Resenha: The Tombs of Atuan, de Ursula K. Le Guin

The Tombs of Atuan capaTítulo: The Tombs of Atuan

Autora: Ursula K. Le Guin

Publicação: 1971

Número de páginas: 224 páginas

Editora: Atheneum Books for Young Readers

ISBN: 9781442480841

The Tombs of Atuan é o segundo livro do Ciclo Terramar, uma das obras mais aclamadas da escritora Ursula K Le Guin. Em Portugal, o livro foi publicado sob o título Os Túmulos de Atuan, enquanto no Brasil, o livro sai pela editora Brasiliense, sob o título As Tumbas de Atuan.

A Ursula K Le Guin faz parte daqueles escritores pioneiros no uso dos elementos da fantasia pós-Tolkien, mostrando que é possível criar personagens, locais e suas culturas, e elementos mágicos usando aspectos do nosso mundo real que vão além da cultura europeia. Um bom exemplo disso, é o próprio personagem da série Terramar, Ged, cuja aparência física a autora queria que fosse parecida com dos nativos americanos (índios americanos) e deixei para vocês na resenha do livro anterior, A Wizard of Earthsea, a carta que a autora escreveu, onde ela expressa toda a sua chateação ao ver que usaram um ator caucasiano para viver o papel do Ged em uma adaptação da série.

Enfim, da Ursula eu só poderia esperar algo bom, acima da média, tendo em vista a época no qual o livro foi publicado. E de certa forma, não me decepcionei. Está certo que o livro está muito aquém de seu antecessor, mas The Tombs of Atuan funcionou muito bem para mim. O livro é bem introdutório ainda, mas ao ler o posfácio da autora, dá para entender melhor porque a autora acabou escrevendo a história em Atuan ao invés de investir novamente em uma história cheia de cenas de aventura e ação.

Para vocês terem uma ideia do que quero dizer, The Tombs of Atuan se passa, em sua maior parte, na ilha de Atuan, mais precisamente nas escuras tumbas de Atuan, onde acontece o culto a entidades conhecidas como Os Sem Nome (em uma tradução bem literal). A sacerdotisa dessas entidades religiosas é a Ahra, que em toda a sua vida foi a sacerdotisa principal dos cultos em Atuan. Sobre a Ahra existe todo um conceito sobre o porquê ela é a sacerdotisa, como a descobriram e tudo mais, e o que ela e as entidades representariam.

O que me fez avaliar esse livro com uma média bem alta, pois The Tombs of Atuan é de fato bem mais fraco do que o seu antecessor, foi o uso dessa cultura religiosa e toda a desconstrução da personagem Ahra, onde mais uma vez a Ursula usa a força do nome, elemento já explorado no primeiro e o quanto a cultura religiosa não passa disso, uma cultura, tradição e não fé ou crença em si, além do fato de que muitas vezes o ser tido como iluminado pode, na verdade, estar na escuridão. Tudo tão bem escrito e tão bem concebido, sem qualquer desrespeito a qualquer culto religioso do nosso mundo, mas bem enfático em mostrar o quanto a religião depende de quem acredita e de como acredita. Eu achei bárbaro!

A Ursula tem um dom que é visto em poucos autores, onde uma cena simples, diz tanta coisa, mas tanta coisa. Às vezes chego a duvidar que o livro seja voltado para o público jovem, não porque os jovens não tenham capacidade para entender algumas das questões levantadas no livro e gostem somente daquilo que para eles é mais atraente, mas porque há tanta filosofia e aspectos teológicos e de culturas do nosso mundo real envolvidas, que penso que um leitor jovem ainda não tem bagagem para absorver tudo isso, não do jeito que a autora parece querer mostrar ao seu leitor. Acho que o mercado editorial se equivoca muito ao classificar determinadas obras, onde os personagens são jovens e acaba por colocar um texto de alta qualidade em mãos de quem não tem maturidade para entendê-lo.

Falo isso, porque no livro faltam cenas de apelo jovem, como as diversas cenas de aventura do Ged, no livro anterior, que serviria como entretenimento no meio dos assuntos mais sérios e maduros de A Wizard of Earthsea.

Vou terminar esta resenha, deixando os fãs do Ged despreocupados, pois ele está sim no livro. Deixo uma curiosidade sobre a criação da história: a Ursula diz no posfácio que criou Atuan e toda a história do segundo livro durante uma viagem pela parte sudeste do estado do Oregon, nos Estados Unidos. Toda paisagem dessa região, acabou se tornando a paisagem de Atuan, embora a autora não descreva muito o local no livro. Durante o trajeto, a Ursula criou e desenvolveu a história. Fica aí o incentivo ao amigos escritores.

Livro recomendadíssimo.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
Esse post foi publicado em Fantasia e Ficção Científica, Resenhas, Romance e marcado , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

6 respostas para Resenha: The Tombs of Atuan, de Ursula K. Le Guin

  1. Ois miga,

    Gosto muito desta saga já li tudo e só posso dizer que vai melhorando de livro para livro, continua a ler que vais ser recompensada. Imagino a quantidade de escritores que o feiticiero Ged deve ter inspirado🙂

    Excelente comentário sem duvida

    Bjs e boas leituras

  2. Lucas Soares disse:

    Infelizmente os livros da série vão se regredindo. Quando li o primeiro vi que a série tinha um potencial pra se tornar uma grande obra,mas não foi bem realidade. A autora sabe sim escrever mas não soube desenvolver bem a história. É uma pena.

    • Cassy Teodoro disse:

      Olá, Lucas Soares! Obrigada pelo comentário, pode ter certeza que a sua opinião é de grande valia. Abs! Só uma coisa, vc leu como tetralogia ou leu a série com os dois livros adicionais?

      • Lucas Soares disse:

        Não conheci os livros adicionais mas acho que eles merecem alguma atenção. Vou tentar acrescentar na lista. Sabe dizer se eles continuam com Ged mesmo?

  3. Pablo Alejandro disse:

    Serie boa para nossa imaginação, lançou ideias mto boas…tanto que para mim, a autora de Harry Potter usou mtas semelhanças, mas peca pela escrita mais seca, tem o esqueleto mais falta substancia, não se compara com livros como Harry potter que a autora detalha a historia, lugares, passado dos personagens e conversas.

    • Cassy Teodoro disse:

      Olá, Pablo. Eu achei bem interessante essa sua análise, porque, como eu disse na resenha, há momentos nos quais a autora usa um estilo mais adulto, onde não é necessário muita descrição na cena para que haja entendimento do que ela quis nos passar, por isso acho que essa escrita mais seca tenha a ver com a autora se limitando para não transformar a história em algo adulto, pois a série é destinada ao público juvenil. Mesmo assim, percebe que a escrita é maravilhosa em muitos pontos e mesmo sem detalhamentos dá para se compreender a essência.

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