Resenha: The Winter King, de Bernard Cornwell

Título: The Winter King

Autor: Bernard Cornwell

Publicação: 1995

Número de paginas: 489 páginas

Editora: Penguin UK

ISBN: 9780140231861

The Winter King é o primeiro livro da trilogia The Warlord Chronicles. Essa trilogia já foi lançada aqui no Brasil com o título de As Crônicas de Artur, cujo primeiro livro recebeu o título de O Rei do Inverno, tradução literal do título em inglês.

O livro começa com o nascimento de Mordred, filho do falecido herdeiro de Dumnonia, Mordred (não errei é esse nome mesmo), e neto de Uther Pendragon, o Alto Rei da Britânia. Após a morte de Uther, Mordred se torna o herdeiro de Dumnonia. O guerreiro Artur, filho bastardo de Uther, recebe a incumbência de cuidar do pequeno Mordred. Artur passa a ser o regente de Dumnonia e promete restabelecer a paz entre os reis britânicos e vencer a guerra contra os Saxões.  Artur ainda tem que lidar com os Irlandeses e os Francos.

A aparente paz entre os reinos ingleses não dura muito. Artur quebra a promessa de se casar com a princesa de Powys e casa-se com Guinevere. E a permanência do pequeno Mordred no trono fica ameaçada. Para piorar, Merlin que poderia ajudar os reinos a continuarem em paz, está desaparecido.

Eu amo as lendas arturianas, li e assisti várias adaptações e ainda têm muitos que não vi ou tive a oportunidade de ler, como Le Morte D’Arthur. Muitas dessas adaptações se focam na parte mística da lenda do Rei Artur, algo mais ligado ao gênero da fantasia.  Com Merlin cheio de poderes sobrehumanos, Artur retirando a espada da pedra ou a dama do lago lhe entregando Excalibur. Porém, eu ainda não tinha lido nada que colocasse Artur no período histórico a que ele pertenceria se tivesse existido. Não posso esquecer o ótimo trabalho da Marion Zimmer Bradley no livro As Brumas de Avalon, que foi o mais perto de ficção histórica que li sobre o Rei Artur, mas realmente não chega perto do que Bernard Cornwell coloca em The Winter King. Digo a nível histórico. As Brumas de Avalon é um livro excelente e recomendo, mas Bernard Cornwell consegue colocar as lendas arturianas em um contexto histórico que agrada bem mais.

A estória é narrada sob o ponto de vista de um dos guerreiros de Artur, Derfel Cadarn. Criado em Ynys Wydryn, conhecida como Avalon, Derfel sempre quis se tornar um guerreiro e lutar ao lado do senhor da guerra Artur, a quem sempre admirou.  Muito do que sabemos sobre a lenda de Artur vai sendo desmistificado por Derfel, inclusive como Artur conseguiu Excalibur.

Por falar em nomes, o livro é cheio de nomes de lugares, em princípio estranhos, mas que remetem à Inglaterra da Idade Média, quando a língua ainda era mais próxima do Galês ou Welsh do que do inglês.  No livro é possível saber, através de uma espécie de glossário, que alguns lugares ainda existem na Inglaterra de hoje, obviamente com outro nome.

Bernard Cornwell preservou a integridade, a honestidade e o senso de justiça de Artur. Como regente, ele buscará todos os meios de proteger o trono de seu soberano, mas da forma mais justa que ele conseguir encontrar, buscando sempre a paz entre os reinos britânicos. Artur é um senhor da guerra, estrategista, mas sabe ser diplomático, principalmente com os inimigos. Apesar de em alguns momentos, parecer que ele beira a ingenuidade e inocência.

Agora, o personagem que mais chama atenção pela diferença em relação a outros contos, é Lancelot.  Não mais o leal cavaleiro de Artur, Lancelot é egoísta, arrogante e pior de tudo, um covarde e dissimulado, é o antagonista de Derfel em muitos momentos do livro. Guinevere para mim continua insuportável como sempre, principalmente com sua devoção exagerada a uma deusa, aqui ela não é uma carola católica ainda, e com seu ideal de grandeza. Uma chata. Ainda não entendo como Artur caiu de amores por essa mulher.  Porém, não há como negar que Guinevere desempenha um papel importante na trama, ajudando e aconselhando Artur a tomar determinadas decisões.

Além de uma ótima narrativa, personagens bem construídos e trama excelente, o livro conta com belíssimas cenas de batalhas. A questão religiosa também é outro ponto importante da trama, com a expansão do Cristianismo em contraposição com a religião dos Druídas.  O autor coloca bem as influências exercidas pelos Cristãos, não muito diferente do que temos hoje em alguns setores políticos do nosso querido país.

Dizer que o livro é excelente é pouco. Bernard Cornwell recria a lenda de Artur de forma magnífica. E é só o primeiro livro, já estou louca para ler o segundo volume da trilogia. A questão do Rei do Inverno, volta ao tema da religião e do misticismo dos Druídas, os maus presságios de uma criança nascida no inverno e com um problema físico, indicando maus momentos para o país no futuro. Porém, Mordred, com ajuda de Artur e seus leais guerreiros conseguem vencer todas as adversidades. Livro mais do que recomendado.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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14 respostas para Resenha: The Winter King, de Bernard Cornwell

  1. O Rei do Inverso é Fuckingtastico! Foi através dele que eu conheci o Bernard Corwell e me tornei fã. São tantas coisas fodas nesse livro e no resto da série que eu nem sei por onde começar a comentar! Cada vez que o Lancelot aparecia eu queria voar em cima dele com os dois pés! E tem o padre também (não me lembro o nome dele agora), outro corno! Você tem que ler os outros livros! São maravilhosamente, absurdamente fantásticos!

    A meu ver, em matéria de Ficção Histórica, só perdem para (e ainda assim é um mérito) as Crônicas Saxônicas do próprio Cornwell.

    • Cassy disse:

      Heitor, foi o primeiro livro do Bernard Conrwell que li e com certeza vou ler os demais livros da trilogia, inclusive o segundo eu já começo amanhã.

      Fique a vontade para falar do livro, os spoilers em comentários são permitidos rsrsrs

      Agora, tenho que falar: a morte do Gundleus foi tudo!!!! Cara, como eu queria que o Artur tivesse matado aquele miserável no começo do livro.

      • Faz um tempo desde a ultima vez que eu li os livros, então eu não tenho as coisas frescas na cabeça. Eu lembro de vários eventos, mas não sei de qual dos livros são, e não quero estragar seu prazer ao lê-los.

        Gundleus eu lembro mais ou menos quem é; Nem sei se é nesse primeiro livro, mas lembro também da satisfação de ler sobre a morte do velhote Druida que acompanhava ele.

        Quanto a religião, eu percebi uma coisa. Nas Crônicas de Arthur eu torço a favor do Druidismo e contra o Cristianismo. Já em Crônicas Saxônicas, eu me identifico ainda mais com o paganismo e detesto ainda mais o cristianismo. Os cristãos não tem vez nos livros do Cornwell.

      • Cassy disse:

        Ah, sim a morte do velho Druída acontece no primeiro livro. Também me indentifiquei muito com o Druidismo, apesar de notar como Bernard Conrwell mostra que a questão é muto mais o caráter da pessoa do que a religião em si, mas que realmente a religião e o estado são coisas que não devem se misturar. Vamos ver o que o segundo livro mostra, pois pelo título me parece que entra mais na questão religiosa.

  2. É um fato que nos livros do Cornwell a igreja sempre consegue se fazer ser odiada mesmo quando é uma série que tem um herói cristão.

    (Curiosamente é a série mais chata que ele escreveu, e com o pior protagonista. Não é mesmo Thomas de Hookton?)

  3. Cassy disse:

    Isso, o Derfel é o narrador da trama.

    Bernard Cornwell e o Ken Follett são autores de um mesmo gênero, mas não têm muito a ver a escrita de um e de outro. Acho os dois excelentes. Se vc quer alguém tão bom quanto Ken Follett, existem muitos, mas o meu primeiro da lista com certeza é o Bernard Cornwell😀

  4. Ois,

    Um dos melhores escritores de Romance Histórico, esta é uma trilogia que quero mesmo muito, pois pelo que muita gente diz é do melhor que ele escreveu😉

    bom comentário😉

    • Sou tendenciosos pra falar, mas eu prefiro a série Crônicas Saxônicas. Acho que talvez seja porque eu não esperava nada dela, enquanto que eu já conhecia a lenda de Arthur e meio que já estava preparado para algumas coisas.

      Mas nada tira os méritos desse livro.

    • Cassy disse:

      Vejo que não resistiu à tentação, não é? rsrsrs

      Obrigada pela sua visita mais uma vez amigo, Corvo. Gostei muito, mas sou suspeita para falar dessa obra especificamente, pois adoro a lenda de Artur. Achei o livro magnífico e olha que é só o primeiro.

  5. Por acaso estou a gostar bastante das crónicas saxonicas, mas não posso comparar pois ainda não li, mas um dia vou mesmo comprar esta trilogia😉

    Há muita coisa boa sobre Artur, eu por exemplo gostei bastante das Brumas de Avalon da MZB e da Tapecaria de Fionavar do Guy Gavriel Gay, valem ambas bem a pena Cassiana😉

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