Resenha: The Casual Vacancy, de J. K. Rowling

The Casual VacancyTítulo: The Casual Vacancy

Autora: J. K. Rowling

Publicação: 27 de setembro de 2012

Número de páginas: 502 páginas

Editora: Hachette Digital

ISBN: 9781405519229

Quando Barry FairBrother morre inesperadamente aos quarenta e poucos anos, a pequena cidade de Pagford fica em estado de choque.

A aparência idílica do vilarejo, com uma praça de paralelepípedos e uma antiga abadia, esconde uma guerra.
Ricos em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais, esposas em guerra com os maridos, professores em guerra com os alunos… Pagford não é o que parece ser à primeira vista.

A vaga deixada por Barry no conselho da paróquia logo se torna o catalisador para a maior guerra já vivida pelo vilarejo. Quem triunfará em uma eleição repleta de paixão, ambivalência e revelações inesperadas? Com muito humor negro, instigante e constantemente surpreendente, Morte Súbita é o primeiro livro para adultos de J.K. Rowling, autora de mais de 450 milhões de exemplares vendidos. (Sinopse da edição brasileira)

Olá, pessoal! Finalmente posto para vocês o primeiro (e aclamado pela crítica) livro para adulto da escritora britânica J. K. Rowling, The Casual Vacancy, lançado aqui no Brasil sob o título Morte Súbita pela editora Nova Fronteira, depois de muita reclamação dos fãs sobre a escolha do título.

The Casual Vacancy foi meu primeiro contato com a escritora. Eu não li a série Harry Potter e não fazia ideia de como era o estilo da autora e nem do que esperar. O livro é um best-seller e não sem razão. J. K. Rowling é uma escritora de primeira linha e pude testemunhar isso a cada página virada. Uma pena que não do modo agradável.

Eu não sabia o que esperar, mas não esperava pelo que eu li. Não, o livro não é ruim, muito pelo contrário, mas como diz um apresentador da nossa TV, cada página é um tapa na cara do leitor. A trama é de uma realismo, que faz parar para pensar se estamos lendo mesmo uma obra de ficção. Não é um livro para entretenimento. Não é para ser divertido e te levar para um mundo cheio de aventuras e mistérios e tudo acabar bem no final. É uma obra que te traz de volta para a realidade do que acontece no nosso mundo real, na casa do vizinho ou na sua própria família.

A trama acontece na fictícia cidadezinha de Pagford, na Inglaterra e lá, através da morte do Conselheiro Barry Fairbrother, a autora apresenta os problemas da cidade, que são na realidade os problemas enfrentados em muitas cidades do nosso mundo, seja qual tamanho for, e que acabam sendo ignorados por quem tem o dever de agir e ajudar a população. A negligência dos governantes para com a sociedade é o principal tema da trama e ao mesmo tempo em que vemos a disputa pelo cargo de Barry, vemos o quanto muitos estão despreparados para assumir cargos de importância na sociedade e colocam objetivos de natureza pessoal em suas campanhas, quando deveriam estar pensando na coletividade.

A situação de Barry, que representa tudo de bom no livro, a honestidade, esperança, amor pelo próximo, representa a morte do que há de honrado na política. Ou pelo menos essa é a impressão que a autora passa. A campanha pela substituição de Barry acaba sendo a forma para a autora mostrar as verdadeiras intenções de cada Conselheiro.

A trama também gira em torno de algumas personagens e seus dramas pessoais, não necessariamente ligadas à eleição do novo Conselheiro. Aliás, pessoal, estou usando a expressão Conselheiro por falta de um termo melhor. A representação política na Inglaterra em cidades pequenas é muito diferente da nossa, portanto usar a palavra Vereador não seria o certo, uma vez que já existe esse cargo e não é da forma apresentada pela autora no livro. Se alguém souber um termo mais adequado, por favor, deixe nos comentários e eu farei a correção.

A trama trata de assuntos bastante atuais, além da corrupção política, temos o problema com o combate às drogas, um verdadeiro drama social, que mostra como a sociedade ainda está despreparada para enfrentar o problema. A política anti-drogas é muito retratada no livro e nos joga na cara a falha da atual política anti-drogas adotada em diversos países, mas sem resultados satisfatórios e efetivos.

A falência da instituição familiar também é outro tema tratado no livro e de uma forma que assusta. Temos diversos núcleos familiares apresentados. Em diversas situações, desde famílias mais tradicionais locais até famílias de classe média alta e de classe média baixa. E em todos os casos a família se apresenta defasada, os membros não se suportam e fazem um esforço para se aturarem. A única família ainda unida e aparentemente bem estrutura é a família de Barry Fairbrother, que após a sua morte se uniu ainda mais.

O livro retrata ainda a violência doméstica e o bullying, duas pragas sociais difíceis de serem extirpadas da nossa sociedade juntamente com a corrupção. Acima de tudo, The Casual Vacancy fala da nossa falha em notar o que está bem a nossa frente, do nosso conformismo ao enfrentarmos determinadas situações, de como cada pessoa, por mais boazinha que pareça, esconde grandes e terríveis segredos. Enfim, o livro fala sobre a vida como ela é, a faceta real do ser humano ganancioso e que não se importa com os outros, embora use a coletividade e o bem comum como desculpa para legitimar sua sórdidas ações. Como eu disse, não é uma leitura divertida. É uma volta ao mundo real. Uma volta triste. E infelizmente, é como boa parte das pessoas do nosso mundo real agem.

Recomendo para quem gosta desse tipo de romance ou para os fãs da autora.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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2 respostas para Resenha: The Casual Vacancy, de J. K. Rowling

  1. Nossa achava que era um livro do clubinho do politicamente correto. Gostei da resenha, acho que vou ler ele sim.

    • Cassy disse:

      Eu tb pensei isso, mas a J. K. Rowling é cruel em muitas partes do livro. Confesso que algumas partes achei meio chatinhas, mas no geral é um livro muito bom para quem gosta desse tipo de literatura mais realista.

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