Resenha: The Gathering Storm, de Robert Jordan & Brandon Sanderson

The Gathering Storm capaTítulo: The Gathering Storm

Autores: Robert Jordan e Brandon Sanderson

Publicação: 27 de outubro de 2009

Número de Páginas: 1071 páginas

Editora: Tor Books

ISBN: 9780765341532

At the end of time, when the many become one, the last storm shall gather its angry winds to destroy a land already dying. And at its center, the blind man shall stand upon his own grave. There he shall see again, and weep for what has been wrought.

The Gathering Storm é o 12º livro da série The Wheel of Time.  A obra representa uma nova etapa na série, não só por representar o começo do seu final, mas também por ter sido escrita por outro autor.

Em setembro de 2007, Robert Jordan faleceu, deixando manuscritos para o último livro da série, batizado de A Memory of Light. Jordan havia pedido a Harriet, sua esposa, para encontrar alguém para terminar a série caso ele morresse e deixou uma série de notas, rascunhos, manuscritos e cenas inteiras escritas, algumas ditadas para Harriet.

Em novembro de 2007, Harriet entrou em contato com o escritor Brandon Sanderson e lhe pediu para terminar a série. Honrado com o convite e grande fã de Jordan e de The Wheel of Time, Brandon aceitou. Ao começar a trabalhar, Brandon percebeu que a quantidade do material deixado por Jordan era três vezes maior do que qualquer outro livro da série. Juntamente com Harriet e a editora Tor, Brandon resolveu dividir o último livro  e o resultado foram os três volumes finais, The Gathering Storm, Towers of Midnight e A Memory of Light, totalizando os 14 livros da série.

Provavelmente não foi uma tarefa fácil, mas acho que Brandon fez um excelente trabalho. O livro é muito bem escrito e me relembrou a forma de narração dos primeiros livros da série. Brandon deixou claro no prefácio que não tentou imitar o estilo de Jordan e é realmente isso que se vê. A escrita é bem apropriada para TheWheel of Time, porém percebe-se de cara o estilo do Brandon. Não é algo ruim, considerando a primeira frase deste parágrafo, mas, como fã da série, foi impossível não imaginar como o próprio Jordan teria escrito determinada cena, ou se ele teria mesmo usado determinadas palavras ou expressões colocadas por Sanderson.

Em vários momentos, o livro passa aquele clima triste, para nós leitores, de finalização. Diversos trechos mostram a preparação para a iminente Última Batalha, porém ainda é visível o quando muitos lugares ainda não estão preparados, mesmo com um clima de hostilidade. O problema maior se apresenta na figura do salvador do mundo. Será que o Dragão Renascido está preparado para Tarmon Gai’don?

Temos sido testemunha da evolução dessa personagem. A sua transformação é algo que nos impressiona durante o desenrolar da série. Pelo menos a mim, impressionante bastante, pois é uma das minhas personagens preferidas.  Em The Gathering Storm, o Dragão Renascido, chega ao extremo e nos mostra que é um ser humano como todo mundo e não uma divindade que deve ser temida ou adorada, como muitos fazem. Nem é alguém para ser manipulado pelas intrigas e conspirações que fizeram parte da trama durante boa parte da série. Realmente os pontos de vistas dele rendem excelentes momentos, carregados de drama, tensão e, alguns chocam muito.

Egwene e Mat também ganham bastante destaque nesse livro, assim como Nynaeve e Cadsuane. Embora eu não goste tanto de Egwene, tenho que reconhecer sua evolução na trama me impressiona, assim como o que aconteceu a Rand al’Thor ainda me surpreende. Mat é minha personagem preferida, juntamente com Perrin e Rand, e sempre espero bons momentos nos capítulos em que ele aparece e até o momento não me decepcionei.

O acontecimentos estranhos e bizarros continuam. São conseqüência do toque do Dark One no mundo. Na verdade, esses fatos estranhos, denotam mesmo a ideia de fim do mundo, com a Última Batalha chegando, como se fosse o Armagedon. São acontecimentos, como eu já disse em outra resenha, que lembram muito as catástrofes bíblicas do juízo final. Em The Gathering Storm ocorre com mais intensidade em uma localidade e assusta muito, pois interfere direto na vida das pessoas de lá. E impressiona mais a forma como isso é encarado pela população do local. Eu gostei muito, principalmente porque acontece através do ponto de vista de uma das minhas personagens preferidas. E falando sério, só essa personagem poderia encarar isso do jeito como feito descrito.

Quanto ao título, há várias tempestades no decorrer da obra. Primeiro, pensa-se sempre em Tarmon Gai’don, não cansamos de ler na série falarem tanto dela. À medida que vamos lendo, percebemos a existência de várias tempestades se acumulando prontas para cair. É também um fenômeno atmosférico, mas representado por um turbilhão de acontecimentos e representa a forma de Jordan mostrar como as ações humanas e as intenções por trás delas, afetam e mutas vezes alteram o mundo.

O desfecho do livro é uma cena lindíssima de Rand. Tudo bem que alguns vão achar a cena como algo cheio de filosofia demais e teoria existencial demais. Porém eu adorei e achei muito bonita.  Eu esperava por uma cena assim em alguns dos livros anteriores, quando Rand já parecia estar no limite de seus sentimentos e sua fúria parecia a ponto de explodir, pelo que ele é  pelo que ele tem de enfrentar e pelo fato do mundo depender dele, como colocado por ele mesmo em vários trechos desse livro e dos anteriores. O que ele diz, creio eu, será algo que já passou pela mente de cada um de vocês em relação à trama da saga até aqui. É um excelente desfecho em um excelente livro, que abre margem para o que está por vir no próximo volume.

Por fim, quero dizer da minha esperança de ver a série engrenar de vez aqui no Brasil depois do fiasco da Caladwin, cujo marketing foi paupérrimo. Espero que a editora Intrínseca consiga fazer um marketing melhor, principalmente porque WoT não tem a HBO para dar suporte. Prevejo mais bizarrices do tipo Confronto de Sagas para se discutir qual é a melhor entre os livros do Martin, do Tolkien e do Jordan. Mas vai valer a pena, se vocês tiverem a oportunidade de ler (ou reler) essa série em português. Aos amigos portugueses também repasso a minha esperança para que a série volte a ser publicada aí.

Observação: Os livros e a franquia da série The Wheel of Time pertencem a © Robert Jordan.

As expressões The Wheel of Time™ and The Dragon Reborn™, e o símbolo com a cobra e a roda são marca registrada de Robert Jordan.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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2 respostas para Resenha: The Gathering Storm, de Robert Jordan & Brandon Sanderson

  1. Matheus Henrique disse:

    Você escreve muito bem. Parabéns! Eu tenho uma dúvida em relação ao final de Elantris, acho que você saberia a resposta.

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