[Edição Brasileira]: A Grande Caçada

Continuando a série de artigos onde exponho a minha opinião sobre as edições brasileiras de livros que li nas edições originais, hoje deixo para vocês a minha opinião sobre a edição brasileira do segundo livro da série A Roda do Tempo, do Robert Jordan, intitulada A Grande Caçada.

Quem está acompanhando a série de matérias já sabe que não é uma opinião sobre a história e a trama do livro, mas sobre o livro em si, a tradução, revisão e tudo mais que achei interessante notar. Meu objetivo não é desmerecer, criticar negativamente ou mesmo desqualificar o trabalhado da equipe responsável pela concepção do livro, mas não vou deixar de expor a minha opinião sincera.

Para os interessados, a resenha de A Grande Caçada foi publicada em 2012 e pode ser lida através deste link: https://dragonmountbooks.wordpress.com/2012/02/15/resenha-the-great-hunt/.

Bem, como vocês sabem, A Grande Caçada é o segundo livro da série A Roda do Tempo, do autor Robert Jordan, e foi lançado em maio deste ano pela editora Intrínseca.

Todo um processo de ansiedade, dúvidas e medo da série não ter sua continuação, além de falta de respostas, marcaram os meses que antecederam o lançamento do livro. Perguntas não respondidas, geraram especulações em sentido negativo, com leitores duvidando que o livro seria sequer lançado neste ano quanto mais no primeiro semestre. E eis que a Intrínseca divulga a capa:

A Grande Caçada capa

Eu achei a capa lindíssima. A ideia de se usar o tom avermelhado, ao invés do esverdeado da capa britânica, conferiu uma identidade própria à edição brasileira.

O trabalho artístico segue o mesmo padrão daquele do livro anterior: temos o fundo preto conferindo destaque aos dizeres e ao símbolo da série. Na capa e na lombada, o nome do autor, o símbolo da série e o pingo no “i” do logo da Intrínseca aparecem em um tom avermelhado metalizado, enquanto o título está em tom alaranjado. Na parte final de baixo da capa, a famosa do The New York Times sobre a obra: “Com A Roda do Tempo Jordan chega para conquistar o mundo que Tolkien começou a difundir”.

Abrindo o livro, temos uma folha de rosto em preto somente com o título do livro e em seguida uma ilustração que ocupa duas páginas e me fez lembrar de uma cena da história. Em seguida, temos a ficha técnica, dedicatória do autor, sumário, prólogo, citação ao Ciclo Karatheon, o mapa do mundo onde se passa a série e, finalmente, a história em si. É um pouco diferente da organização da edição americana que eu tenho, porém dá uma característica bem própria para a edição brasileira.

As folhas do miolo do livro são amarelas e o texto possui fonte de tamanho pouco menor do que o médio, mas não chega a causar cansaço na vista. O livro é um pouco pesado, afinal são mais de 700 páginas, mas é mais leve que O Olho do Mundo.

Cada capítulo tem em seu início ícones ou símbolos da série referentes ao que leremos. No fim de cada capítulo, exceto o último, aparece o símbolo da serpente enrolada na roda do tempo. A editora não reproduziu os dizeres: “The End of the Second Book of The Wheel of Time.

No final do livro há um glossário em ordem alfabética e novamente a editora preferiu não tentar recriar as pronúncias de termos e expressões da série.

A Grande Caçada contou com o trabalho de dois tradutores: o Fábio Fernandes, o tradutor de O Olho do Mundo, e a Julia Henriques. O livro contou ainda com uma revisão tradicional, revisão de tradução e revisão técnica.

O texto não apresentou erros de português, também não vi erros de digitação. Algumas expressões, porém, foram traduzidas de forma diferente em relação ao primeiro livro: tremelicando no lugar de estremeciam; Que a Sorte me espicace, ao invés de A fortuna me morda. Obviamente essas mudanças não chegam a atrapalhar a leitura e compreensão do texto, mas não passaram despercebidas.

Em um momento do livro, fiquei em dúvida se eu estava lendo uma tradução ou se era uma interpretação, porque o termo traduzido era o oposto da tradução do termo em inglês. Outro momento foi ver que Ba’alzamon foi traduzido como Tenebroso. Acho que está bem claro que o Robert Jordan usa Dark One, traduzido como Tenebroso, e Ba’alzamon de forma bem distinta. Enfim, achei que a tradução não foi correta, nesse caso específico, mas para quem somente conhece a série em português, acho que não fará muita diferença no fim das contas, tendo em vista o que está por vir.

Os demais termos e expressões tiveram traduções excelentes. Gostei muito da forma como as nacionalidades foram traduzidas. Eu tenho plena consciência de que não é um trabalho fácil e muita coisa não se encaixa ou ficaria bem em português e entendo perfeitamente algumas escolhas dos tradutores.

Eu estou adorando o trabalho da editora Intrínseca. Percebi que a editora caprichou mais na divulgação de O Dragão Renascido, lançado no último dia 04, e tenho certeza que a série terá o sucesso merecido.

A Roda do Tempo tem um grupo de fãs no facebook. Participem: https://www.facebook.com/groups/317107944967630/.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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9 respostas para [Edição Brasileira]: A Grande Caçada

  1. Ois Cassy,

    Um comentário diferente do habitual e só possivel a quem leu nas várias traduções, nunca poderia fazer algo assim, pois só leio na versão portuguesa, mas gostei, comentário muito competente.

    Começo seriamente a pensar em arranjar maneira de ler na versão brasileira, mas para isso acontecer tem que chegar ao 5 livro🙂

    bjs

  2. Uma pessoa mais atenta pode notar as diferenças de tradução, ainda mais se o sentido muda de livro pra livro. Pode não atrapalhar, mas também não passa despercebido. Eu li a primeira versão da falida Caladwin e gostei. Da nova versão só li o primeiro livro. Ainda não comprei o segundo mas ontem vi o 3° na livraria e meus olhos brilharam.

    Vou ter que comprar ele pra poder continuar a história.

    • Cassy disse:

      Entendi, Heitor. Acho que no meu caso, por já saber como tudo acaba ficou mais fácil passar por cima desses detalhes do que alguém que está começando a conhecer a conhecer a série.

      No caso de Ba’alzamon e Dark One, eu achei que a tradução pecou, porque é importante que os dois termos não sejam traduzidos como se se referissem a uma entidade só, mas por sorte os eventos da série corrigirão isso, dependendo da tradução daqui para frente.

  3. Felix disse:

    Oiii Cassy, então como te disse eu comecei a ler a serie em português, e estou achando bem legal mais esse seu poste me deixou confuso sobre esse termo que foi traduzido errado!! Ba’alzamon e o Tenebroso (dark one) são pessoas deferentes?? E onde se encaixa o Ishamael?? ( porque eu fiqui tão curioso e confuso que foi pesquisar e fiquei mais confuso ainda kk) e isso e explicado na série?? Please answer me please!!!

    Obrigado!

    E esse assunto/tradução e resolvido/corrigido no terceiro livro??

    • Cassy disse:

      Olá, Felix. Eu acabei editando os seus comentários e condensando em um só.

      Pois é, Felix, os próximos livros da série vão esclarecer isso. Tem muito mistério envolvido aí e vale a pena descobrir durante a leitura da série.

      Só resolvi falar disso, porque o Jordan, apesar de ser bem detalhista, não erra o nome ou termo que ele queira usar durante o acontecimento de uma cena do livro. Se ele colocou o Ba’alzamon, com certeza ele queria que nós leitores tivéssemos uma ideia da cena com o ser conhecido como Ba’alzamon e não na forma do Tenebroso, acredito que seria essa a forma do autor plantar a dúvida no leitor e a edição em português com o erro na tradução acabou perdendo essa sutileza do Jordan. Uma pena.

      • Felix disse:

        Ah entendi!! Então na edição brasileira essa duvida foi “tirada” do livro e neste primeiro momento não tem muito problemas esse erro de tradução, ou tem? digo séria muito importante que tivessem traduzido certo?? Ou mesmo assim da pra entender a história sem lá na frente ficar confuso!!??

      • Cassy disse:

        Não é que a dúvida foi tirada do livro, mas a sutileza da escrita do Jordan, porque a dúvida ainda permanece devido a outras passagens do livro e na série em si. Eu acho que esse erro de tradução passa, porque a história da série vai corrigir isso nos outros livros. É algo natural, saberemos mais do personagem nos outros livros.

        Eu acho que seria importante que tivessem traduzido certo sim, para dar ao leitor a ideia mais exata possível de como o Jordan tem um jeito peculiar de escrever. Mas no meu caso eu já li o livro três vezes.

        E sim, dá para entender a história sem problemas. Vai fundo aí e espero que vc goste da série.

        E, Felix, desculpa se acabei de confundindo, mas tive que evitar os spoilers. rsrs

  4. Felix disse:

    Ash entendi!!! Nossa Cassy vc é demais muiiiitooo obrigado por me esclarecer e não se preocupe e que eu sou meio lerdo mesmo!! Nossa muito obrigado é que quando eu estou lendo alguma série ou um um livro que me intermeça muito eu fico louco pra entender tudo kk por exemplo quando eu estava lendo o mundo do Tolkien nossa
    Kk
    Eu via indo no apêndice dos livros kkk e mais uma vez thank you so much!!!

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