Resenha: O Senhor das Moscas, de William Golding

O Senhor das Moscas capaTítulo: O Senhor das Moscas

Título original: Lord of the Flies

Autor: William Golding

Publicação: originalmente em 1954

Número de páginas: 356 páginas

Editora: Nova Fronteira (Saraiva de Bolso)

ISBN: 9788520927243

O Senhor das Moscas conta a história de um grupo de garotos vítimas de um acidente aéreo, do qual sobrevivem. O grupo acaba preso em uma ilha sem saber se há possibilidades de resgate.

No começo, a preocupação é unir a luta pela sobrevivência com a chance de resgate, onde há uma tentativa de organização e designação de tarefas. Aos poucos, a preocupação com o que realmente é prioridade e a falta de um adulto, não só para tomar as rédeas da situação, mas também para dar a segurança que se espera de adulto, gera uma série de problemas para os garotos e o anúncio de que coisas terríveis estão prestes a acontecer.

O livro funciona bem como romance distópico, pois apresenta durante o texto uma inversão de valores. A luta pela sobrevivência, seja a todo custo, como defende um dos grupos, seja com a preocupação do resgate, como defende o outro, faz com que as tomadas de decisão sejam levadas ao extremo. E sem um adulto, a situação piora.

A questão da liderança é outra boa característica do livro, pois temos os dois tipos de lideres: aquele absolutamente autoritário, cuja sanidade começa a desvanecer por causa da situação, capaz de praticar os atos mais cruéis e insanos em nome da segurança dos demais, mas que na verdade nada mais quer do que ver o seu próprio desejo ser realizado. E temos aquele que quer escutar os demais, ordenando, organizando e nunca se esquecendo de ver todos os pontos possíveis para o bem de todos, só usando da autoridade quando necessário.

Por isso, alguns leitores interpretam o livro através de um lado mais filosófico, sociológico e até político, comparando as duas lideranças a sistemas ou regimes de governo.  E se for  tratado por esse lado, o livro tem momentos grandiosos que ajudam a entender como às vezes uma nação inteira é dominada por determinado ditador ou grupo político ou partido político e parecem não enxergar a verdade na manipulação da qual são vítimas. Aliás, tem um momento no livro que lida justamente com a questão de se esclarecer a verdade sobre um fato e confirma bem isso. De fato, o livro é cheio de simbologias, a começar pelo título, passando por objetos usados pelos personagens e pelos próprios personagens.

Eu recomendo a leitura e se algum de vocês não gostarem, o que não vou estranhar, não se preocupem, tenho certeza que a intenção do autor não foi proporcionar momentos de relaxamento para seus leitores, mas sim criar uma obra que serve como lição de vida para aprendermos a dominar o que há dentro de cada um de nós.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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2 respostas para Resenha: O Senhor das Moscas, de William Golding

  1. Fiacha O Corvo Negro disse:

    Ois Cassy,

    Parece ser um livro bem interessante, distopia não é a minha praia mas reconheço muita qualidade e este livro é mais um exemplo🙂

    Vou procurar

    Bjs

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