Resenha: A Wizard of Earthsea, de Ursula K. Le Guin

A Wizard of Earthsea capaTítulo: A Wizard of Earthsea

Autora: Ursula K. Le Guin

Publicação: 11 de setembro de 2012; originalmente, em 1968

Número de páginas: 240 páginas

Editora: Harcourt Brace and Company

ISBN: 9780544084377

A Wizard of Earthsea é o primeiro livro da clássica série de fantasia The Earthsea Cycle, de autoria da escritora americana Ursula K. Le Guin. No Brasil, o livro foi publicado em 1994, sob o título O Mago de Terramar, pela editora Brasiliense, mas não se encontra mais no catálogo da editora.

O livro se passa no fictício mundo de Earthsea (Terramar, nas versões em português), um enorme arquipélago, e conta a história de Ged, dos seus 13 aos 19 anos de idade e sua jornada para se torna um mago e perseguir uma sombra.

A leitura é bem rápida, não só por causa da ótima história, mas também porque o estilo de escrita da Ursula é ótimo. A autora consegue passar ao leitor em poucas linhas, informações sobre a cultura das várias ilhas de Terramar, conforme a história vai se avançando.

Os elementos tradicionais da fantasia estão presentes: magia, magos, dragões, um mundo fictício; tudo tão bem apresentado pela autora. Há momentos mais sombrios, nos quais existe um certo elemento sobrenatural, mas há também momentos de (auto)questionamento, sobretudo em relação ao que o próprio ser humano é capaz de fazer contra si mesmo e contra as outras pessoas, sobre o mal que o próprio ser humano traz para o mundo e que somente ele/ela pode concertar, ou pelo menos tentar, concertar o seu erro.

O interessante é que a magia é tratada como algo que deve preservar o equilíbrio da natureza.

É um livro que não achei próprio para o público juvenil, apesar de ser voltada para os leitores mais jovens, a escrita da Ursula é muito adulta. Essa questão dos erros humanos, é filosófico demais para um público mais jovem. Eu recomendaria o livro para um leitor no fim da adolescência (e talvez seja esse o público alvo), bem próximo da idade adulta, e não um leitor no começo e meio da adolescência. Acho que um leitor muito jovem não vai entender de forma plena essas questões de questionamento da natureza humana, pelo menos não da forma como é colocada no livro.

O que chamou a atenção no livro também foi a preocupação da Ursula em não dar somente uma característica europeia à aparência dos personagens do livro, como era, e ainda é, a tendência de muitos escritores. A trama apresenta várias descrições de aparência, desde os brancos de cabelos louros do Império Kargard, até ao povo de pele escura, representado pelo personagem Vetch. O próprio Ged, possui uma pele em tom castanho-avermelhado, que lembra bastante a descrição dos nativos ou índios. Sobre isso, coloquei um link no item 5 das Curiosidades destacadas no fim desta resenha.

A Wizard of Earthsea é um livro ótimo e uma excelente oportunidade de conhecer um estilo mais clássico da Fantasia. Eu recomendo muito a sua leitura e mesmo quem não gostar tanto quanto eu gostei, terá a oportunidade de conhecer uma obra que serve de base e inspiração para alguns escritores de hoje.

Curiosidades:

1.A Ursula se inspirou no trabalho de seus pais, os antropologistas Alfred L. Kroeber e Theodora Kroeber, com Ishi, o último índio da tribo Yahi, do povo Yana, falecido em março de 1916.

2.Em 1977, o livro foi lançado em Portugal pela editora Livros do Brasil, sob o título O Feiticeiro de Terramar.

3.Uma versão em radio foi produzida pela BBC Radio no ano de 1996 com narração de Judi Dench.

4.Em 2003, a editora Presença relançou o livro em Portugal, sob o título O Feiticeiro e a Sombra.

5.Em 2005, o canal Sci-Fi estreou a minissérie Legend of Earthsea, baseada em A wizard of Earthsea e The Tombs of Atuan (o segundo livro da série). A autora manifestou o seu desgosto pela adaptação, dizendo que houve uma brancalização de Earthsea. Link do texto escrito pela autora (artigo em inglês): http://www.slate.com/articles/arts/culturebox/2004/12/a_whitewashed_earthsea.html.

6.Em 2006, o estúdio Ghibli lançou uma adaptação da série, intitulada Tales from Earthsea. O filme é baseado nos livros 1,3 e 4. A autora não gostou da adaptação.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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11 respostas para Resenha: A Wizard of Earthsea, de Ursula K. Le Guin

  1. E esse relançamento no Brasil que não sai?

    Ótima resenha, Cassy!

  2. Lucas Soares disse:

    Eu achei uma ótima série, li todos os livros em português de portugal, mas acho que a autora poderia ter desenvolvido um trabalho melhor com a ótima história q ela criou.
    Você também achou que a série lembra um pouco as crônicas do matador de reis?

  3. Fiacha O Corvo Negro disse:

    Ois Cassy,

    E vai melhor bastante nos livros seguintes, adorei😉

  4. Pingback: Resenha: The Tombs of Atuan | .:.Dragonmountbooks.:.

  5. Pingback: Divulgação: O Feiticeiro de Terramar, de Ursula K. Le Guin | .:.Dragonmountbooks.:.

  6. Paola disse:

    Olá, gostei muito da sua resenha. Desde que assisti a versão dos estudios Ghibli estava procurando mais informações e fui pesquisar a opinião da autora sobre o desenho… Segundo um site, ela teria dito para o diretor -” o seu filme é bom, mas não é a minha história. ” Abraço.

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