Resposta da editora portuguesa Saída de Emergência aos seus leitores

Olá, pessoal! Bem, como uma leitora que tem o privilégio de ler os livros do seu gênero favorito, a literatura fantástica, no idioma original, saber que essas obras estão chegando no Brasil em deixam muito animada. O crescente número de editoras brasileiras que têm investido no gênero contribuem para aumentar a minha satisfação em saber que outros poderão ler as excelentes obras que já li há algum tempo.

Acredito que o mesmo sentimento povoem os amigos portugueses, onde a literatura fantástica é publicada há mais tempo do que aqui. Porém, o que tenho visto não só em comentários aqui no blog, mas também nas redes sociais, são amigos portugueses insatisfeitos com algumas posições das editoras de lá. Algo que espero não aconteça aqui.

As reclamações esbarram na falta de compromisso das editoras em continuar séries e a já tão criticada divisão dos livros.

Mas é claro, ouvir só um lado da história, principalmente o lado ao qual pertenço é fácil. É óbvio que as editoras possuem uma equipe que trabalha de modo a trazer o melhor para os seus leitores e não desejam vê-los insatisfeitos e, ao mesmo tempo, precisam se manter no mercado editorial (entenda-se precisam ter lucro).

Nas últimas semanas, os leitores portugueses têm cobrado alguns posicionamentos referentes a algumas publicações da editora Saída de Emergência, uma das principais editoras de Portugal, que teve o respeito de responder ao conjunto de leitores e apresentar algumas razões. No dia 30 de março, mais uma vez a editora foi inquirida através de uma interessante sugestão de um leitor e referendada por outros leitores. A resposta foi dada há aproximadamente uma hora.

Para vocês entenderem bem o contexto no qual a resposta foi dada, posto abaixo a sugestão do leitor:

Venho desta forma deixar uma sugestão à Editora.

Não tenho a menor duvida que a Editora o que mais deseja seja vender bem e que os seus leitores se sintam satisfeitos.

Tenho acompanhado a evolução da Editora ao longo dos anos e penso que a COMUNICAÇÃO com os leitores que em tempos foi, para mim, uma das mais valias da Editora, a sua imagem de marca mesmo, tem com estas mudanças de plataformas de informação vindo a mudar.

Compreendo que uma revisão (não falo de traduções pois não leio nas versões originais) menos bem conseguida possa acontecer.

Nunca entendi bem os motivos da divisão dos livros, onde tenho as minhas mais sinceras duvidas que traga mais leitores às sagas / livros. Acredito que faça com que cada vez mais as pessoas esperem por packs, mas são estratégias que a Editora lá entende serem as melhores, está certo.

Compreendo que fase as circunstancias do mercado muitas sejam as sagas que fiquem a meio e dando como exemplo apenas da coleção BANG que é a que mais gosto, são já muitos que estão a ficar par trás deixando obviamente os leitores insatisfeitos ( Douglas Adams, Frank Herbert – assumido que iriam publicar 3 livros -, Fritz Leiber, Peake, Moorcock, Scott Lynch – sempre assumiram que apenas iam publicar apenas o 1º volume, embora me entristeça – entre outros que deixaram, aparentemente de publicar como Jacqueline Carey e a Robin Hobb por exemplo) e nem falo dos Romances Históricos que são muitos deles do melhor que já li, como as aventuras de Flashman e a serie Asteca e claro de outras chancelas, mas compreendo que possam estar a vender menos bem, digamos assim.

Embora possa dar uma imagem menos positiva, a sucessiva alteração de publicações de lançamentos previstos e anunciados para determinadas datas que estão a ser com alguma regularidade alteradas sem data prevista de lançamento, tem a minha compreensão pois são muitas as circunstâncias que podem fazer com que isso aconteça, tudo bem.

Agora a forma como estão a comunicar com os leitores nos locais oficiais como é o caso da página do Facebook, onde os seus leitores lhes perguntam sobre determinado escritor, o que está previsto para o mês seguinte sendo que a uns respondem e a outros não, não posso concordar.

Que a aposta noutros mercados como é o caso do Brasil possa ser prioritário e a tirar imenso tempo à Editora, até compreendo, mas responder a uns e não responder a outros penso que não fica bem, pois repito é um local oficial da Editora.

Que não respondam a todos, compreendo, embora só fique bem responderem ao máximo de leitores, mas nós que somos os clientes e leitores dos vossos livros merecemos uma COMUNICAÇÃO mais assertiva, não conseguem responder no dia, respondem passado uma semana, mas respondam ou então assumam qual a estratégia de comunicação atual, até para os clientes / leitores saberem onde e como se dirigirem.

E para que fique claro a todos os que possam ver esta sugestão como algo negativo, tenho parceria com a Editora, quem me conhece sabe que defendo a Editora sempre, mas também tenho o direito de criticar algumas coisas que acho menos bem e que sinto serem possíveis melhorar.

A resposta da Edições Saída de Emergência, dada em nome do seu editor Luís Corte Real, segue abaixo:

Por Luís Corte Real
Editor

Boa tarde a todos os fãs da Saída de Emergência,

Queria agradecer ao Fiacha e a todos os fãs da editora que deixaram as suas opiniões. Sem elas podemos ficar na ilusão de que estamos a fazer um trabalho perfeito quando na verdade os nossos leitores estão insatisfeitos com algumas questões. Vou tentar abordar todas, da forma o mais transparente possível, sendo que não prometo que as respostas sejam exatamente aquelas que todos gostariam de ouvir. Ao trabalho, então!

COMUNICAÇÃO
Tanta coisa mudou em 11 anos. Nem havia Facebook quando começámos. A SdE tem crescido, mudado, e também a sua forma de comunicar com os leitores tem sofrido mutações constantes. Blogues, vários fóruns, Twitter, emails diretos, Facebook, há muitas formas de chegar à editora e tentamos marcar presença em todas. Talvez nos tenhamos estendido demais e complicado a nossa vida. Mas uma coisa é certa, aqui, no Facebook, estamos a esforçar-nos por não deixar nenhuma pergunta por responder. Mesmo quando a mesma pergunta já foi respondida várias vezes. Apesar das nossas atuais falhas, que reconheço, os nossos fãs mais justos também terão de reconhecer que não há muitas editoras que tentem responder com tanta prontidão como nós. Mas quero deixar uma mensagem bem clara: a SdE pode, quer e vai melhorar a sua comunicação. 

BRASIL
Alguns fãs têm receio que a nossa ida para o Brasil signifique que voltámos as costas a Portugal, que temos menos tempo para os nossos fãs originais. Só posso dizer uma coisa: nunca! São projetos diferentes, com pessoas, na sua maioria, diferentes. Pelo contrário, se o projeto no Brasil continuar a correr bem, vai dar-nos uma solidez maior para fazer frente à crise que o mercado editorial português está a sentir. A crise, essa sim, e não o Brasil, obrigou-nos a desacelerar. Aliás, a crise é um assunto tão importante que merece o seu próprio parágrafo.

A CRISE
A palavra de ordem, e que já ninguém consegue ouvir, é AUSTERIDADE. Empresas vão à falência, lojas fecham, o desemprego aumenta, os impostos também. O mercado livreiro e editorial, como os mais atentos devem reparar, não ficou imune (a lista de editoras, distribuidoras e livrarias que fecharam nos últimos anos não é curta). No entanto a SdE continua aqui, a publicar, a tentar deixar os seus fãs satisfeitos. Gostávamos de estar a fazer as coisas de forma diferente, e quando o país sair deste período negro, certamente que o faremos. Mas não é justo pedir que continuemos a trabalhar como fazíamos há 5 ou 6 anos quando o país, aparentemente, tinha um futuro risonho e toda a gente tinha dinheiro para gastar num bom livro. Apesar de tudo, este ano vamos ter apostas fortíssimas na fantasia, como é o caso do Brandon Sanderson. Mas há mais!

DIVISÃO DOS LIVROS
Não é uma coisa de agora, já dividimos livros há muitos anos, e sempre pela mesma razão: se não dividirmos, o projeto é comercialmente inviável e não poderá sair do reino dos sonhos. Lembrem-se que o próprio George R.R. Martin, quando foi publicado pela primeira vez há 7 anos, estava longe de ser o fenómeno que é hoje e foi um tremendo risco para a SdE apostar tanto nele. Se não o tivéssemos dividido teríamos perdido dinheiro com todos os livros até a série da HBO ter estreado. Outros autores que dividimos são autores que amamos, de uma qualidade tremenda, mas que vendem pouco e se não forem divididos NÃO podem ser publicados: é o caso dos fenomenais Dan Simmons, Robin Hobb e Guy Gavriel Kay. Seria melhor pura e simplesmente não os publicar? Duvido que essa fosse a melhor opção. Acreditem: não dividimos os livros de forma leviana ou para ganhar mais. O objetivo é não perder. E garantir no nosso catálogo os MELHORES nomes do fantástico.

ALTERAÇÕES DE DATAS DE PUBLICAÇÃO
Há uma boa razão para praticamente nenhuma editora adiantar datas de publicação: a facilidade com que um agente, tradutor, revisor, paginador, designer, editor, impressor ou comercial se atrasa a entregar o seu trabalho… e lá se falha uma data. E depois os fãs cobram. A solução mais inteligente é não adiantar datas. Mas preferimos continuar a fazê-lo, correndo o risco de vocês se zangarem connosco. Prometo, no entanto, que estamos a tentar falhar cada vez menos!

SAGAS QUE FICAM A MEIO
Este ponto tem relação direta com a crise. Quando não há fãs suficientes para manter uma série em pé, por melhor e mais fascinante que ela seja, a única solução é interrompe-la. Caso contrário é o descalabro financeiro. Mas não pensem que interrompemos séries com agrado, por vezes até já temos os direitos comprados e não conseguimos publicar os livros todos. Mas este infortúnio não é um exclusivo da SdE: todas as editoras que publicam fantasia, onde imperam séries com vários volumes, correm o risco de as abandonar a meio. Felizmente algumas das que estão paradas (Patricia Briggs ou Kim Harrison) têm volumes autónomos e a ação não foi interrompida num cliffhager. Outras conseguimos voltar a recuperar (Sherrilyn Kenyon). Se os livros tiverem procura e o mercado permitir, não duvidem, somos os principais interessados em recuperar as séries.

Penso que respondi às principais queixas que os nossos fãs fizeram neste post. Há sempre mais perguntas a fazer, novas perspetivas a abordar, mas uma coisa quero deixar bem claro: não nos aburguesámos, não crescemos demais, não deixámos de ser fãs de fantástico. Somos uma editora média, a viver num mercado de grandes grupos, num país meio falido. Não é fácil oferecer um serviço perfeito nestas condições, mas estamos a dar o nosso melhor e contamos convosco para nos acompanharem neste caminho. 

Um abraço e votos de boas leituras,
Luis CR

A minha intenção é apenas divulgar a resposta que provavelmente ficará perdida no feed da timeline da fanpage sem que outros leitores, sejam portugueses ou brasileiros que acompanham as edições portuguesas, saibam as razões que levaram a editora a tomar determinadas decisões quanto às suas publicações. Não estou defendendo a editora e muito menos dando razão às suas razões, estou apenas mostrando o lado da editora uma vez que aqui no blog eu mesma mostrei, critiquei e permiti comentários contra as decisões tomadas SdE e, inclusive, por outras editoras.

A sugestão na timeline da página da editora está neste link: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=714977758554867&set=o.182466331785544&type=1.

.:.Abraços e até a próxima.:.

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Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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2 respostas para Resposta da editora portuguesa Saída de Emergência aos seus leitores

  1. Viva amiga Cassi 🙂

    Antes demais obrigado por divulgares algo que tive que fazer pois me estava a incomodar um pouco e como sabes até tenho parceria com eles e corri os meus riscos, mas foi pela positiva e acho bem que a editora reconheça que estava a gerir menos bem digamos assim a comunicação com os seus leitores e penso que o resultado foi postivo, valeu e espero que ajude a Editora a melhorar algumas coisas que podiam estar a escapar-lhes digamos assim.

    Nem coloquei muito as outras questões, mas o Editor resolveu responder a tudo, tirando as traduções 🙂

    Como referi era a minha opinião parte das coisas respeito como é obvio mas por exemplo os livros de Acácia não tem na verdade 300 páginas, são pequenos e foram divididos, tal como alguns do Feist, mas tudo bem e já agora os livros da Patricia Briggs são uma serie, se já se publicou 6 e faltam dois….mas tudo bem o que pretendia era que a Editora melhore, tu própria estiveste curiosa com as respostas que proceurei no Lamora ou na Hobb e viste tantos a comentarem e nem responderem, que ajude a mudar 🙂

    Bjs e que a SDE faça o maior sucesso por esses lados 😀

    • Cassy disse:

      Eu gostei bastante da sua sugestão e da SdE ter se dignado a responder. Claro, a resposta ainda é insatisfatória, pois está bem claro que divisões continuarão, mas pelo menos a resposta foi uma prova de respeito da editora. Pena nem todas seguirem esse caminho.

      Quanto às séries que ficam no meio do caminho, acho uma pena. Não vou repetir minha crítica aqui, pois o post não é para isso. Emfim, espero que outra editora daí possa completar o trabalho com as séries incompletas.

      Acabei de comentar lá no seu blog.

      Bjos e excelentes leituras!

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