Resenha: King Rat, de China Miéville

King Rat capaTítulo: King Rat

Autor: China Miéville

Publicação: 06 de outubro de 2000

Número de páginas: 320 páginas

Editora: Tor Books

ISBN: 9781466826021

King Rat é o primeiro romance de China Miéville, publicado originalmente em 1998, no Reino Unido, e indicado aos prêmios Bram Stoker e International Horror Guide, em 1999, e ao prêmio British Book, em 2000. Em 2011, o livro foi lançado no Brasil pela editora Tarja, sob o título Rei Rato.

A história se passa em Londres, onde vive o protagonista Saul Garamond. Acusado de um crime pela polícia local, Saul é resgatado por uma estranha figura que se denominada os rei dos ratos. Ao saber detalhes da sua origem, Saul fica sabendo que pode ser a próxima vítima de excêntrico assassino.

Este é o terceiro trabalho que leio do China, incluindo o romance juvenil Un Lun Dun, cuja resenha foi publicada no começo deste mês,  e o conto Polynia, que pode ser lido no site Tor.com.

Eu li King Rat com a ciência de que existiriam cenas bem nojentas no livro, pois o China mostra ao leitor uma cidade dentro da cidade de Londres, mas que ao invés de ser habitada por pessoas, é habitada pelas chamadas pragas urbanas. As cenas causam um certo desconforto sim, mas não senti tanto nojo quanto pensei que sentiria.

No começo do livro, o autor faz pensar que a história seguirá uma sequência iniciada por um fato que leva protagonista a saber parte de sua verdadeira história. Durante a leitura, percebe-se, porém, que a trama é uma releitura de um famoso conto de fadas, contada usando-se elementos da fantasia urbana e do terror.

A história trata também de uma espécie de briga pelo poder. China mostra muito bem o quanto é a vontade popular que faz um monarca ser de fato considerado um líder e ser amado pela sua população, ao mesmo tempo que mostra como a população pode ser manipulada justamente por depositarem confiança em um líder que usam a sua população apenas para atingir os seus próprios objetivos e não o bem comum.

Eu gostei muito da escrita do China, achei excelente em diversos momentos que me fizeram ler sem parar, mas houve momentos em que o livro se tornou um pouco chato, mas nada que estragou a história em si, pois foram importantes. Só achei detalhados demais, quando eu estava esperando que o autor se dedicasse a outros fatos.

O livro possui cenas bem violentas, bem sangrentas mesmo, por isso me lembrou elementos do terror. O linguajar é bem peculiar, alguns personagens falam uma espécie de dialeto ou sotaque, outros usam bastante palavrões nas suas frases, o que não é estranho de se encontrar em um livro destinado ao público adulto.

Uma coisa bacana foi o China aliar a música (lembrem do conto de fadas) à trama do livro, usando  cultura e os costumes noturnos de Londres.

É difícil falar o que exatamente o China Miéville escreve. Em alguns artigos ele é citado como autor de fantasia urbana, terror/horror e ficção científica. Outros chegam a colocá-lo no gênero Steampunk (Un Lun Dun tem um pouco disso, embora não se passe na época vitoriana). O próprio autor denomina o seu trabalho como sendo New Weird, uma versão moderna do gênero Weird Fiction.

Eu recomendo King Rat. Não sei se os fãs de fantasia mais tradicional gostarão de ler os livros do China. O que sei é que lerei outros livros do China.

.:.Abraços e até a próximas.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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10 respostas para Resenha: King Rat, de China Miéville

  1. Eu gostei muito desse livro também, mas li em português. Foi bem legal pq o tradutor teve o cuidado de colocar uma observação sobre o real significado dos gírias usadas em Londres, daí ficou mais fácil de entender o sentido das cenas. Quando vi umas resenhas com o pessoal reclamando que as cenas eram muito fortes e talz, até fiquei receoso de ler, mas aconteceu que não achei tão nojento quanto falaram. Pessoal tem muito mimimi.

    • Cassy disse:

      Quanto ao linguajar, o próprio China tomou certos cuidados para não deixar os leitores sem entender as gírias, pois ele sabe que muitos de seus leitores não são ingleses e poderiam não entender. o que eu achei legal foi a Tor Books, que é uma editora americana, manter a grafia das palavras britânicas e não inventar de americanizar o texto do China.

      Sobre as cenas fortes, o China não poupa o leitor, dá uma pouco de desconforto ler, mas não dá extremo nojo, acho que é porque fui avisada antes. Para mim o pior seria se fossem baratas ao invés de ratos. rsrs

      Vc já leu Perdido Street Station, Adriano?

  2. Heitor Lucas disse:

    LI esse livro ano passado e sinceramente não gostei muito do enredo, que na minha opinião é previsível, o que acabou se tornando uma leitura chata para min.

    O ponto forte é que China Miéville consegue passar para o leitor a sensação bem realista dos cenários no desenrolar da historia, o que por si só já me faz pensar em ler uma outra obra sua futuramente.

    • Cassy disse:

      O fato de ser, ou parecer ser, uma releitura de um conto de fadas às avessas deixou o China sem muita opção criativa. Enfim, espero que vc goste da outra obra do autor que vc porventura puder ler.

  3. Ois,

    Tenho mesmo que experimentar ler um livro deste escritor, pelo menos penso ser um dos grandes nomes da atualidade🙂

    bj

    • Cassy disse:

      Sim, sempre vejo o nome do China entre os escritores do momento. Penso que esses dois livros que li, embora eu tenha gostado, não são os seus melhores, pelos comentários que li no Goodreads.

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