Resenha: Enemy of God, de Bernard Cornwell

Enemy of GodTítulo: Enemy of God

Autor: Bernard Cornwell

Publicação: 05 de setembro de 1996

Número de páginas: 473 páginas

Editora: Penguin UK

ISBN: 9780140232479

Este artigo refere-se ao segundo livro da trilogia The Warlord Chronicles, conhecida no Brasil como As Crônicas de Artur,do autor britânico Bernard Cornwell.  Para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ler essa fantástica releitura às lendas arturianas, recomendo que leiam antes a resenha dedicada ao primeiro livro, The Winter King, publicado no Brasil sob o título O Rei do Inverno, através deste link: https://dragonmountbooks.wordpress.com/2012/09/02/resenha-the-winter-king-o-rei-do-inverno/.

Tenho plena consciência da quantidade de obras de Bernard Cornwell a serem lidas, mas apenas com dois livros lidos desse aturo, já me considero sua fã. O escritor consegue realmente te envolver de uma forma pouco vista em outros escritores de ficção histórica. Não existe um momento em Enemy of God que seja enfadonho.  Apesar de ter menos cenas de batalhas em relação ao primeiro volume, o livro tem uma narrativa igualmente emocionante.

O enredo deste segundo volume trata principalmente da expansão do cristianismo na Britânia e as conseqüências dessa expansão para os seguidores das chamadas religiões pagãs. As divergências religiosas se misturam às divergências políticas e ameaçam a regência de Artur como protetor de Mordred. Para os cristãos, Artur é o inimigo de Deus porque continua permitindo o culto pagão em território britânico.

Os trechos que demonstram o fanatismo dos cristãos da Idade Média, nem de longe deixa de ser algo do passado histórico do nosso mundo. Ainda é possível ver nos dias de hoje, aqueles que usam a religião para chegar ao poder e angariar cada vez mais seguidores, tão cegos e tão fanáticos quanto esses ditos lideres religiosos. É uma pena saber que nossa sociedade está impregnada desses seres com pensamentos da chamada Idade das Trevas que tanta tristeza e destruição trouxe para o nosso mundo. Sem sombra de dúvidas também significou algum tipo de avanço político, porém, com muito derramamento de sangue e muitas privações aos direitos de cada cidadão. A questão nem é a religião em si, uma vez que no primeiro livro é evidente o quanto a religião antiga também influenciava as decisões políticas e influência até as batalhas. O problema e mesmo o fanatismo de alguns chamados lideres religiosos.

A possibilidade de novas investidas saxônicas ao território britânico é outra preocupação de Artur.  Infelizmente, os planos de Artur acabam atrapalhados pela personagem mais desprezível da trilogia até o momento: Lancelot. Eu já mostrei minha insatisfação a esse “novo” Lancelot. É impossível não odiá-lo. Nem Mordred, que é uma verdadeira peste, consegue ser tão traiçoeiro quanto esse Lancelot. E claro, há suspeitas do comportamento de Lancelot para com uma certa dama, conhecidas por vocês, tenho certeza, e que serão um verdadeiro momento de choque para Artur quando se revelarem verdadeiras. Aliás, são umas das melhores cenas do livro e fazem Artur tomar uma decisão que pode intensificar o conflito político-religioso na Britânia.

Além dos ótimos momentos religiosos, descritos com perfeição por Bernard Cornwell, temos a oportunidade de ler mais sobre lendas celtas. Uma delas diz respeito aos 13 tesouros da Britânia. É uma lenda cheia de divergência quanto a quais seriam esses tesouros exatamente. No primeiro livro, Merlin começa a sua caçada aos 13 tesouros como forma de trazer de volta os velhos deuses. Em O Inimigo de Deus, a busca é por um objeto de enorme poder, uma espécie de caldeirão, que usado da forma incorreta pode liberar, de acordo com Merlin, um grande poder de destruição. Ficou bem evidente que o caldeirão representa o Santo Graal, objeto presente em muitas outras obras sobre o rei Artur.

O autor também nos brinda com a belíssima e trágica história de amor de Tristão e Isolda. Em O Rei do Inverno eu já havia sentido uma raiva imensa do modo super hiper mega diplomático de Artur, de fazer o certo não importa como e a que preço. Porém, quanto ao romance proibido de Tristão e Isolda, Artur se supera na sua própria espécie de fanatismo pela ordem que chega a irritar. Tudo bem, ele seguiu à risca a tal lei, mas não foi ele mesmo que descumpriu um acordo de noivado e se casou com a noiva de outro?

Para terminar, deixo mais uma vez a minha recomendação a esta excelente obra.  Em breve postarei a resenha de Excalibur, livro que fecha a trilogia. Pretendo, com certeza, ler mais livros do Bernard Corwnell e gostaria de saber quais livros dele vocês me indicariam.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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11 respostas para Resenha: Enemy of God, de Bernard Cornwell

  1. Bernard Cornwell é excelente! A leitura flui de forma acachapante nos livros dele.
    Uma coisa que eu reparei é que não importa a série eu sempre torço para o Paganismo contra o Cristianismo. E o único protagonista cristão de um livro dele que eu li era um puta chato!

    As descrições de batalha e dos costumes da época são bem feitos e não jogados na sua cara e ele tão pouco te considera idiota.

    Lancelot… Eu odiei ele desde o começo. Agora não consigo mais pensar no sujeito como um cara maneiro. Pra mim agora ele é um grande dumfiládaputa! O mesmo para traira que fica com ele.

    O Arthur tem seus momentos, mas no geral eu acho ele meio idiota. O primo turrão dele que eu esqueci o nome é muito melhor, e o Derfel então… putz…

    Mas o caldo ainda vai entornar mais. Espera só em Excalibur…

    • Cassy disse:

      Vou ficar feliz se o Lancelot tiver uma morte lenta e bem dolorosa rsrsrsrsrs

      O primo do Artur é ótimo, adore a cena dele na coroação de Mordred. O nome é Culhwch ou algo assim; essa escrita galesa é muito difícil rsrsrs

  2. Melissa disse:

    Eu AMO essa série. Acho que ela é arturianamente perfeita. Adoro o como o Arthur é retratado: essa mania de ordem e honra chegando a ser um defeito. Eu gosto disso, dá um senso de humanidade pro cara.

    Quanto a Tristão e Isolda. Putz grila, eu chorei horrores com esses dois. Inclusive nunca li ou vi uma versão tão linda em tão poucas palavras. É simplesmente de cortar o coração.

    Eu comecei a ler essa série ao contrário: Li primeiro “Excalibur” (eu achava que era um livro único), depois li “O Rei do Inverno” e só depois li “O Inimigo de Deus”. É difícil dizer qual deles gosto mais, mas com certeza esse segundo volume é emblemático: tem cenas fortes de gente muito, mas muito louca. E concordo com você: fanatismo religioso é algo super presente na nossa sociedade. A única diferença é que por enquanto ninguém está fazendo fogueiras.

  3. Ois Cassiana,

    Como já falei li vários livros do Cornwell e acaba por ser sempre mais ou menos o mesmo estilo. Rigoroso com os fatores históricos muito bom, boas descrições de combates (tem de haver sempre) e um bom ritmo de leitura. Por encontrar quase sempre o mesmo padrão nos seus livros é que não arrisco muito comprar muitos mais livros seus. Mas é dos melhores escritores a nível de romance histórico, isso é inegável.

    Mas esta saga ainda quero ler, sem duvida e a saga que mais gosto dele é mesmo a saga Saxónica, muito boa😉

    Bjs e fico aguardando o balanço final à trilogia que já ouvi dizer ser o seu melhor trabalho🙂

    • Cassy disse:

      Entendi. É meio difícil para um autor de ficção histórica (aqui romance histórico é voltado para o lado erótico rsrsrs ou algo mais romantizado, estilo Philippa Gregory) fugir de um mesmo padrão, pois ele tem que se ater aos fatos históricos e não pode inventar muito. É algo próprio do gênero. Assim que eu terminar a saga de Arthur, vou ler as Crônicas Saxônicas, a série contém mais livros e ficará mais fácil definir o estilo do autor.

  4. alanaffreitas disse:

    Passando aqui 3 anos depois da postagem inicial e quatro anos depois de ler o livro. (Pretendo relê-lo, Derfel é meu protagonista preferido. O livro deveria se chamar “As Crônicas de Derfel”, hahah) Faço minhas as palavras da Melissa: “Quanto a Tristão e Isolda. Putz grila, eu chorei horrores com esses dois. Inclusive nunca li ou vi uma versão tão linda em tão poucas palavras. É simplesmente de cortar o coração.” Sem contar que nunca vi uma Guinevere tão bem retratada e tão poderosa quanto a de Cornwell!

    • Cassy Teodoro disse:

      Olá, Alana! Concordo plenamente com você sobre o nome do livro. rsrs Derfel é ótimo e um dos meus personagens preferidos. Sabe que nunca gostei muito da passagem do Tristão e da Isolda? Sempre achei tudo muito exagerado e melodramático demais, mas o Cornwell realmente soube dar valor à história do casal com a medida certa das emoções. Quanto à Guinevere também nunca tinha visto uma retratação tão bem feito e muito bem contextualizada. E não posso deixar de falar do Lancelot, que é uma peste! rsrs E apesar de destruir o Lancelot de muitos leitores, teve um cuidado bem interessante por parte do Cornwell, embora alguns achem que ele (o Cornwell) criou esse Lancelot porque ele não gosta de franceses. rsrs

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