Resenha: O Hobbit, de J. R. R. Tolkien

O HobbitTítulo: O Hobbit

Título Original: The Hobbit, or There and Back Again

Autor: J. R. R. Tolkien

Publicação: 21 de setembro de 1937, Reino Unido; 2011, Brasil

Número de páginas: 328 páginas

Editora: Martins Fontes

ISBN: 9788578273873

Bilbo Bolseiro é um hobbit que leva uma vida confortável e sem ambições, raramente aventurando-se para além de sua despensa ou sua adega. Mas seu contentamento é perturbado quando Gandalf, o mago, e uma companhia de anões batem em sua porta e levam-no para uma expedição.

Apesar de ter lido poucas obras do autor, Tolkien é o meu escritor de fantasia favorito. Nem poderia ser diferente, O Senhor dos Anéis foi o meu primeiro contato literário com a fantasia medieval. Embora, baseado em uma cultura do nosso mundo e em acontecimentos históricos do nosso mundo, Tolkien conseguiu criar um mundo totalmente diferente, com reinos, seres, culturas e idiomas próprios.  A Terra Média é um mundo incrível que serviu de inspiração para diversos autores da nova geração de escritores de fantasia.

Mas não é o Senhor dos Anéis o tema deste post, apesar da obra objeto desta resenha ter uma certa ligação com a trilogia. Porém, acredito que a leitura de O Senhor dos Anéis e posteriormente de O Silmarillion, deixaram-me extremamente exigente e antes de ler O Hobbit procurei me informar melhor sobre o livro, pois sempre tive na mente que seria infantil demais, por isso sempre acabei adiando a leitura. Com o primeiro filme em cartaz e as ótimas críticas a curiosidade cresceu e acabei lendo.

É excelente. Tem sim uma pegada bem infantil, mas há trechos que te deixam mesmo com uma sensação de que Tolkien queria passar algo a mais do que só contar uma historinha para os filhos. Eu adorei a forma de escrita e a caracterização das personagens, principalmente o Bilbo Bolseiro e o mago Gandalf. Obviamente para quem leu a trilogia seriam as personagens que mais chamariam a atenção do leitor.

Os anões também foram uma grata surpresa. Lembro que eu achava o Gimli super chato na Sociedade do Anel e passei a gostar mais um pouco em As Duas Torres (filmes e livros), e quando comecei a ler e vi a quantidade de anões na estória, pensei que eu fosse ser chato, mas todos são muito bem desenvolvidos por Tolkien, bem no limite da proposta do livro.

Ao iniciar a leitura do livro é impossível não pensar no momento no qual o anel é encontrado. Cheguei a pensar que demoraria bastante a acontecer. É bem o que eu esperava, apesar de mais rápida e menos detalhada por causa das circunstâncias em que tudo acontece, mas é um dos trechos que mais queria ler. Nota-se também que Tolkien nos apresenta a criatura Golum de um modo não muito diferente para quem leu a trilogia, porém sem o lado deprimente e digno de pena. Em O Hobbit, Golum é um ser desprezível, cruel e malicioso, sem a mínima compaixão por qualquer outro ser. Sua maior preocupação é o objeto que ele guarda e é para ele a coisa mais preciosa do mundo.

Também gostei da forma como o autor retratou o temível dragão Smaug. Foi uma grata surpresa perceber que o dragão é bem diferente do que eu imaginei. Não fisicamente, mas como um ser que tem consciência e age com inteligência e não apenas com instinto, menos animalesco e mais astuto.

O Hobbit é muito bem escrito, divertido, tem momentos de pura emoção sim. É um livro bem mais leve, com bastante cenas de aventuras, momentos com um pouco de suspense e momentos de humor. A leitura agrada e a forma narrativa, onde Tolkien se volta bastante para nós, leitores, é algo que dá uma atmosfera mais juvenil, ou para alguns, até infantil para a narrativa. Mas se engana quem pensa que todos os acontecimentos do livro são totalmente infantis. Isso é que surpreende. O livro tem momentos de forte emoção, drama, um pouco de suspense, humor e ação, que vai agradar muito o público mais adulto.

Também chama a atenção, e gostei bastante, foi da trama dar uma reviravolta. Em um momento em que se imagina que o autor terminar o livro, ele cria uma outra situação ligada à trama principal, porém com conseqüências bem sérias e que resultam em uma batalha motivada pela ganância, ao mesmo tempo em que verdadeiros inimigos surpreendem os envolvidos. É um dos melhores momentos do livro e, creio, algo muito esperado nos filmes. O desfecho do livro é simples, mesmo após a batalha, porém triste, como todo final de um bom livro é.

Gostei bastante de O Hobbit e embora seja um livro comercialmente classificado como infantil ou infatojuvenil, vai agradar aos adultos, apesar da escrita mais leve, pois é muito bem desenvolvido e não é cansativo. Vou evitar qualquer comparação sem noção com O Senhor dos Anéis e minhas referências anteriores foram apenas para mostrar como era meu pensamento ao começar a leitura de O Hobbit. Para quem estuda ou se formou em literatura é mais fácil dizer em que Tolkien possa ter errado ou não. Esse não é meu objetivo aqui, mesmo porque Literatura não é minha área de formação. Minha opinião é de mera leitora e sou igual a maioria de vocês. No geral a obra é magnífica e merece muito mais do que cinco estrelas. Livro recomendadíssimo.

.:.Abraços e até a próxima.:.

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Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
Esse post foi publicado em Fantasia e Ficção Científica, Resenhas, Romance e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

17 respostas para Resenha: O Hobbit, de J. R. R. Tolkien

  1. Olá Cassiana,

    Curiosamente ainda recentemente fiz uma mensagem ao escritor, no blog e por incrível que pareça ainda só li a trilogia do senhor dos aneis.

    Tenho mesmo que ler este livro, depois deste brilhante comentário, alias já estava previsto ler para este ano e quem sabe venha a ler a obra do escritor, pois quando li a trilogia (muito por culpa do Peter Jackson) não tinha a bagagem que tenho hoje e achei a escrita de Tolkien meio chata, muito descritiva, mas reconheço que é mesmo um problema meu.

    Mas parece que é otimo começar mesmo por aqui, tenho que conhecer toda a sua obra, afinal tenho acesso a ela é só uma questão de tempo.

    Adorei o comentário, parabéns 😀

  2. A leitura do Hobbit foi mesmo muito bacana. Gostei muito. Mas no meu caso, eu decidi ler na ordem cronológica: Silmarillio, Hobbit e depois Senhor dos Anéis. Acredito que tenha sido melhor assim, pois há muitas referências nas obras entre si.

    • Depende, cara. A maioria das pessoas deixa o Silma por ultimo, por ele ser o mais “denso” dos livros. Você lê o Hobbit para descobrir o mundo, lê o Senhor dos Anéis para explorar ele, e se gostar e quiser um conhecimento Hardcore das origens da vida, do universo e tudo o mais, passa pro Silma, e posteriormente, pro Contos Inacabados.

      • Brother, isso é bem verdade, mas eu sou meio metódico pra essa coisa de cronologia. Acho que iria ficar com raiva se lesse o SdA e visse alguma referencia sobre a Ungoliant, por exemplo, e não soubesse quem ela era. Aí depois só complementei com Filhos de Húrin e Contos Inacabados.

        Mas concordo com vc que o Silma é bem denso. Aliás, foi um dos poucos livros que tive que ler duas vezes pra poder entender bem.

  3. Cassy, muito bom! Para mim, Tolkien é o melhor do melhor do melhor… do melhor escritor de todos, todos! Então eu sou tedencioso ao comentar os livros dele, mas vou tentar deixar minha fanzice de lado pra comentar sua resenha. Provavelmente vou tentar falar muita coisa sem falar nada e meu comentário vai virar uma bagunça, mas vamos lá…

    Realmente as coisas são diferentes no Hobbit em comparação com Senhor dos Anéis. A bem da verdade, quando Tolkien escreveu o Hobbit ele mal imaginava criar Arda, a Terra-Média em si e todo o resto. Fora o fato que não existia na época a tradição de escreverem livros para criança. Pra você ter uma idéia, ele só foi públicado porque o filho\sobrinho\criança-genérica do dono da editora leu e ficou fascinado com o manuscrito.

    Uma coisa que eu sempre gosto de frisar pra qualquer um que vai ler o Hobbit, é saber que a versão original do livro era meio diferente da “versão 2.0” que temos hoje. Gollum e o Anel não tinham tanta importancia assim para a história. Só depois, quando foi pedido pra Tolkien escrever “mais livros com esses tais Hobbits” e ele precisava de um “ponto de ligação” é que as coisas cresceram e ganharam a proporção que tem hoje, com o anel se tornando o Um Anel, por exemplo.

    O Smaug é um caso a parte. Puxando pela memória, eu creio que ele (e o Um Anel) foram inspirados nas lendas nórdicas\escandinavas de Dragões, como o Fafnir da “Völsungasaga”, por exemplo. Já os Ananos também são únicos, cada um de um jeito diferente. O que deve ter pegado para você é que embora essa seja a história do Bilbo, esse também é um livro dos Anões, enquanto que Senhor dos Anéis é sobre a Guerra do Anel e mesmo os Anões tendo feito sua parte na batalha, eles não estão “no elenco principal” da trama. Com muitos personagens pra desenvolver, e um mundo para explorar, Gimli acabou mesmo sendo sacaneado no primeiro livro. Até porque você já conhece como são os Anões, por causa do Hobbit. Mais para frente, com as coisas já mais delineadas, ele tem um pouco mais de espaço para aparecer.

    O Hobbit é mesmo mais leve e para um público mais jovem. Tolkien tinha uma visão diferente do mundo e como você bem disse, ele tenta passar essa visão de maneira fácil e simples no seu livro. Ele não escrevia só por escrever. Ele queria que seus livros tivessem um significado, um valor profundo neles.

    Tolkien é um caso único pra mim e eu poderia gastar horas ou páginas falando dele. Sempre me empolgo demais ao falar dele ou dos livros dele. Espero que você me perdoe e que meu comentário tenha feito sentido! hauhauahauha!
    Beijos!

    • Cassy disse:

      Valeu pessoal pelos comentários. Fiacha, eu já tinha O Hobbit como meta de leitura e comecei a ler um pouco antes de vc ter o seu blog. Aliás a matéria do Tolkien que vc fez ficou lindíssima como eu já comentei. É comum em blogs de fantasia aparecerem artigos sobre o mesmo escritor e acho natural, mas é impossível que um blog de fantasia não comente sobre Tolkien, seja para falar bem ou mal. Não é meu primeiro artigo sobre uma obra do autor, já comentem sobre O Silmarillion, que super indico, pois é um livro lindíssimo.

      Adriano, eu li primeiro O Senhor dos Aneis, depois O Silmarillion e, finalmente, O Hobbit. Acho que se eu tivesse seguido a ordem certa com certeza teria um deslumbramento maior. Mas pelo que vejo a ordem não tirou de mim o fascínio pelas obras e por esse magnífico mundo que é a Terra Média.

      E Heitor, vc pode falar a vontade rsrsrs Realmente dá para falar de Tolkien o dia inteiro. O próximo livro dele que vou ler é Os Filhos de Hurin.

      • Ois Cassy,

        Sim Tolkien tinha que fazer parte, nem seria justo da minha parte não comentar nada sobre ele. Gostava que tivesses lá comentado no blogue mesmo, mas pronto, terás outras oportunidades 😉

        Olha ao menos aqui espero que comentes, pois acabei de te atribuir um selo por gostar do teu blogue, espero que gostes 😀

        http://leiturasdocorvofiacha.blogspot.pt/2013/02/ora-bem-foi-um-final-de-semana-com.html

        Bje e aparece 😀

      • Cassy disse:

        Obrigada, Fiacha, adorei a lembrança e muito obrigada pela consideração. Por mais estranho que possa parecer eu nem sei quantos seguidores, que prefiro chamar de amigos, tem o blog LOL Prefiro saber que o blog agrada pelos comentários de vocês.

        Peço mil perdões por não participar do meme, pois a maioria das respostas já fazem parte de artigos publicados aqui no blog.

        Mais uma vez agradeço a lembrança e que mais amigos se juntem ao nosso grupo, tanto aqui quanto no teu blog 😀

  4. Melissa disse:

    Em primeiro lugar: não estou comentando ultimamente por falta de tempo, mas eu sempre acompanho o blog, viu? É um dos meus favoritos!

    Eu gostei da sua resenha justamente por não ficar comparando com O Senhor dos Aneis. Eu fiz isso antes de ler O Hobbit e isso tirou a graça da leitura na época pra mim (tem uns oito anos que li o livro). Desde então eu tenho essa ideia de julgar o livro pela proposta dele e não pelo que ele “poderia ter sido” em comparação a outros livros.

    E sim, O Hobbit é uma graça! Um livro pra todas as idades mesmo!

    • Cassy disse:

      Oh, Melissa, saudades dos seus comentários aqui. Eu é que estou em falta com vc, sempre acompanho o seu blog, mas tenho comentado pouco (ou nada, na verdade rsrsrs), acompanho mais pelo facebook. Eu amei a sua resenha, tb foi um incentivo para eu ler O Hobbit. Reparou que mandei um recado para os trolls? rsrsrs Têm aparecido muitos rsrsrsrs

  5. Mateus Gois disse:

    Olá, estou visitando seu blog pela primeira vez e já gostei. A obra de Tolkien é realmente muito fascinante e eu deixo aqui duas sugestões de livros, não sei se você já conhece. Os livros são O Anel dos Nibelungos e As Melhores Histórias da Mitologia Nórdica ambos dos mitologistas Carmen Seganfredo e A. S. Franchini. Pra quem gosta do universo nórdico são excelentes!

  6. Pingback: Os 100 Melhores Livros de Fantasia de Todos os Tempos | D R A G O N M O U N T B O O K S

  7. Maurilei disse:

    Uma leitura que achei muito agradável, gostei mais que o primeiro do Senhor dos Anéis, que foi o único que li até agora da trilogia.

    bomlivro1811.blogspot.com

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