Resenha: A Memory of Light, de Robert Jordan & Brandon Sanderson

A Memory of Light capaTítulo: A Memory of Light

Autores: Robert Jordan & Brandon Sanderson

Publicação: 08 de janeiro de 2013

Número de páginas: 909 páginas

Editora: Tor Books

ISBN: 9780765325952

A Memory of Light é o décimo quarto e último livro da aclamada série The Wheel of Time do autor Robert Jordan. O livro põe fim a uma das mais lindas tramas do gênero fantástico já escritas e frequentemente comparada (gostem ou não) ao trabalho do Mestre da Fantasia J. R. R. Tolkien. Comparações a parte, Jordan provou ser muito mais do que um mero seguidor do estilo de Tolkien e The Wheel of Time serve de base para outros autores do estilo desenvolverem as suas próprias obras.

Sabe aquele sentimento de felicidade em ver uma das suas séries preferidas chegar ao fim, mas ao mesmo tempo ficar triste porque ela chegou ao fim? É o que estou sentindo desde que comecei a ler o livro. Não pensei que sentiria de uma forma tão intensa. E eu não sou uma pessoa de fazer dramas a toa, mas terminar WoT deixou um vazio enorme.

O pior é não existir nem o consolo de uma futura publicação no universo da série. Nada de prequel, nem aqueles esperados dois livros que complementariam New Spring, nem uma estória passada na Era das Lendas e nada de uma estoria adicional aos acontecimentos da série contando que fim levaram duas importantes personagens da série.

E ainda pior é o quanto A Memory of Light deixa fatos em aberto. Fatos que dariam excelentes estórias e que nos permitiriam novamente entrar nesse mundo incrível. Fiquei muito curiosa com o destino de personagens que aprendi adorar. Pelo menos, o que serve de consolo é que AMoL encerra a série de modo magistral, como eu esperava, embora eu tenha sido surpreendida em muitas cenas.

Como era de se esperar, o livro é recheado emocionantes e bem descritas cenas de batalha. O Brandon mais uma vez foi excelente e mostrou porque é um dos melhores autores da nova geração de escritores de fantasia épica. Confesso que achei algumas ações um pouco corridas, mas nada que estrague a bela narrativa ou a leitura. Aliás, uma certa correria é até normal em um final de saga, pois os momentos para muitas explicações e muitos detalhes com certeza não é o último livro de uma série.

Eu gostei de ver no livro uma certa coerência de ações. Eu havia citado diversas vezes o plano do Dragão Renascido em unir as nações para o grande e iminente confronto, conhecido como Tarmon Gai’don. E ver realmente todas as nações ali reunidas foi emocionante. Ver também as diversas facções unidas por um mesmo ideal de ajudar o Dragão Renascido a salvar um mundo, depois de tanta desavença e intrigas entre elas, foi épico. É importante falar que o serem aliados, não significa que todas as diferenças estão acertadas, seja em relação às nações, seja em relação às facções de Randland. Isso ficou muito claro em diversos trechos. A importância desse destaque é para mostrar que vocês não terão diante de si um texto com uma mensagem cliché do politicamente correto.  Eu acho que a série nunca teve essa intenção de fato, mesmo com as personagens principais tentando agir de foram correta todo o tempo e ver essa quebra do politicamente correto foi muito interessante e mais uma vez digo, não seria no último livro que o autor faria algo desse tipo com a trama.

Gostei muito do destaque dado a personagens menores. Algumas delas só aparecem neste último livro, enquanto outras apareceram pouco nos livros anteriores. No começo dá a impressão de que são POVs para encher página, porém com o desenrolar da trama, o autor me surpreendeu bastante.

Quanto às personagens principais, não tem como definir as cenas nas quais aparecem sem me repetir. Foi épico! Destaque para uma das melhores personagens da série, que mostrou ser mesmo o melhor espadachim de Randland. Foi a luta que mais me deu arrepios e mais me emocionou.

Sem dúvida o grande destaque e o momento mais esperado é o confronto entre o Dragão e seu antigo adversário Shai’tan. Tenho outra confissão a fazer: no começo do confronto, quando me dei conta de como se desenvolveria, eu fiquei meio desapontada. Entretanto, com o decorrer da leitura e depois de ler diversos POVs mostrando diversos outros confrontos e combates, compreendi que não havia uma maneira mais adequada de mostrar a luta entre dois seres poderosos.

O desfecho do livro é excelente. Se agrada ou não, tenho certeza que vocês terão a oportunidade de ler e tirar as suas próprias conclusões. Posso dizer, e aqui repito outros leitores: é o final que a série merecia.  Torço muito pelo sucesso de A Roda do Tempo aqui no Brasil  e que vocês possam ter um dia a edição brasileira de A Memory of Light em mãos.

Antes de terminar, não posso deixar de indicar a leitura do conto (sim, mais um) River of Souls, publicado na antologia Unfettered. O conto contém cenas cortadas de A Memory of Light. Recomendo muito a leitura. Uma versão em português está no blog Escola de Cairhien. Eu li River of Souls quando eu estava no capítulo 37 de AMoL. Porém, após terminar o citado capítulo, resolvi procurar onde o conto se encaixaria melhor e apesar do texto apresentar eventos anteriores ao capítulo 22 de AMoL, acredito que vale a pena lê-lo depois desse capítulo. Assim, não estraga a surpresa.

E por fim, lembro a vocês um fato importantíssimo: no dia 02 de setembro, será lançada uma nova edição de O Olho do Mundo pela editora Intrínseca. É a nova chance de vermos The Wheel of Time ter o tratamento editorial que merece e repetir o sucesso obtido em outros países. Antes que me xinguem, não posso deixar de mencionar o grande papel da editora Caladwin ao ser a primeira editora brasileira a apostar na série. Apesar de um marketing ruim para uma obra como WoT, foi através da Caladwin que muitos leitores tomaram conhecimento da série. Apesar de nunca ter lido os livros da extinta editora, não posso deixar de reconhecer esse papel para a publicação da série em terras brasileiras. E que dia 02 seja o marco do sucesso de A Roda do Tempo no Brasil. 

Série recomendadíssima.

Observação: Os livros e a franquia da série The Wheel of Time pertencem a © Robert Jordan.

As expressões The Wheel of Time™ and The Dragon Reborn™, e o símbolo com a cobra e a roda são marca registrada de Robert Jordan.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
Esse post foi publicado em Fantasia e Ficção Científica, Resenhas, Romance e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

13 respostas para Resenha: A Memory of Light, de Robert Jordan & Brandon Sanderson

  1. Só tenho duas coisas a escrever sobre AMoL:

    “There are neither Beginings nor endings to the turns of the wheel of time…”

    e

    “We’ll give a yell with a bloody curse,
    And hug the maids, it could be worse,
    As we ride away with the Dark One’s purse,
    To dance with Jak o’ the Shadows!”
    😀

    Stormlight agora Cassy?😛

  2. Thiago de Almeida disse:

    Oi Cassy!
    Sempre leio suas resenhas por aqui, gosto muito dos livros apresentados, e muitos deles eu já li também. Comecei a ler Wheel of Time há um tempo, a edição que lançou aqui no Brasil pela Caladwin, mas continuei em inglês porque não aguentei esperar. Estou atualmente no sétimo livro, A Crown of Swords, e estou gostando bastante, mal posso esperar pra chegar nesse último volume!!

    • Cassy disse:

      Olá, Thiago! Espero não ter “falado” demais rsrs Vc já está na metade, rapidinho vc chega em AMoL. Não esquece de voltar aqui para falar o que vc está achando dos livros, adoro ler os comentários de todos.

  3. Excelente resenha, Cassiana! Excelente!
    Eu estou lendo o Shadow Rising agora e estou bem no início, mas consegui ler sua resenha sem ter problemas com spoilers! Fazer uma resenha sem spoilers, ainda mais do último livro de uma série, não é algo fácil e você conseguiu muito bem, meus parabéns, Cassiana!

    Eu não vejo a hora de continuar lendo e terminar a história… Sei que vou me sentir que nem você, com um vazio… Mas a curiosidade e ansiedade para ler é enorme!
    Eu sei bem como você se sentiu lendo o livro e deu para perceber bem esse seu sentimento na resenha. Eu passei por isso quando terminei de ler o Herdeiras de Duna. Era tão triste saber que não teria mais nada sobre Duna, ainda mais quando o autor morreu tão inesperadamente! (Ok, o filho dele está publicando coisas no universo de Duna, mas são coisas do passado de Duna então, não é a mesma coisa). E de forma parecido com o que você comentou de coisas em aberto, Duna teve isso também. Dava para perceber claramente que o autor estava preparando uma história muito maior u.u

    Voltando a WoT…
    Robert Jordan tem o direito de ser comparado a Tolkien e, na minha opinião, é o único que pode realmente. Ele criou um trabalho maravilhoso, rico e cheio de detalhes de uma forma como poucos sabem fazer… É uma pena saber que não veremos mais nada disso, mas só o fato de termos sido capazes de acompanhar isso tudo até aqui, já é algo maravilhoso!

    E em alguns dias O Olho do Mundo estará invadindo o Brasil! Ótima idéia lembrar disso XDD

    • Cassy disse:

      Obrigada, Renan. Espero que vc se sinta como eu, a parte boa do sentimento, quando terminar série. Duna também é uma série que me deixará um certo vazio, gostei muito do primeiro livro, o único que li até agora.

      E que venha O Olho do Mundo!

      • E que venha a Grande Caçada, Dragão Renascido, Ascensão da Sombra (?)…😀
        Estou muito ansioso por terminar de ler a série. Tenho altas expectativas e até agora RJ conseguiu satisfazer todas elas!!

        Você vai gostar muito de Duna. É diferente de WoT, mas não deixa de ser épico! Frank Herbert foi um visionário cara, os livros dele são muito profundos e cheio de coisas subentendidas.
        Já te deixo avisada, muita coisa você só entende completamente lendo a série toda😄 Tem coisa que você só entende no livro seguinte hauhauahu

  4. Thiago de Almeida disse:

    Olá Cassy!
    Comentei nesse mesmo post, quando estava lendo A Crown of Swords. Acabei de terminar Towers of Midnight e logo começarei o último livro da série. Ler sua resenha só me deixou mais ansioso. Adoro o estilo de escrita do Brandon. Quando terminar de ler volto aqui pra falar o que achei.
    Parabéns pelo blog, sempre acompanho!

    • Cassy disse:

      Olá, Thiago! Volte sim. Espero que vc goste, mas já aviso que o vazio depois de AMoL é duro de aguentar😦

      • Thiago de Almeida disse:

        Acabei de acabar o livro agora e tive que vir aqui comentar. Bem que você avisou, o vazio que deixa é grande mesmo. Depois de tanto tempo, acabou. No entanto, o final foi ótimo, gostei bastante do livro em geral. Espero encontrar outras obras assim. Agora, vou partir pras obras do Brandon Sanderson. Ainda estou um pouco “anestesiado” com o fim da série, mas não demoro a começar outras. rsrs

      • Cassy disse:

        O vazio é grande demais. Eu tb gostei muito do final, mesmo com tanta coisa ter sido deixada sem qualquer esclarecimento para nós leitores. Recomendo muito o Brandon Sanderson. E quando der vai comentando aqui.

        Em alguns grupos de fantasia, vejo muitos fãs de WoT começando a leitura da série Malazan Book of the Fallen e muitos têm adorado o estilo do Steven Erikson.

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