Resenha (filme): O Retrato de Dorian Gray

Título: O Retrato de Dorian Gray

Título Original: Dorian Gray

Duração: aproximadamente 112 minutos

Ano de produção: 2009

País de origem: Inglaterra

Gênero: drama, suspense

Quando um belo, porém ingênuo jovem, Dorian Gray chega a Londres vitoriana ele é levado para a alta sociedade pelo carismático Henry Wotton, que apresenta Dorian aos prazeres hedonistas da cidade. Basil Hallward, artista socialite, amigo de Henry, pinta um retrato de Dorian para capturar o poder de sua beleza jovial e quando é revelado Dorian faz uma promessa leviana – ele daria tudo para ficar como está no quadro – até mesmo sua alma.

Ambientado na sombria Londres do final do século 19, o filme reconta a história do jovem Dorian Gray, um rico e belo aristocrata.

Há algum tempo atrás fiz a resenha do livro, que vocês podem conferir clicando aqui.

Adaptação de uma das obras mais célebres de Oscar Wilde, a produção ganha contornos góticos em sua fotografia que retratam bem a atmosfera dos contos do autor irlandês e já começa com uma cena bem chocante, onde um jovem aparece estocando algo e uma grande quantidade de sangue o atinge. Quem já leu o livro, com certeza saberá do que se trata. Após a conclusão da cena, o filme volta para um ano antes, quando o jovem Dorian chega em Londres para herdar as propriedades deixadas pelo seu avô.

A partir daí a história segue o curso do livro com Dorian tendo o seu retrato pintado por Basil, conhecendo Henry e suas tiradas magistrais, entrando para a sociedade e aristocracia londrina. E fazendo a tal promessa: daria tudo para continuar jovem para sempre.

Dorian se apaixonada por Sybil Vane, uma atriz de teatro, e a partir do rompimento do relacionamento dos dois, toda a sua ingenuidade e inocência dão lugar a um ser arrogante, que só se preocupa com si mesmo e os prazeres da vida. E tudo é suportado pela figura do retrato e não por Dorian. Os anos passam e Dorian continua o mesmo, mas a figura do quadro está cada vez mais desfigurada, revelando a alma podre de Dorian, a sua verdadeira face aprisionada na figura. Em alguns momentos dá para ouvir o quadro, o lamento e o tormento em que vive, algo que chega a assustar um pouco.

Dorian Gray e seu retrato

O filme além de contar como uma ótima fotografia, que já ressaltei acima, tem ótimas interpretações. Ben Barnes, interpreta o protagonista e faz um excelente trabalho. O jovem ator, que antes de ser o Dorian Gray, viveu o Príncipe Caspian, tem uma linguagem corporal fantástica, algo que adoro em atores britânicos, que são mais teatrais e demonstram mais as emoções do que a maioria dos atores americanos.

Ben Chaplin faz o artista Basil Hallward e no filme, mais do que no livro, fica bem claro o interesse do pintor em Dorian. Há inclusive uma cena bem interessante entre Dorian e Basil, durante uma certa festa.

Mas a melhor interpretação fica mesmo para Colin Firth. O ator interpreta de forma magistral o maravilhoso Henry Wotton, para mim a melhor personagem tanto do livro quanto do filme.

Henry Wotton (Colin Firth) e Dorian Gray (Ben Barnes)

Outro personagem que faz parte da trama é Emily, filha de Henry, uma militante pelo  direito de voto para as mulheres.  É uma personagem que não existe no livro, mas que no filme ganha um relevante importância porque chama a atenção de Dorian e possuir um gênio bem parecido com o de Henry.

Apesar de não ser a primeira adaptação cinematográfica, o filme agrada e tem um forte apelo entre os expectadores mais jovens, embora fique claro que a produção é direcionada às pessoas com idade a partir dos 18 anos. Provavelmente por causa de Ben Barnes que interpretou o Principe Caspian antes de encarnar Dorian Gray.

Aliás, a escolha de Barnes foi algo que me surpreendeu (de modo positivo), pois o ator é muito diferente do Dorian do livro. Enquanto para Oscar Wilde Dorian seria um jovem louro de olhos azuis, tez bem clara, Ben Barnes é moreno, com belos cabelos e olhos negros. Uma beleza mais latina do que inglesa. Algo que achei bem bacana, pois mostra que é o belo tem várias faces, e não somente a beleza tipicamente europeia, com seres aloirados e de olhos claros. Ben Barnes foi a escolha perfeita na minha modesta opinião. A beleza simples do ator convence no papel.

No mais, o filme é excelente, vale a pena gastar suas preciosas horinhas assistindo à mais essa adaptação. Mais do que recomendado😀

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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9 respostas para Resenha (filme): O Retrato de Dorian Gray

  1. Melissa disse:

    Eun gosto bastante desse filme e concordo com você, o Ben Barnes é um ator excelente! Eu confesso que fiquei um pouco perdida com a entrada da filha do Henry na história. Não sei até que pontou justificou. Mas é uma adaptação ótima, que capta bem o espírito crítico do Oscar Wilde. Ah, e realmente, o Dorian latino foi muito bom. Uma mostra mesmo de que a beleza pode ter várias formas. Porque quem vai dizer que o Ben Barnes não é maravilhoso????????????

  2. Cassy disse:

    Melissa, eu tb adoro o filme (nem deu para reparar, né?). Ben Barnes faz um Dorian perfeito tanto nos momentos de inocência quanto nos momentos mais tensos quando o seu caráter sofre a mudança. Agora, esse Henry Wotton do Colin Firth é tudo, mais do que perfeito.

    Também não entendi o porquê de inventarem essa Emily. Provavelmente para dar mais humanidade para o Dorian, mostrar algum arrependimento da parte dele por tudo que ele fez e causou aos outros. De qualquer forma, é uma adaptação mravilhosa.

  3. Cassy disse:

    A trama é fascinante justamente por esses pontos que você colocou, Henry realmente é contraditório porque por mais que ele não concorde com a sociedade em que vive (ou o modo que ele vive), ele não faz nada para mudar e vê no Dorian a chance de experimentar como seria se ele, Henry, tivesse a coragem de agir como Dorian agiu. O final é bem interessante, mais por que fica a dúvida sobre o que ou quem está realmente no quadro.

    Quanto ao livro, mais do recomendo. Eu gostei muito do jeito do Oscar Wilde escrever, principalmente porque ele não tem pretensão nehuma de passar lições de moral ou coisas do tipo. Entretanto, os trechos das atitudes suspeitas de Dorian, como a sua vida sexual, os amantes que ele tem ou até o seu consumo de ópio, são descritos de forma mais discreta do que no filme.

    Obrigada por visitar o blog e volte sempre😀

    Bjos

  4. maria das graças silva farias disse:

    Gostei do que li,esclareceu mais minhas interpretações.Já havia lido o livro há muitos anos,uns 20 anos no mínimo,portanto agora vou voltar a ler e assistir o filme que com certeza terei melhor compreensão,é outro momento.

  5. Marcele disse:

    Ainda não compreendi o final do filme, o pq de Henry está com o perfeito quadro de Dorian?

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