cassy disse:

      Finalmente, assumiu sua verdadeira identidade em Westeros LOL Confesso que gostaria que Denna tivesse sido mais bem desenvolvida em O Nome do Vento. Realmente eu não tenho muita simpatia por ela no momento LOL

      Também acho incrível as semelhanças entre KVothe e Fitz. Aliás é uma assunto que gera muita discussão entre os leitores americanos😀

      Então, assim que eu ler o 2º volume, com certeza eu posto a minha humilde opinião aqui no blog.

      Bjos

  4. Por acaso Fiacha é um corvo que habita as florestas de Seventawers, universo criado pela escritora qu gosto muito Juliet Marrilier, que recomendo mesmo😉

    Mas o Corvo Negro encaixa bem em Westeros sim😀

    Atenção que a Denna, por mais irritante que seja e consegue se-lo muitas vezes, também tem a sua própria história e que na verdade também não é nada fácil😉

    Olha essa do Fitz, não sabia mas até faz sentido LOL

    OK e a passagem está a ser bom ? Espero que sim (em portugal tambem dividiram esse em dois😦 )

    BJ

    • Cassy disse:

      Hahahaha, pensei que o corvo negro fosse por causa de Westeros, desculpe. Adorei saber a origem real do nome, Juliet Marrilier parece ser uma escritora bem interessante, recomendação aceita vou procurar obras dela com certeza😀

      Fiacha, acho a Denna bem misteriosa mesmo. Na verdade, acho a garota bem estranha, deve haver muito sofrimento na vida dela tb, pois parece que ela está escondendo algo, assim como o próprio Kvothe.

      A Passagem é um livro maravilhoso, mas tenho que ler com calma e devagar, o autor joga muita informação e por prates, que depois acabam se juntando no final de cada sequência de eventos.

      Bjos

  5. Pingback: Resenha: The Wise Man’s Fear – O Temor do Sábio | D R A G O N M O U N T B O O K S

Por favor, deixem os seus comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s