Resenha: Caixa de Pássaros, de Josh Malerman

Caixa de Pássaros capaTítulo: Caixa de Pássaros

Título original: Bird Box

Autor: Josh Malerman

Publicação: 2015

Número de páginas: 268 páginas

Editora: Intrínseca

ISBN: 9788580576528

Maravilhosamente claustrofóbico!! Esta é, para mim, a melhor definição para Caixa de Pássaros, o livro de estreia da jovial promessa, Josh Malerman, no mundo literário. E que estreia, devo dizer! Lançado, aqui no Brasil, pela Intrínseca, este é um thriller psicológico totalmente perturbador e surpreendente e que, pela qualidade da narrativa proposta, não nos deixa largar suas páginas. É impossível parar de ler este livro, deixe-me logo alertá-lo, caro amigo(a) leitor(a). Eu ousaria até adjetivá-lo, sem nenhum exagero, como inovador, pois, eu não me recordo de ter ligo nada semelhante. Vamos, então, sem delongas, à estória.

O livro nos apresenta um cenário pós-apocalíptico, resultado de uma série de acontecimentos totalmente inexplicáveis. Sem nenhum motivo aparente, pessoas ao redor do mundo começam a cometer suicídios brutais ou atos de violência inomináveis contra outras pessoas, tudo isso supostamente após um breve contato visual com algo desconhecido. O terror, então, se espalha rapidamente: cobertores são postos nas janelas das casas, corpos mutilados se espalham pelas ruas, telefone e internet se tornam inúteis, cidades ficam desertas. A única certeza em meio ao caos que se instala é de que há algo muito perigoso lá fora.

É neste cenário aterrorizante que somos apresentados a Malorie, a principal protagonista da trama. Inicialmente cética quanto à ideia soprada aos quatro ventos de uma onda de mortes causadas pelo simples olhar a uma suposta “criatura”, ela logo se dá conta de que as notícias não são mera especulação ao presenciar o inesperado suicídio cometido pela própria irmã, e, em um momento crítico: quando Malorie descobre que está grávida.

Enquanto seu mundo pessoal desmorona, em um ato de desespero (ou autopreservação) ela resolve atender a um chamado publicado em um jornal local por um grupo de sobreviventes que havia se alojado em uma casa e que, em uma tentativa de manter contato com a civilização, ou com o que sobrou dela, resolve recrutar aqueles que estivessem dispostos a reagir a esta ameaça desconhecida. É assim que Malorie se junta a Tom, Felix, Jules, Cheryl, Olympia e Don, todos indivíduos que nunca se viram antes e que, pelas circunstâncias, passam a formar uma família. O problema é que neste microcosmo de confinamento forçado, a la Big Brother, não bastasse a ameaça que os assombrava, os sentimentos e desconfianças entre eles assumem contornos dramáticos e o convívio passa a ser cada vez mais complicado.

Com a chegada de Gary, um novo e enigmático morador, a situação piora ainda mais e dúvidas sobre os estranhos acontecimentos observados passam a permear o já conturbado ambiente da casa. Gary questiona se realmente há algo desconhecido, uma criatura, tal como dito, ou se nada mais seria tudo isso do que o caos gerado por uma simples sugestão que, por sua vez, estava levando as pessoas a cometerem atos que, normalmente, não cometeriam. Mas, ao final das contas, nada parece o que é!!!

Para nos levar a refletir sobre esses contrapontos da estória, Malerman, alternando uma narrativa entre momentos passados (em que ele nos explica os acontecimentos que levaram àquele situação) e presentes (quando, depois de quatro anos desde sua chegada à casa e, agora, com duas crianças aos seus cuidados, Malorie resolve fugir e buscar refúgio em um novo lugar após uma catástrofe inesperada) nos faz mergulhar no íntimo de cada um dos personagens. Eles, por sua vez (e para a alegria dos leitores), são levados a encarar os próprios medos, a tomar medidas extremas, com consequências igualmente devastadoras, tudo isso em um mundo de recursos escassos, em que a única forma de sobreviver é manter os olhos fechados.

E é aqui que está o ponto alto da obra. O sentimento de claustrofobia é totalmente perceptível. Não há como permanecer incólume à agonia dos personagens, tampouco às suas angústias. Chega a ser deliciosamente desconfortável esta sensação. Os sentimentos narrados pela autor transbordam das páginas de uma forma incrível, o que aumenta, e muito, a imersão do leitor neste mundo.

No geral, há apenas um ponto negativo que merece menção. O que me chamou a atenção no primeiro momento em que vi este livro foi seu título! Totalmente inusitado. Mas, ao fim, vi que pouco, ou nada, tinha a ver a narrativa com a tal caixa de pássaros, apesar de ela não ser um mero instrumento retórico. Realmente há esta caixa, mas ela não passou de um elemento coadjuvante no desenrolar do enredo.

De todo modo, isso, em nada ofusca a experiência da leitura. Aos que gostam de uma boa dose de terror psicológico este livro é uma aposta certeira que, sem dúvidas, proporcionará ótimos momentos de entretenimento. O desfecho é bem satisfatório, apesar de alguns pontos cruciais da trama, bem como o destino de alguns personagens importantes, não terem sido devidamente esclarecidos. Resumindo: apesar destes pequenos contratempos, o livro é garantia de uma boa leitura !!! Recomendadíssimo!!!

Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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6 respostas para Resenha: Caixa de Pássaros, de Josh Malerman

  1. Lucas Soares disse:

    Essa resenha deu uma grande vontade de ler, parece ser uma boa obra. Parabéns

    • Fábio Queiroz disse:

      Olá, Lucas. Olha, fazia tempo que eu não lia algo tão diferente e divertido. Apesar de ser muito boa, a narrativa tem alguns pontos que deixam a desejar, mas nada que desmereça a qualidade da obra. Se você é fã de suspenses psicológicos certamente vai gostar bastante. Se lê-lo, depois passe por aqui para dizer o que achou.

  2. Maurilei disse:

    Excelente livro, um dos melhores do gênero que li até hoje. Como está na resenha, inovador e maravilhosamente claustrofóbico.

  3. Fábio Albergaria de Queiroz disse:

    Maurilei, que bom que você também gostou! É fantástico, não é mesmo?! Esse é um daqueles livros de estreia que todo mundo sonha em escrever. E pelo enredo da obra acho que logo, logo, os direitos serão comprados por algum grande estúdio cinematográfico. Não será nada estranho se em breve vermos Caixa de Pássaros na telona.

    • Maurilei disse:

      Tomara mesmo Fábio que saia um filme de Caixa de Pássaros, com uma produção boa seria sensacional.

      bomlivro1811.blogspot.com.br

      • Fábio Queiroz disse:

        Haha, é verdade. Torço por isso também. Agora. se for para destruir a trama original, que nem façam né. Lembro-me da adaptação para o cinema de Solomon Kane. Achei meio fraco. Mas, claro, há também adaptações impecáveis, como foram todos os filmes de o Senhor dos Anéis.

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