Resenha: The Passage, de Justin Cronin

Título: The Passage

Autor: Justin Cronin

Publicação: 08 de junho de 2010

Número de páginas: 766 páginas

Editora: Ballantine Books

ISBN: 9780345504968

The Passage é o primeiro livro de uma trilogia, cujo segundo livro, The Twelve, já tem data de lançamento para outubro deste ano. Já o terceiro livro, The City of Mirrors, será lançado em 2014, mas não tem uma data definida. O livro já foi publicado aqui no Brasil com o título A Passagem, tradução literal do título original.

A trama é bem complexa com variações de narrativa, mas apesar da complexidade não é um enredo muito difícil de entender, pois muitas partes vão se completando e se encaixando no enredo, deixando a estória mais completa na medida do possível para o primeiro livro de uma série. Afinal, muita coisa realmente não pode ser revelada, o que dá um certo ar de suspense ao livro.

Só uma explicação: vocês notaram que eu li o livro em inglês (novidade rsrsrs), então muitas expressões e nomes eu só sei no original e não faço a mínima ideia de como foram traduzidas. Entre parênteses está a tradução livre, ou seja, feita por mim mesma. Para aqueles que já leram o livro, sintam-se à vontade para deixar nos comentários a tradução da edição brasileira do livro.

Basicamente o livro trata de uma experiência do governo americano que deu errado e acabou causando o extermínio de grande parte da população do planeta. Nações desaparecem, outras surgem e uma nova ordem é estabelecida. Os sobreviventes fazem o que têm ao seu alcance, mas o fim do mundo parece algo inevitável.

O livro tem dois momentos bem distintos, antes do vírus e depois do vírus. Isso porque os seres responsáveis pelo fim do mundo são os chamados Virals (virais), o resultado da tal experiência que deu errado. Esses seres possuem hábitos noturnos, alimentam-se de sangue e são extremamente letais, além de transformarem os seres humanos em seres iguais a eles, por isso são chamados comparados aos vampiros. O fato é que a experiência em si consistia em contaminá-los com um certo vírus e transformá-los em algo bem diferente do que acabou acontecendo. Bem, coisas do governo americano.

É no momento antes do vírus que conhecemos a protagonista da trama, Amy Harper Bellafonte, uma garotinha com um dom especial, que vira alvo do governo americano no Projeto Noah.  Amy é descrita como uma menina extremamente inteligente e muito calada. É deixada por sua mãe aos cuidados de uma freira chamada Lacey e nos momentos que antecedem a fuga dos Virals, Amy é cuidada por Brad Wolgast, um agente do FBI que vê em Amy a chance de ficar perto da filha morta. Após o vírus, Amy vai parar na Primeira Colônia.

Depois do vírus é o momento mais longo, é onde novos personagens entram na trama, que passa a se desenrolar de uma forma mais lenta em alguns momento, mas sem perder a tensão e o suspense. Aqui o autor coloca um pouco dos dramas pessoais dos personagens e dá para entender o porquê.

Nessa fase, somos apresentados aos descendentes dos sobreviventes. Eles moram em um local chamado First Colony (Primeira Colônia) e acredite ou não, eles sobrevivem com o que nós hoje chamamos de lixo tecnológico, equipamentos eletro-eletrônicos e tal.  A Primeira Colônia tem uma estrutura bem interessante, parece uma vila cercada por um grande muro, onde cada habitante desenvolve uma atividade, que anteriormente foi a mesma atividade do seu pai ou mãe. A estrutura é super bem vigiada, com pessoas trocando de postos dia e noite. O que chama atenção é um local chamado Santuário, onde as crianças ficam até uma certa idade, totalmente isoladas da parte exterior. Quando atingem uma certa idade, as crianças, são levadas pela Professora para uma sala e lhe são revelados todos os acontecimentos. Após, a criança é levada para a casa de seus pais, onde passará a viver e aprender uma atividade (a dos seus pais, geralmente) para poder servir à Colônia.

O habitante mais antigo é a Titia, uma senhora bem velhinha que chegou quando o local ainda estava sendo construído e única pessoa que conheceu o mundo antes do vírus.  Isso gerou algumas comparações com Mãe Abgail de A Dança da Morte de Stephen King. Aliás alguns leitores comparam muito os dois livros. Realmente há semelhanças, afinal os dois livros tratam de assuntos parecidos, mas as tramas são muito diferentes.

O problema é que a colônia oferece uma aparente segurança, mas não uma perspectiva de vida. Embora cada um exerça a sua atividade, conflitos surgem e intrigas também. Para alguns habitantes a colônia já não é mais um lar. E a chegada de Amy leva alguns deles a tomar uma importante decisão.

Achei interessante o autor começar a contar os acontecimentos do período depois do vírus, 92 anos depois de acontecer. O que significa que há ainda 92 anos de fatos que aconteceram e ainda não forma revelados. Podendo ser inclusive a trama do próximo livro, The Twelve (Os Doze), que será lançado em outubro deste ano.

No geral a estória é muito boa e original, contada de uma forma bem interessante que em vários momentos criam uma atmosfera de suspense e mistério. Às vezes até assusta um pouco. Como já li em algumas resenhas e ratifico aqui, as primeiras duzentas páginas são muito empolgantes, assim como da  metade para o final do livro. Porém, por ser um livro longo, com demasiada explicação, em que o autor se aprofunda mais na trama ao invés de revelar algo, a leitura não rende um pouco, o que pode dar ideia de que o livro é chato. Chato é algo que esse livro não é. Foi um dos melhore que já li e o melhor desse ao até o momento. Portanto, é uma leitura recomendada, principalmente para quem adora ficção científica, ficção distópica e suspense. Não recomendada para quem acha que vampiros que brilham são fofos. rsrsrs

.:.Abraços e até a próxima.:.

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Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
Esse post foi publicado em Fantasia e Ficção Científica, Ficção Vampiresca, Resenhas, Romance e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

9 respostas para Resenha: The Passage, de Justin Cronin

  1. Li o livro em 2010, então não lembro de muitos detalhes, mas lembro bem que gostei bastante dele quando o li (essas comparações com a Dança da Morte são infundadas, ambos são livros pós-apocalípticos e só, e na minha opinião A Passagem supera em muito o livro do Stephen King, que sempre começa bem uma história mas não sabe como concluí-la corretamente) e estou ansioso pela continuação. Adorei também seu recado final, pois o livro é também muito superior a Crepúsculo e seus genéricos, mesmo no quesito romance, pois as relações ali são verossímeis e os personagens bem trabalhados, o que faz criar realmente empatia por eles, (lembro de morrer de pena de um dos “originais”, que ao contrário dos outros não era um psicopata), e é só ler as despedidas de Amy e Wolgast para ver como emoções podem ser bem trabalhadas sem o uso de lugares-comuns e clichês, Stephanie Mayer teria muito o que aprender com o Justin Cronin, se eu acreditasse que ela pode aprender algo….
    Por fim, valeu Cassy por mais essa resenha!

    • Cassy disse:

      Marcos, amei o seu comentário. Justin Cronin me surpreendeu bastante, ele tem uma forma única de escrever e cnseguiu desenvolver uma obra bem original, fora dos clichés como você mesmo disse. E também estou bem ansiosa pela continuação, principalmente poque o autor já andou declarando que Os Doze talvez não sejam aqueles Doze que nos conhecemos no primeiro livro. Agora, aquela cena de Amy com o Wolgast foi linda. Gente, até me arrepeiei, sério. Obrigada por gostar da resenha. E não esqueci de Duna, hein. Estou só juntando $$ para poder comprar. Abraços.

      • Fiquei sabendo que o livro vai ser lançado simultaneamente aqui no Brasil, será que procede? Se for isso mesmo a Editora Arqueiro vai estar de parabéns e vai ser de exemplo para outras editoras que demoram anos para lançar uma tradução ou deixam séries a meio caminho (#Rocco#). E esperarei o tempo que for necessário para ler sua resenha de Duna, só espero não ter criado muitas expectativas pra ti, pq apesar de eu afirmar categoricamente que o livro é excelente, nunca é bom se chegar com as expectativas muito altas, vai que vc não aproveite tanto quanto aproveitaria caso chegasse com as expectativas em baixa.

      • Cassy disse:

        Marcos, eu assisti ao video postado pela editora Arqueiro no YouTube prometendo o lançamento para fim do ano. Fiquei na dúvida porque o vídeo é da edição britânica (apesar de estar traduzido para o português). Sinceramente, espero mesmo que a editora publique o livro juntamente com a edição original, muitas editoras atrasam a publicação dos livros por questão de marketing e não porque estão em fase de tradução, ficam enrolando os leitores. Acho isso uma falta de respeito.

        Quanto ao livro Duna não se preocupe, realmente eu não crio muitas expectativas. Já li e ouvi falarem maravilhas do livro por outras pessoas também, mas gosto de tirar minhas próprias conclusões. Mais uma vez agradeço pela dica. E se tiver qualquer outra sugestão pode ficar à vontade para comentar. Abraços 😀

  2. Melissa disse:

    Eu quero ler esse livro. Até porque adoro mundo pós-apocalíptico + drama, então isso parece bem empolgante! 🙂

    • Cassy disse:

      Pois é, lembrei demais de você, Melissa. Principalmente por causa do livro ser classificado como ficção distópica. Leia sim, tenho certeza que você vai gostar 😀 Abraços

  3. Pingback: Lançamento: The Twelve – Os Doze | D R A G O N M O U N T B O O K S

  4. Cassy disse:

    Eu sou suspeitíssima, eu amo esse livro. Não vou negar que em princípio algumas partes vc vai achar meio chatinhas, mas no decorrer da leitura, vc vai notar que são importantes prá gente entender a estória toda 😀

  5. Pingback: Capa, data de lançamento e pré-venda de Os Doze | D R A G O N M O U N T B O O K S

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