Resenha: Excalibur, de Bernard Cornwell

Excalibur capaTítulo: Excalibur

Autor: Bernard Cornwell

Publicação: 02 de outubro de 1997

Número de páginas: 480 páginas

Editora: Penguin Books

ISBN: 9780140232875

Excalibur fecha a trilogia arturiana Warlord Chronicles, conhecida no Brasil como As Crônicas de Artur. É um trilogia que não pode faltar na estante dos fãs de ficção histórica, muito menos dos fãs das lendas arturianas.  Nesse último volume, a trama narra um confronto decisivo entre britânicos e saxões, e o papel do cristianismo no conflito. Também vemos o quanto o fanatismo religioso é capaz de trazer conseqüências sérias, independente da religião ou crença.

O livro tem uma narrativa bem mais fraca do que a dos livros anteriores, mas ainda é uma excelente obra. A aura de finalização é bem triste de se ler e os capítulos finais, que narram a inevitável queda do maior guerreiro britânico, são bem tensos. 

O que eu gostei, além das ótimas cenas de batalha sempre bem narradas por Cornwell, foi a redenção de Guinevere. Admito que quase senti algum sentimento favorável pela moça, que se mostrou uma excelente guerreira e ótima estrategista. Já Lancelot, cuja personalidade é bem diferente daquela que estávamos acostumados em outros contos de Artur, recebeu enfim um destino bem conveniente. Mas Mordred foi quem mais me surpreendeu. O rei britânico mostrou um lado guerreiro e astuto e Bernard Cornwell desenvolveu muito bem o embate Mordred x Artur.

Derfel finalmente revela o motivo de ter se tornado cristão. Era o que mais me intrigava na trilogia, ver Derfel referir a se mesmo como uma espécie de sacerdote cristão, mas em suas narração testemunhar a sua devoção a um deus considerado pagão. E é muito decepcionante abandonar a sua crença por causa do fanatismo e se dedicar a outra igualmente liderada por fanáticos. Aliás, o lado religioso da trilogia é muito bem descrito por Cornwell, que em nenhum momento desrespeita as religiões citadas e nos dá um ótimo vislumbre da história religiosa da Inglaterra, sem fazer qualquer menção de qual religião teria razão ou não.

Capas da edição brasileira da trilogia

Capas da edição brasileira da trilogia

Durante toda a trilogia, Derfel desmistificou muitas das lendas que envolviam a vida de Artur e muitos dos mitos que cercam as lendas arturianas foram bem colocadas como mitos celtas, incluindo a espada Excalibur. Essa junção entre história e ficção foi muito bem explorada por Cornwell, que conseguiu inserir os contos arturianos no período histórico da Idade Média de uma forma bem coerente. O autor teve o cuidado de esclarecer ao leitor, em notas históricas no final do livro, quais foram as fontes usadas por ele na elaboração da trilogia e quais foram as parte onde a ficção foi o ponto forte da trama. O que faz d’As Crônicas de Artur um dos melhores contos arturianos já escritos.

Recomendo, mas deixo aviso que muito do que vocês conhecem das lendas do universo arturiano foram totalmente desconstruídas para algo mais real, portanto, menos fantasioso, e isso pode não agradar a todos.

.:.Abraços e até a próxima.:.

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Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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5 respostas para Resenha: Excalibur, de Bernard Cornwell

  1. Shaftiel disse:

    é um dos meus livros prediletos.
    aliás, toda a série é muito boa.
    o modo como a religião é tratada, personagens como Derfel e Merlin e as batalhas chamam a atenção demais para essa trilogia sensacional.

    • Cassy disse:

      Concordo, Shaftiel. É uma das melhores versões do conto de Artur que eu li. Agora é partir para as crônicas saxônicas 😀

      • Bruno "Sirius" disse:

        Não vai se decepcionar. As Crônicas Saxonicas são livros muito bons, muito mesmo.

        Acho que fica empatado na segunda posição entre as series do Bernard Cornwell.

  2. Gosto muito do escritor, mas como já referi esta trilogia nunca li, mas ainda conto ler um dia, embora já tenha lido várias coisas sobre Artur.

    Pelo que sei é dos melhores livros do Cornwell, a ver se se confirma 😀

    • Cassy disse:

      Pois é, preferi conhecer o estilo do Cornwell através de uma lenda que adoro. Apesar de ter lido outros contos do Artur (e ter visto alguns desenhos, filmes e séries de TV tb), essa trilogia é algo magnífico, inteiramente diferente. Leia sim, vc vai gostar. Só não me lembro como a trilogia é chamada aí em Portugal, acho que é Crônicas do Senhor da Guerra 😛

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