Resenha: Fevre Dream, de George R. R. Martin

Fevre Dream capaTítulo: Fevre Dream

Autor: George R. R. Martin

Publicação: 1982

Número de páginas: 351 páginas

Editora: Bantam Books

ISBN:  9780553900989

Olá, pessoal! Mais uma vez não aguentei esperar a editora resolver se  lança o livro Fevre Dream neste ano e acabei lendo a versão em inglês mesmo. O livro foi lançado em Portugal sob o título Sonho Febril, pela editora Saída de Emergência e ainda não tem data para ser lançado no Brasil, embora a capa (feita pelo maravilhoso Marc Simonetti) tenha sido divulgada pela editora Leya Brasil.

O livro ganhou uma versão em Graphic Novel adaptada pelo escritor Daniel Abraham,com arte de capa de Felipe Massafera e ilustrações de Rafa Lopez.

Fevre Dream é um livro de ficção vampiresca com elementos de terror/horror e excelentes menções a fatos da história norte-americana referentes à metade e ao final do século XIX. É um livro muito bem escrito e desenvolvimento, que proporciona uma leitura bem fluída como é comum nos livros do Martin.

Na trama, Abner Marsh é o dono de uma companhia de barcos a vapor, cuja situação não é das melhores. Abner recebe uma oferta de parceria do aristocrata Joshua York, a qual aceita mesmo tendo algumas desconfianças quanto as intenções de York. Na verdade, Abner vê a parceria como uma chance não só de recuperar a sua companhia, mas também de construir o barco a vapor dos seus sonhos. Com o passar do tempo, Abner não consegue mais manter-se alheio aos segredos do seu parceiro e acaba descobrindo o grande perigo no qual entrou.

A trama tem um bom desenvolvimento e um estilo narrativo que ajuda a leitura fluir bem. As personagens são muito bem construídas e mesmo não sendo tão original, Martin escolheu o cenário perfeito para contar a sua estória vampiresca. Eu gosto de ver como o cenário norte-americano é perfeito para se contar as mais diversas histórias do universo sobrenatural.

Eu não sei se o tradutor da versão portuguesa teve esse cuidado ou se o tradutor brasileiro o terá, mas gostei do Martin ter tido o cuidado de colocar no livro a forma como os negros (escravos ou não) e os operários falam. Não chega a ser um dialeto, é só a transcrição do modo de falar da classe operária americana da época, a sua pronúncia, o uso incorreto das normas gramaticais da língua inglesa. Eu achei de uma genialidade do Martin fazer isso, pois demonstra as condições de vidas das personagens e a qual seguimento da sociedade elas pertencem. Não estou afirmando que o autor levanta bandeira de luta abolicionista ou qualquer outra crítica à estrutura social. Há referências apenas e de acordo com o contexto da trama, porém com a realidade que estamos acostumados a ler nos textos do autor.

A ideia de vampiro do Martin me agradou. O autor soube muito bem dosar os clichés e a sua própria ideia de vampiro, criando uma nova concepção para a criatura dentro da literatura vampiresca. Em Fevre Dream, encontramos as criaturas com velhos hábitos já vistos em outros livros do gênero, porém com alguns deles sendo desmistificados. Martin também faz um interessante correlação entre vampiros e outras criaturas sobrenaturais.

Bem, tenho que admitir, antes de recomendar a leitura, que os fãs mais radicais, aqueles cuja concepção de vampiro tem que ser a criada por Bram Stoker ou pela Anne Rice, não vão gostar de algumas das mudanças do Martin. Não direi quais são, mas caso um fã mais radical queira ler, já está avisado. Eu enquanto fã de Bram Stoker e da diva Anne Rice, cujos livros foram os meus primeiros contatos com ficção vampiresca, não me senti incomodada com essa nova visão de vampiros.

Eu recomendo para quem gosta de fantasia urbana, ficção vampiresca e para quem deseja conhecer mais um trabalho do Martin fora de Westeros.  Mas não esperem muita coisa. Há, como falei a quebra de clichés, porém Martin ainda mantém muito do vampiro tradicional em algumas personagens. E em vários momentos o livro tem aquele estilo mais para o gótico, bem parecido com que se lê em Drácula e em  As Crônicas Vampirescas

Termino o post, deixando os meus mais sinceros votos de muitos anos de vida e muita saúde para o nosso querido Martin, que hoje completa mais um ano de vida.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
Esse post foi publicado em Fantasia e Ficção Científica, Ficção Vampiresca, Resenhas, Romance, Suspense/Terror e marcado , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

10 respostas para Resenha: Fevre Dream, de George R. R. Martin

  1. Um livro que tou bem ansioso pra ler, mas não sabia que era sobre vampiros. Vai se interessante mesmo ver qual é a visão do Martin sobre eles. Talvez a gente tenha sorte da Leya lançar ele depois que ela publicar os 527.399 livros sobre fadinhas e vampirinhos apaixonados e em crise existencial que ainda estão na fila. Rsrs.

  2. Anderson disse:

    Desde que passei a acompanhar as novidades postadas no DragonMountBooks, comecei a almejar ainda mais, livros que tratam de fantasia e afins. Obras como a mencionada Fevre Dream, já fazem parte da minha lista que cresce exponencialmente… é difícil não desejar esses tesouros…. e às vezes, frustrante não tê-los de imediato… de repente, em um insight, me dei conta de algo: As resenhas aqui escritas são na verdade encantamentos místicos capazes de liberar em cada que as lê, a percepção de novos mundos e novas vidas a se experienciar em planos além do físico, desde que o assim iluminado adentre nas palavras dos criadores desses mundos, dessas vidas, rompendo a tênue película que nos aparta dos sonhos… Este blog é de fato, um portal para infinitas terras, que inevitavelmente nos faz proclamar ante um livro, a frase mais famosa da Terra Média: My Precious, my precious! Oh, my precious! (Gollum).
    Além disso, preciso estudar inglês para ler os demais títulos… ih… tô lendo esse blog demais… rs

  3. Ois Cassy,

    Já li o Drácula do Stoker e embora tenha um inicio muito bom depois e sem se perceber muito bem como Drácula pura e simplesmente sai de cena, não digo que não seja interessante mas para um inicio tão prometedor, não custei tanto do final, mas é um livro magnifico sem dúvida.

    Quanto a este livro, é dos melhores livros sobre vampiros que já li, gostei imenso do Historiador (não sei se conheces) e penso que mostra que o escritor é versátil, pois como sabes tambem escreve muita FC (tenho para ler mais ainda não li), logo estou contigo só posso recomendar este livro, grandes personagens, enredo bem conseguido, sempre com suspense, adorei😉

    E claro gostei do teu comentário, bom e sem revelar grandes pormenores🙂

    • Cassy disse:

      Olá, amigo Corvo. Sim, Drácula é magníficdo, apenas usei como exemplo de onde Martin, assim como outros autores do gênero, buscaram a sua fonte.

      Sim, já ouvi falar do Historiador, mas ainda não li. Acho que foi você quem em indicou o livro, se me lembro bem rsr Já está na lista.

      E concordo totalmente contigo, Fevre Dream mostra bem a versatilidade do Martin com escritor. O próximo livro dele que vou ler será Windhaven, que já saiu por aí.

  4. shaftiel disse:

    Não sabia que era sobre vampiros. Vou ver se leio, mas confesso que minha primeira experiência ao ler Martin escrevendo fora de Westeros foi terrivelmente decepcionante.

  5. Pingback: Capa de Sonho Febril | .:.Dragonmountbooks.:.

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