Resenha: The Final Empire, de Brandon Sanderson

Mistborn The Final EmpireTítulo: Mistborn – The Final Empire

Autor: Brandon Sanderson

Publicação: 17 de julho de 2006

Número de páginas: 516 páginas

Editora: Tor Books

ISBN: 9781429914567

The Final Empire é o primeiro livro da Trilogia Mistborn, escrita pelo autor norte-americano Brandon Sanderson. Curiosamente, o livro é conhecido pelos fãs simplesmente como Mistborn. Há tempos queria ler a trilogia, sempre li e ouvi ótimas opiniões sobre o seus livros e minha curiosidade e ansiedade só foram aumentando com o tempo. Posso dizer que não me decepcionei com esse primeiro volume. Muito pelo contrário, fiquei encantada (ainda mais) com a escrita de Brandon. Obviamente, o autor, que ainda é considerado uma revelação, está aquém dos grandes nomes da fantasia, mas Brandon não é tão novato e mostra que tem potencial para estar na lista de melhores autores e suas obras de fato merecem estar nas listas dos melhores livros de fantasia.

Em  2011, foi lançado um quarto livro, um romance único, chamado The Alloy of Law, uma espécie de spin-off, que no devido tempo também será resenhado aqui. No começo de dezembro do ano passado, eu fiz uma matéria, englobando aspectos mais gerais sobre a série, quem quiser ler é só clicar aqui.

A trama de The Final Empire gira em torno de uma rebelião formada por um segmento da sociedade, formada pela camada mais pobre da população do império conhecido como o Final Empire. O líder da revolução é Yeden, um trabalhador cansado das condições a que são reduzidos os seus iguais, os Skaa. Yeden contrata um grupo de ladrões, que por sua vez são liderados pelo Survivor de Hathsin (Sobrevivente de Hathsin, em português), Kelsier. O objetivo da rebelião é subjulgar o imperador Lord Ruler. Para Kelsier, porém, o que a princípio é um mero trabalho, na verdade, revela-se como uma oportunidade de vingança contra aquele que o oprimiu e continua a causar sofrimento a muitas pessoas. Boa parte da estória acontece na capital Luthadel.

O desenrolar da trama segue o desenrolar dos planos para acabar com o tirano e mostra também como são tratados os Skaa. Também é mostrado outras camadas da população, como a Nobreza, possuidora de todos os privilégios dados pelo imperador. Existem também seres conhecidos como Obligators que fiscalizam as atividades da nobreza, juntamente com outro seguimento político e religioso, chamado Ministério. O objetivo é controlar a nobreza e também os seres humanos que têm a habilidade de usar uma técnica chamada Allomancy.

O enredo é cheio de intrigas e conspirações formados pela rebelião e maquinadas por Kelsier, uma personagem no mínimo intrigante e um dos protagonistas do livro. Kelsier possui uma personalidade carismática, está sempre de bom humor e é extremamente otimista, ao mesmo tempo, não mede esforços para colocar os seus planos de vingança em andamento, inclusive incitando mais Skaa para a vingança e descarregando toda a sua amargura interna nos nobres. Kelsier rende ótimas cenas e trechos de tirar o fôlego, cheios de ação. A personagem é apresentada como um herói incomum, cujos os ideias de justiça não significa ter sentimentos de misericórdia para com os inimigos. Ele acaba por demonstrar grande intolerância para com os Nobres e seu ódio é mostrado em diversas de suas ações a favor da rebelião. E muitas são recheadas de crueldade. E o que intriga é o fato de você passar a gostar da personagem e até a entendê-la.

Luthadel mapa

Mapa de Luthadel

Em contraposição, temos a outra protagonista, Vin, uma garota de 16 anos, que acaba sendo incorparada por Kelsier em seu bando e serve aos seus planos. Aos poucos eles vão desenvolvendo um relacionamento de amizade e chega a algo quase parecido com o relacionamento de pai e filha. Vin tem uma grande evolução em sua forma de ver o mundo e apesar de também ter sofrido por causa das ações do Lord Ruler, ela começa ter uma visão diferente dos Nobres e percebe que alguns deles também são vítimas. Vin, assim como Kelsier, possui a habilidade de Allomancer e ambos são Mistborn.Através de Vin, conhecemos outas personagem que ganhará um importância enorme na história: Elend Venture. E é sob os pontos de vistas de Kelsier, Vin e Elend que conhecemos os fatos a acontecimentos desse primeiro livro.

Em The Final Empire, Brandon mostra uma tendência seguida por muitos autores na atualidade: a ausência de elementos fantásticos tradicionais e uma priorização do ser humano. Através da rebelião dos Skaa é passada toda a estrtura polítco-religiosa e social do Final Empire. Porém, Brandon não foge totalmente do universo fantástico, o mundo criado por ele possui caracterísitcas bem próprias, embora um dia tenha sido parecido com o nosso mundo. Fica claro que a ascensão do Lord Ruler causou uma grande mudança e agora o mundo possui características diferentes, além de sofrer com dois atípicos fenômenos atmosféricos. Final Empire faz parte do mundo chamado Scadrial.

Brandon criou seres fantásticos pouco tradicionais, ao invés dos já manjados elfos, dragões, bruxos e magos. São seres são criaturas capazes de incorporar matérias mortas e uma parte delas tão desenvolvida ao ponto de ser um replicante de outro ser humano.

Entretanto, são as figuras unidas ao seguimento nobre o que chama mais a atenção. A serviço do Ministério existem os Inquisidores, seres que aparentemente foram humanos e possuem a habilidade de Allomancers, cujas formas físicas são bem peculiares. Esses Inquisidores ocupam cargos tanto políticos quanto religiosos e alguns deles são bem próximo ao Lord Ruler. O imperador Lord Ruler aparece também como um ser atemporal, considerado o Deus do mundo, ele é imortal e possui grande habilidade como Allomancer. Eu gostei do modo como Brandon deixa o tal tirano em evidência e sua aparição demora muito para acontecer e quando acontece realmente surpreende. Confesso que não gostei muito do aguardado confronto entre o Lord Ruler e Kelsier, por razões que me fizeram, inclusive, repensar se eu continuaria lendo o livro.

E como última característica colocada por Brandon no livro, temos a habilidade Allomancy. Eu havia colocado um pouco sobre essa arte no artigo citado, inclusive pensei em fazer uma matéria separada, mas ao ler as fontes antes de escrever, notei um pouco da complexidade e preferi ler o livro para ter uma ideia melhor do que se tratava. Ainda bem que não fiz o artigo, é uma tema de extrema importância para a trama do livro e vocês merecem conhecer essa habilidade da mesma forma que eu conheci, através da leitura do livro. É algo muito diferente do que eu já li, bem pensado e muito criativo e o autor consegue nos passar de uma forma que não parece algo surreal e apesar de parecer complexa no início da estória, é algo fácil de entender à medida que a trama é contada.

Finalizando a resenha, deixo a minha recomendação, o livro é excelente. Brandon mais uma vez provou como é possível escreve uma ótima estória, envolvente e cheia de ação, com uma linguagem simples, sem emprego de qualquer forma de palavreado grosseiro. A tensão, drama ou crueldade de uma cena realmente passam esses sentimentos. O livro também tem ótimos momentos de ação e humor. A narrativa apresenta trechos no começo das partes que dividem o livro e no final dos capítulos, que seriam os pensamentos ou as palavras ou mesmo lembranças, não está muito claro ainda, do lendário Hero of Ages (Herói das Eras).

O final surpreende muito, de modo a fazer pensar como o autor concluiu tão cedo uma trama que parecia duraria a trilogia inteira e o que será que virá nos próximos livros. Brandon não ficou na enrolação vista em outras obras do gênero. Mais uma vez, recomendo. Só espero que a editora brasileira não demore muito a lançar os livros aqui.

Não posso deixar de ressaltar o fato do livro contar com uma espécie de glossário, onde é melhor explicada a habilidade da Allomancy. Agora finalizo mesmo….

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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24 respostas para Resenha: The Final Empire, de Brandon Sanderson

  1. Muito legal a resenha. Mais um pra gente torcer pra lançarem por aqui.

  2. Kelvin Sousa disse:

    Cassy, você me deixou com mais vontade de ler o livro. Amei a resenha. você resenha bem. Continue assim. Eu não vou nem falar do livro ser lançado aqui, pois não quero ficar mais nervoso do que já estou com a Editora Leya. Bye.

  3. Thiago de Almeida disse:

    Olá Cassy. Primeiramente gostaria de dizer que acompanho esse site por um tempo. Eu, assim como você, também li as resenhas na internet sobre essa série, e resolvi comprar de uma vez os três livros. Esse primeiro me prendeu, não conseguia parar de ler. A importância que Brandon dá aos sentimentos das personagens me impressionou. E as cenas de ação também foram excelentes. Ao contrário de você, a batalha entre Kelsier e o Lord Ruler foi uma das melhores cenas para mim. Ao ler o segundo livro percebi que Brandon ia deixando pistas para os mistérios do primeiro livro. E continua a nos prender na trama. O terceiro livro…esse livro merece destaque. Tinha cenas que eu parava de ler só pra pensar comigo mesmo no que tinha acontecido, e voltava para reler. E o final da trilogia realmente nos faz pensar….sinceramente, ao terminar de ler essa série eu só conseguia pensar que era o melhor livro que eu já tinha lido. Não gosto muito de comparar livros, mas essa série realmente está entre uma das melhores que já li. Com certeza vou ler seus outros livros, já li Elantris, e também me impressionou. Pode ler os outros livros sem receio, vão te proporcionar bons momentos de leitura, até melhores do que você teve nesse primeiro livro…

    • Cassy disse:

      Olá, Thiago. Pois é, Kelsier x Lord Ruler, o que me deixou chateada foi a forma como terminou o confronto. Foi surpreendente, sem dúvida, mas fiquei tão chocada que pensei muito se continuaria a ler. Ainda bem que continuei, Brandon faz um excelente trabalho e mostra como Kelsier continua tendo uma importância grande no livro. É sem dúvida um dos melhores livros que li neste ano e fico aliviada em saber que os demais são igualmente bons.

  4. Rodrigo Ribeiro disse:

    Ótima resenha Cassy.
    Li a série recentemente e concordo com tudo.
    Espero que curta os demais.🙂

    O universo(cosmere) que Brandon Sanderson criou para seus livros, e o ambicioso plano que ele tem para a série Stormlight Archives são simplesmente incríveis.
    Espero que lance logo o 2º livro.

  5. Adriano Campos disse:

    Otima resenha , aumentou ainda mais a minha vontade de ler o livro .🙂

  6. Olá Cassiana,

    grande comentário, espero que venha a ser publicado em portugal, fico a torcer🙂

    Bjs

  7. Fillodok disse:

    Então, curti o blog, uma dúvida, os títulos dos livros em inglês são os q não foram publicados em Português ou que não foram publicados no Brasil?

  8. Fillodok disse:

    Bom, vai em inglês então.
    Obrigado.

    • Cassy disse:

      Fillodok, a editora leya deve lançar o livro ainda neste ano. Não há uma data específica ainda. Perdoe-me por nao mencionar isso nesta resenha, pois eu já tinha feito uma artigo falando sobre a aquisição dos direitos da série pela editora brasileira =P

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  14. Fábio disse:

    CAssy,

    Primeiramente, parabéns pelo excelente trabalho! Venho acompanhando com muito interesse tudo o que é postado aqui. Muito bom mesmo!!!! Bem, quanto ao B. SAnderson, este sim, é o grande nome da literatura fantástica ao lado de Pat Rothfuss, Scott Lynch, MArk Lawrence, Anthony Ryan… são todos gênios. Eu não sei porque o George Martin é tão venerado. Eu li apenas os dois primeiros livros das Crônicas de gelo e fogo e achei muito, muito mais ou menos. Nada de mais..muito chato até! Eu acho que é mais marketing do que mérito. Os autores que cito tem obras muito mais interessantes. Para saber se não era implicância minha comprei O Cavaleiro dos Sete Reinos! Que porcaria. Li por obrigação. Chatíssimo!!!! Brandon Sanderson já, para Secretário Geral da ONU!!!!!!!! Esse sim ,e fodástico.

    • Cassy disse:

      Olá, Fábio. Sabe que eu até gosto do Martin? rs Talvez porque eu li antes da série da HBO. rs Mesmo assim, concordo com vc há trabalhos tão bons, se não melhores, do que os livros dele e os autores que vc citou provam isso.

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