Resenha: Drácula, de Bram Stoker

Drácula capaTítulo: Drácula

Título original: Dracula

Autor: Bram Stoker

Publicação: maio de 1897, no Reino Unido; 1998, Brasil.

Número de páginas: 549 páginas

Editora: L&PM Editores

ISBN:  9788525408419

Drácula é uma história de vampiros e lobisomens, de criaturas que estando mortas permanecem vivas. É também uma história de pessoas corajosas que se lançam à destruição de uma insólita e maléfica ameaça. Como quer que seja, permanece intacta nestas páginas a mesma emoção de milhões de leitores e espectadores que penetraram na história que se inicia num castelo desolado nas sombrias florestas da Transilvânia. Lá, um jovem inglês é mantido em cativeiro, à espera de um destino terrível. Longe dele, sua noiva bela e jovem é atacada por uma doença misteriosa que parece extrair o sangue de suas veias. Por trás de tudo, a força sinistra que ameaça suas vidas: Conde Drácula, o vampiro vindo do fundo dos séculos.

Faz algum tempo que li Drácula, mas eu não poderia continuar falar sobre vampiros aqui no blog sem deixar a minha opinião sobre essa que é considerada a melhor obra da ficção vampiresca de todos os tempos, muito embora Drácula não tenha sido a primeira obra de ficção vampiresca de grande destaque no gênero.

Para mim, porém, Drácula foi a minha iniciação, por assim dizer, no tema vampiros, tanto na literatura, quanto nos filmes. O meu primeiro contato com o universo dos vampiros foi justamente assistindo o filme O Vampiro da Noite, que trazia Sir Christopher Lee no papel principal. Eu estava com 06 ou 07 anos e ao mesmo tempo em que o filme me assustou, eu achei o Conde Drácula a criatura mais fascinante e com os poderes mais incríveis que eu já tinha visto. Muitos anos depois, consegui encontrar a edição aqui especificada e li essa excelente obra.

A trama retrata uma série de acontecimentos estranhos que começam a se desenrolar na vida do jovem Jonathan Harker quando ele é contrato por um conde que habita a região da Transilvânia. Os acontecimentos ganham mais importância na trama a partir do ponto em que a noiva de Jonathan, Mina Murray, e sua melhor amiga, Lucy Westenra, também começam a ser vítimas de estranhos acontecimentos.

Embora seja uma excelente trama, a forma narrativa pode pegar alguns leitores de surpresa, pois é uma maneira não muito usual de se contar uma história. A narrativa se baseia em entradas de diários dos personagens, onde os acontecimentos são descritos, além de cartas e até notícias de jornais. Apesar da estranheza, pois de início parece que a história está mal contada, durante a leitura as trama vai se tornando uma história completa, onde os fatos contados por cada personagem vai sendo complementado pelos fatos narrados pelos outros personagens.

Para mim esse tipo de narrativa, embora surpreendente no começo da leitura, criou um sentido totalmente mítico na figura do conde Drácula, a ponto de deixar a sua existência na campo das lendas urbanas, da crendice popular, mas ao mesmo tempo, mostrando que para os personagens do livro foi uma experiência real e terrível. Sem falar do aspecto de romance gótico dado ao livro por Bram Stoker, que acaba por acentuar o clima de suspense e mistério do livro.

Sem dúvida o que atrai a atenção dos leitores é o vampiro Drácula, cuja origem na obra abre dúvidas para especulações sobre quais teriam sido as inspirações de Bram Stoker ao criar o vampiro e ao escrever o livro. Quanto ao livro em si e toda a sua trama, não há dúvidas que Stoker se baseou na novela Carmilla, do escritor irlandês Sheridan Le Fanu, publicada em 1871.  Varney The Vampire, publicado como livro em 1847 e de autoria de James Malcolm Rymer, e The Vampyre, publicado em 1819 e de autoria de John Pollidori, também são mencionados como inspirações de Stoker.

Quanto ao vampiro, Stoker nunca admitiu, mas são fortes as especulações, inclusive nas adaptações do romance, que Drácula tenha sido criado a partir da figura de Vlad Tepes, conhecido como Vlad III Dracula e como Vlad, o Empalador. O único fato admitido por Stoker parece ser a mudança do nome do conde para Drácula após o autor ter lido um livro sobre lendas romenas. É importante citar a resposta de Stoker em uma entrevista do ano de 1887 dada ao Dr. Wendell A. Howe da Universidade de Cambridge, onde o autor diz estar considerando escrever algo, mas não fala o que é exatamente e perguntado, diz que um jovem texano lhe contou uma história sobre um morcego vampiro e que a ideia ficou em sua mente. A criação do vampiro parece ser essa tal história texana e a ideia do conde Drácula parece mesmo ter vindo das obras citadas acima.

Recentemente, surgiu uma teoria de que na verdade, o conde Drácula foi criado a partir de lendas irlandesas. Uma delas a de Dún Dreach Fhola, que  teria chegado ao conhecimento de Stoker através de sua mãe ou avó, e fala de um local nas montanhas Kerry onde criaturas se sustentariam alimentando-se do sangue dos viajantes. O nome Drácula teria inclusive, vindo do termo droch fhola, que quer dizer bad blood (sangue ruim).

Seja qual tenha sido a inspiração de Stoker, Drácula é a maior obra da ficção vampiresca e de leitura obrigatória para quem se diz fã do gênero.

Recomendadíssimo.

Abaixo deixo alguns links de sites e blogs especializados na obra Drácula e seu autor, onde é possível encontrar informações sobre mais adaptações da obra (todos em inglês. Infelizmente, não encontrei sites/blogs em português):

http://www.ucs.mun.ca/~emiller/index.html.

http://stokerinterview.blogspot.com.br/.

http://dracula.cc/literature/bram_stoker_interview_dracula/.

http://www.bbc.co.uk/programmes/b01n61sr.

Para finalizar deixo a indicação do filme Nosferatu (1922), primeira adaptação de Drácula e que resultou em um processo judicial pelo fato de não ter sido autorizada pela família de Bram Stoker. Por essa razão os nomes dos personagens e das locações foram mudados. O filme deve grande parte de suas cópias destruídas e somente após Drácula se tornar obra de domínio público os nomes originais dos personagens foram colocados. O filme é mudo, mas contém uma dramatização muito bem feita e para uma produção tão antiga, é excelente. E indico também a série Dracula, da NBC, cuja primeira temporada foi finalizada há pouco tempo e traz Jonathan Rhys Meyers (o Henrique VIII da série The Tudors) no papel do vampiro.

.:.Abraços e até a próxima.:. 

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
Esse post foi publicado em Fantasia e Ficção Científica, Ficção Vampiresca, Resenhas, Romance, Suspense/Terror e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

7 respostas para Resenha: Drácula, de Bram Stoker

  1. Ois amiga Cassi,

    Gostei da tua resenha, penso que o livro está muito bom para mim peca pelo final apenas, nao que não seja bem conseguido, mas porque inicialmente Drácula mostra ser um personagem muito boa, provocando sempre suspense e à medida que o livro avnaça, sai de cena e nem direito tem a “lutar” pela sua vida…estranhei confesso

    Mas sem duvida um livro muito bom😉

    Bjs

    • Cassy disse:

      O final é estranho. Para mim, o Drácula achou que não precisaria se esforçar para lutar por ser um ser com forças sobrenaturais, além disso, acho tb que ele nem se esforçou muito por causa da Mina. Sei lá rsrsrs

  2. Drácula é fantástico!
    Também foi meu primeiro livro sobre vampiros e comecei muito bem. Foi nesse livro que comecei a gostar dessa figura tão mitológica e parte do imaginário de praticamente todas as culturas.
    Acho que foi um dos primeiros clássicos (junto do Vinte Mil Léguas) que eu lembro de ter lido. Lembro como eu ficava preso no livro, sem conseguir parar de ler, sempre querendo saber mais.
    Eu achava a forma da narrativa genial e acho que o fato de serem com entradas de diários e jornais, faz a história parecer real! Você se pega perguntando: “Será que não foi verdade?”
    Você falou que ficou encantada com o Drácula e eu também. Mas até hoje Mina e Van Helsing ainda tem um lugar especial na minha lista de personagens queridos.

    • Cassy disse:

      Drácula encanta mesmo. A narrativa me pegou de surpresa no começo, mas depois entendi o porquê o Bram escreveu assim (acho rsrs). Realmente a gente se pega perguntando se aconteceu mesmo aquilo tudo. Ou pelo menos se aconteceu daquele jeito. Livro fantástico.

  3. Maurilei disse:

    Achei muito bom este livro Cassy. Destaque para o clima sombrio que a história possui.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

  4. Pingback: Resenha: Blood and Gold – Sangue e Ouro | .:.Dragonmountbooks.:.

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