Resenha: Duna, de Frank Herbert

Duna capa brasileiraTítulo: Duna

Título Original: Dune

Autor: Frank Herbert

Publicação: 1965, Estados Unidos; 1984 e 2010, Brasil

Número de páginas: 544 páginas

Editora: Aleph

ISBN: 9788576571018

A vida do jovem Paul Atreides está prestes a mudar radicalmente. Após a visita de uma mulher misteriosa, ele é obrigado a deixar seu planeta natal para sobreviver ao ambiente árido e severo de Arrakis, o ‘Planeta Deserto’. Envolvido numa intrincada teia política e religiosa, Paul divide-se entre as obrigações de herdeiro e seu treinamento nas doutrinas secretas de uma antiga irmandade, que vê nele a esperança de realização de um plano urdido há séculos. Ecos de profecias ancestrais também o cercam entre os nativos de Arrakis. Seria ele o eleito que tornaria viáveis seus sonhos e planos ocultos?

Duna é o primeiro livro da série original escrita por Frank Herbert e publicada nos Estados Unidos entre os anos de 1965 a 1985. No Brasil, o livro foi lançado pela primeira vez no ano de 1984 pela editora Nova Fronteira, que também publicou os demais livros da série. Atualmente, a saga está sendo relançada no Brasil pela editora Aleph.

O livro me havia sido recomendado por dois amigos há algum tempo, inclusive em um dos comentários aqui no blog. Somente há um mês pude começar a ler o livro, pois Duna fez parte da leitura conjunta de um dos grupos literários do qual participo. Terminei o livro no começo deste mês de abril e gostei muito. Tentei evitar criar uma grande expectativa acerca da obra, afinal, Duna é considerado um dos melhores livros de ficção científica, tendo sido recentemente eleito o melhor do gênero do século XX.

Tentei começar a leitura sem muitas esperanças em cima do livro. Principalmente, após ler e ter certo desapontamento com uma FC escrita por outro autor. De início, imaginei que teria outra decepção, a leitura não começou me agradando muito.

Para ser honesta, eu imagina algo completamente diferente do que li. Para mim Duna seria cheio de questões voltadas para tecnologia, máquinas, robôs, aliens ou coisas do tipo. Frank Herbert surpreende colocando uma trama valorizando em todos os seus aspectos o ser humano. A minha decepção não está nessa abordagem, está mesmo na forma de narrativa do autor. Não é nada complexo, mas o começo do livro é um pouco mais lento do que eu esperava. A escrita não é ruim, mas a leitura da primeira parte do livro, que é dividido em três, custou a me deixar empolgada.

A leitura flui muito melhor a partir do momento em que a narrativa se concentra no protagonista Paul Atreides e é desenvolvida uma abordagem a questões culturais e filosóficas, através da cultura dos Fremen, povo que ajuda Paul e sua mãe em determinado momento da trama e para o qual Paul representa um importante ser lendário. A primeira parte a partir de ótimos trechos com Paul ganha mais dinamismo.

Somente, após o final da leitura, consegui ter uma compreensão da intenção do autor. A narrativa passa bem o sentimento das personagens, não só por ser feita pelos pontos de vistas de cada um deles, mas também porque a parte inicial é cheia de uma tensão enorme para a família Atreides.

A trama se desenvolve sob dois focos, a destruição da família Atreides pela família Harkonnen , visando o controle da extração da especiaria melange no planeta Arrakis, conhecido como Duna, e o surgimento do Kwisatz Haderach, ser lendário, que também é o Lisan AL-Gaib do povo Fremen (ou pode ser). Através desses dois focos, somos levados a uma possível guerra, que povo causar muitas conseqüências graves para o desolado planeta Arrakis, algo que Paul Atreides tenta evitar a todo custo, unindo forças com os Fremen e ao mesmo tempo vingando a morte de seu pai e tornando-se um verdadeiro mito entre o povo do deserto.

Acredito que durante a leitura, muitos de vocês vão perceber que a trama é parecidíssima com o certo acontecimento da parte de nossa história, após a segunda guerra mundial e começo da Guerra Fria.  Os Fremen que vivem no planeta desértico Duna são uma cópia exata do povo árabe, inlcusive em muitos dos seus costumes. O Império e as Casas Atreides, Harkonnen, além de outras, lembram muito a potências européias e os Estados Unidos. Tudo que pensam é no controle da extração da riqueza de Arrakis e nunca em melhorar as condições do povo Fremen. Exatamente, como aconteceu e, infelizmente, ainda acontece na política externa do nosso próprio mundo. Realmente é uma retratação triste, no qual só se compreende quando uma pessoa importante como Paul acaba tendo que conviver com os Fremen e sente na pele o que é viver no deserto. E também que a maior riqueza não é a especiaria, mas o bem que mais precisamos na vida: a água.

Duna é com certeza uma das melhores obras já escrita em toda a literatura mundial. E é muito triste saber o quanto atual a obra é, mesmo depois de mais de 30 anos de sua publicação, ao mostrar o que realmente vale para as grandes potencias mundiais, o valor que se dá a um bem e o quanto se exploram os recursos naturais sem pensar no futuro e nas próximas gerações. Anos atrás foram o ouro e as pedras preciosas os bens mais valorizados, hoje é o petróleo, quando a verdadeira valorização deveria ser do bem mais precioso para todos nós: a vida.

Livro recomendadíssimo.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
Esse post foi publicado em Fantasia e Ficção Científica, Resenhas, Romance e marcado , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

12 respostas para Resenha: Duna, de Frank Herbert

  1. Eu li um pedaço do livro uma vez, mas não fui muito longe na época. Minhas maiores lembranças de Duna são daquele filme estranho e antigão lá.

    Tenho querido ler o livro a sério, mas ainda não pude. Eu imaginei que o livro seria mesmo muito mais lento e diferente do que esperava. O que me mata é o precinho meio salgado que a Aleph tem cobrado pela edição. E como minha vontade é limitada, eu acabo por deixar sempre pra depois.

    • Cassy disse:

      Eu assisti ao filme, Heitor. Hahaha!!! É tão estranho que se torna épico. Coisas de David Lynch, que é um loucão rsrsrs Queria a versão estendida que saiu há pouco tempo, mas está esgotada😦

      O preço do livro é um oceano de salgado!!! Mas vale a pena. E a capa atual é muito linda!!!

  2. Franz Brehme disse:

    Já percebeu como há muito das Bene Gesserit nas Aes Sedai e dos Fremen nos Aiel, p.ex.?
    Mesmo os waygates e tal… a especiairia e afins… O Robert Jordan era foda.😛

    • Cassy disse:

      Sim, Franz. Percebi isso. RJ é/era demais, criou algo completamente diferente e em muitos aspectos tão bom (ou até melhor) do que o Frank Herbert. Vc já leu a saga Duna toda?

  3. Melissa disse:

    Eu suspeito que eu vá gostar muito desse livro. rs

    Então, ao contrário do que muitas pessoas pensam, ficção científica trata mais do nosso presente do que do futuro. É o nosso presente levado às últimas consequências, não é uma piração sem sentido.

    • Cassy disse:

      Acho que vai mesmo, Melissa. Eu imaginei mesmo a piração sem sentido, algo super Space Opera e me deparei com um relato muito bem feito do que acontece na sociedade contemporânea. Fora as questões existenciais, filosóficas e culturais muito bem descritas.

  4. Heitor lucas disse:

    Li duna faz uns 15 dias e super recomendo o livro, pois alem de ter um enredo unico é cheio de intrigas e misterios, e politicamente falando é formidavel.

  5. shaftiel disse:

    Ah, é até um pecado, mas apesar de ter visto o filme da década de oitenta e a série recente, nunca li o livro. Está na minha fila há anos, mas não sei pq, fico protelando.

    • Cassy disse:

      Tudo tem o momento certo, shaftiel rsrs Eu assisti o filme duas vezes durante a leitura do livro. A minissérie eu assisti a 1ª parte no You Tube. A minissérie ficou mais fiel ao livro, claro, por uma questão de tempo e tudo o mais que no filme não foi possível ser feito, mas prefiro o filme, mesmo com toda a produção bizarra rsrsrs E vamos falar a verdade, o Paul Atreides do filme é muito mais estiloso rsrsrs

  6. eu vou comprar 2 volumes mês que vem da editora Aleph
    Duna eu li pela 1 vez quando eu tinha 16 anos de idade
    a mãe da minha namorada me emprestou na época com aquela capa da editora Nova Fronteira
    Ps Mais agora vou ler uma edição que é minha
    há são 6 volumes no total
    pois já sairam 1 2 e 3
    sua resenha ficou demais

    • Cassy Teodoro disse:

      Olá, Claudio! Que bom que gostou da resenha. A edição da Aleph é muito boa. Ah, sim, são 06 livros, era para eu ter falado disso em outro post, mas acabei não fazendo.

      Recomendo o filme do David Lynch também. É um clássico.

      Abs e volte sempre!

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