Resenha: The Blade Itself, de Joe Abercrombie

TheBladeItselfTítulo: The Blade Itself

Autor: Joe Abercrombie

Publicação: 04 de maio de 2006, Reino Unido; 30 de setembro de 2007, EUA

Número de páginas: 531 páginas

Editora: Pyr

ISBN: 9781591025948

Lançado no mês de julho no Brasil sob o título O Poder da Espada, The Blade Itself é o primeiro livro da trilogia The First Law, do escritor britânico Joe Abercrombie. A trilogia chegou aqui pela editora Arqueiro, que resolveu seguir o exemplo da editora portuguesa e nomear a série de A Primeira Lei, tradução literal do nome original. Em Portugal, o livro recebeu o título de A Lâmina e foi publicado pela editora 1001 Mundos.

The Blade Itself é a primeira obra do autor e teve uma recepção positiva nos mercados editoriais britânico e americano. The First Law é considerada uma das melhores séries do gênero fantástico moderno e Joe Abercrombie um dos principais nomes do gênero na atualidade, figurando nas principais listas de blogs e sites especializados, além de listas feitas pelos leitores e fãs de fantasia nas principais redes sociais.  Joe escreveu ainda três romances standalone, cujas críticas foram altamente positivas e aumentaram o prestígio do autor no meio fantástico. São eles: Best Served Cold, The Heroes e Red Country. Infelizmente, ainda não há previsão dos lançamentos desses outros trabalhos de Joe no Brasil. Enquanto os dois livros restantes d’A Primeira Lei têm previsão para janeiro e julho de 2014.

Que fique claro: estou passando informações referentes ao que o gênero fantástico é hoje, ou seja, referentes à fantasia moderna. Não estou desmerecendo os autores precursores de Abercrombie e de outros autores de Dark Fantasy atuais. Vamos deixar isso bem claro, antes que aconteça um festival de comentários de fãs revoltados e ofendidos. Tenham em mente que ofender fãs de outros autores ou desmerecer clássicos não é o meu objetivo aqui. Com o tempo, postarei minhas opiniões sobre as obras dos autores mais clássicos do gênero, não se preocupem. Não estou esquecendo de ninguém e anoto todas as dicas deixadas por vocês.

Falando de The Blade Itself/O Poder da Espada em s: o plot do livro gira em torno de uma iminente guerra declarada pelo autodenominado Rei dos Homens do Norte (no texto King of the Northmen, não sei como ficou na tradução) contra o reino conhecido como The Union. Ao mesmo tempo rumores de conflitos no Império Gurkhul, localizado na parte sul, ameaçam a estabilidade do reino e criam mais tensão.  A trama também debate uma questão referente à Primeira e à Segunda Lei. Ao meu ver e pelo que foi apresentado pelo autor, são leis seculares e sagradas, ligado a algo fora das questões políticas da trama, provavelmente algo mais bem explorado no demais livros da trilogia.

Uma coisa que não gostei muito foi a ausência de um mapa no livro. Talvez o Joe não ache importante e não nos queira ver distraídos da sua narrativa, mas um mapa ajuda a localizar pontos de interesse da trama e nos familiarizarmos com o mundo criado pelo autor. É a minha opinião, claro. Eu gosto de ver mapas, e embora seja algo mais recente na minha forma de ler, me ajudou a compreender muitos esquemas em outros livros e séries. Eu senti falta, por ser um hábito meu observar os mapas durante minha leitura.

Quanto ao estilo e forma de escrita do autor, eu adorei. Embora, Joe escreva sobre um tema já explorado por diversos autores (guerras, intrigas, conspirações, inquisição) é notável como ele consegue apresentar de forma excelente um novo ponto de vista para o tema. Contudo, não dá para deixar de perceber na própria trama e no seu desenvolvimento, uma certa semelhança com outras obras do gênero fantástico. Mesmo assim, Joe consegue deixar a sua marca no gênero e de uma forma brilhante.

Outra coisa que gostei foi o fato do texto ser limpo. Quero dizer, quando percebemos que uma personagem fala em outro idioma, não há no texto expressões de uma língua inventada pelo autor. Assim, a leitura flui mais rápido. A linguagem do enredo também é muito boa, há claro expressões de xingamento, mas não há apelação excessiva com linguagem vulgar, mesmo nos momentos mais tensos e mais violentos vê-se que foram colocados em um contexto e não de forma gratuita e apelativa.

Quanto às personagens, dizer que são incríveis e bem desenvolvidas é pouco. Como não gostar do selvagem, mas mais sensível do que qualquer ser civilizado Logen Ninefingers ou do sarcástico e irônico Inquisidor Glokta? São as minhas personagens favoritas. E tenho certeza que será (ou já deve ser) de muitos de vocês. São através dos pontos de vista deles que o autor nos apresenta boa parte da estória. Temos também os pontos de vistas do Capitão Jezal dan Luther, que é uma personagem que não começou me agradando muito, mas até simpatizo com ele. E temos também Ferro Maljinn, uma personagem que divide a minha atenção com Jezal e que fui gostando aos poucos. Essas são as personagens, cujos pontos de vista mais aparecem na trama. Existem outros, o Major West, por exemplo, de quem eu também gosto, mas não chega a ser o meu favorito.

Por fim, deixa a minha recomendação. Como eu disse, o Joe Abercrombie explora questões políticas sob uma ótica diferenciada e fica claro que a iminente guerra é apenas o terreno para que o autor nos mostre os dramas pessoas de cada envolvido na trama. Eu estou ansiosa para ler o segundo livro e explorar mais desse mundo do Abercrombie.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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17 respostas para Resenha: The Blade Itself, de Joe Abercrombie

  1. Cassy disse:

    Sem dúvida é uma trilogia que promete. E quero muito ler os outros livros dele.

  2. Terminei de ler hoje e gostei, apesar do ritmo durante boa parte do livro ser meio lento. A história é interessante e os personagens, tirando algumas exceções(Jezal Dan Luthar estou falando com você) são legais e bem construidos, como vc disse é interessante ver o olhar de Logen sobre a “civilização” :

    “Mas a civilização era assim pelo o que Logen podia ver. Pessoas que não tinham coisa melhor a fazer inventavam formas de tornar difíceis as coisas faceis”

    Tirando o capitão Luthar que, em cada capitulo eu torcia pra que ele caísse de algum precipício ou que fosse encontrado “desfigurado boiando no cais” como diria Glokta, eu gostei de todos os personagens.

    • Cassy disse:

      ***ALERTA SPOILERS***:

      O Jezal é o playboy da trama. Sujeitinho chato. Não sei vc, Eduardo, mas achei aquele abraço no Rei qualquer coisa que me deixou com algumas suspeitas sobre Jezal. Chego a pensar que o rei não está tão caduco e não foi uma mera confusão da parte dele, achar que Jezal era um dos filhos dele.

      Logen é divo!!! A cena dele na cidade de Adua pela primeira vez (espero ter escrito o nome certo, não estou com o meu livro no momento rsrs) foi uma das melhores do livro.

      E o Glokta (outro divo!!) me rendeu boas risadas com seus pensamentos irônicos.

      ***FIM DOS SPOILERS***

      Vou começar o segundo livro neste fds.

      • Spoilers Abaixo!

        Meu deus Cassy, tomara que tu estejas errada, ja não suportava o cara quando ele era só um nobrezinho, imagina se ele for o filho à muito perdido do rei? Mas concordo que tem algo estranho sobre ele, principalmente se contarmos o interesse do Bayaz nele, e tem uma passagem no livro, quando o pai dele se encontra com o Bayaz que me deixou com algumas duvidas.

        FIm dos Spoilers!

        Eu devo começar o segundo esse fds tb🙂

      • Cassy disse:

        Hahaha!!! Tomara mesmo, pois o cara vai ficar insuportável. Foi por causa do Bayaz mesmo (esqueci de citar isso) que minhas suspeitas aumentaram. Vamos ver.

        Ótimo saber que terei alguém para ir comentando o segundo livro.

  3. shaftiel disse:

    Uma das melhores séries que já li. Mas o meu predileto dos livros do autor ainda é The Heroes.

  4. Esse livro parece ser bem massa mesmo, parece ser do estilo que eu gosto. Vou ler com certeza.

  5. Zohar disse:

    Como eu te disse, vc vai adorar a trilogia😉. O Abercrombie subverte todos os clichês utilizados na fantasia heróica para surpreender a todo momento. Tb senti falta de um mapa, mas usei um mapa feito por um fã pra ter uma idéia da geografia do mundo. Ficou muito bom: http://aidanmoher.com/blog/wp-content/uploads/2011/03/Map_First_Law_v2_by_Scubamarco.jpeg

  6. Ois Cassy,

    Gostei de ler o teu comentário e posso dizer que o segundo livro melhora em relação a este e em especial o personagem Logen, vai ficar bem legal.

    Quero ver depois o teu comentário ao livro😀

    Por cá ainda não ouvi nada sobre a publicação do 3º volume e já passou algum tempo após a publicação do 2 (A Forca) que é a mesma Editora que publica o Peter V. Brett que segundo parece já tem o 3º volume quase a sair. Espero que não seja por falta de vendas que este escritor de facto não engana, alias o Canada tem escritores bem legais como o Guy Gavriel Kay

    Bjs e boas leituras

    • Cassy disse:

      Que bom que gostou, amigo Corvo. Já estou no segundo e pelo visto em breve tem resenha.

      Aqui no Brasil a editora já programou o lançamento da trilogia, o último deve sair somente em julho do ano que vem, as publicações serão a cada seis meses. Espero que tenhamos os demais livros do autor por aqui tb.

  7. Parece que a editora tá fazendo de tudo mesmo pra vender. Vi no submarino por R$19,95. Melhor pra nós. Aqui o link pra quem se interessar:
    http://www.submarino.com.br/produto/113981491/livro-o-poder-da-espada-a-primeira-lei-livro-1

  8. Pingback: Os 100 Melhores Livros de Fantasia de Todos os Tempos | D R A G O N M O U N T B O O K S

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