Resenha: O Evangelho de Sangue, de James Rollins & Rebecca Cantrell

O Evangelho de Sangue capaTítulo: O Evangelho de Sangue

Título original: The Blood Gospel

Autores: James Rollins e Rebecca Cantrell

Publicação: 2014

Número de páginas: 480 páginas

Editora: Rocco

ISBN: 9788532528889

Uma mistura do melhor de Anne Rice com Dan Brown, de Entrevista com o Vampiro com o Código da Vinci: este é O Evangelho de Sangue, primeiro volume da série  A Ordem dos Sanguíneos, dos premiados e competentes James Rollins e Rebecca Cantrell. Temos, aqui, não apenas mais uma aventura vampiresca, mas algo totalmente surpreendente, um thriller apocalíptico do tipo non-stop, com sangue escorrendo pelas páginas e ação frenética, do início ao fim.

Primeiramente, devo dizer o quão bonita é a capa da versão tupiniquim, ilustrada por Julio Zartos. Eu, como disse aqui em outras resenhas, tenho fascínio por uma bela arte, logo, ao ver as ilustrações desta obra tive que comprá-la. Neste sentido, as edições brasileiras vem dando um show à parte, com belíssimos trabalhos gráficos, e o Evangelho de Sangue não é exceção. Capa maravilhosamente psicodélica e hipnotizante!

Capas das edições americana e brasileira

Capas das edições americana e brasileira

Quanto ao enredo, a trama de Rollins e Cantrell é um primor. A narrativa, com contornos de suspense gótico, se desenvolve a partir de fatos históricos verídicos (uma especialidade de James Rollins). Tudo começa em um antigo sítio arqueológico na cidade israelense de Cesareia, quando uma renomada arqueóloga, Dra. Erin Granger, descobre o que poderiam ser os restos mortais de vários bebês mortos por Erodes, a mais de dois mil anos, na tentativa de matar aquele que viria a ser o Rei dos Judeus: Jesus Cristo. Mas, logo, ela percebe que há algo muito estranho, as crianças não foram “apenas” assassinadas, mas, supostamente, devoradas por algo, ou alguém, o que, claro, ficou oculto nos registros da História.

Não bastasse o alvoroço de tal descoberta, capaz de reescrever a história do Cristianismo, um fato inesperado muda os planos de Erin e sua equipe. Ocorre um terremoto nas ruínas de Massada, outro sítio arqueológico muito importante, onde o povo judeu foi sitiado pelo numeroso exército romano há quase dois mil anos atrás. O incidente não apenas causou pânico e destruição, mas, também, revelou uma tumba há muito escondida. E lá, em meio ao caos, fora encontrada uma ossada cravejada por flechas de prata de uma criança com caninos pontiagudos, supostamente a guardiã de algo muito valioso que, ali, por milênios, permanecera escondido do mundo, mas que, misteriosamente, desaparecera. Erin é, então, sumariamente convocada pelo governo israelense para avaliar o cenário. Com ela, são enviados para explorar a descoberta o sargento americano Jordan Stone, com quem Erin começará um romance, e o enigmático Padre Rhun Korza, o representante de uma ordem secreta da Igreja Católica conhecida como Sanguinista.

E, então, quando nossos exploradores menos esperam, eles sofrem uma emboscada. Mas não para por aí.  A horda hostil que os ataca brutalmente não era formada por pessoas comuns, mas por seres com velocidade e força sobre-humanas, na linguagem sanguinista, Strigois: criaturas amaldiçoadas, selvagens e sem alma, nascidos de assassinatos e derramamentos de sangue, comumente chamados de vampiros.

Diante de tantos fatos inexplicáveis, não tardou para que muitas perguntas viessem à tona, dentre as quais: de onde vieram aquelas criaturas? Quem era aquela criança encontrada na tumba? Que objeto misterioso era esse escondido sob as ruínas de Massada? Pois bem, coube ao padre Rhun dar respostas, ou parte delas, e revelar o porquê de o destino (ou forças além da compreensão humana) ter colocado, lado a lado, pessoas que, aparentemente, não tinham nenhuma conexão uma com as outras.

O artefato procurado era conhecido como Evangelho de Sangue, um livro lendário supostamente escrito pelo próprio Cristo, com seu sangue, e em cujas páginas estariam os segredos de sua divindade. E, de acordo com uma antiga profecia, até então guardada a sete chaves pelo Vaticano, caberia a um trio – uma Mulher do Saber (Erin); um Guerreiro dos Homens (Jordan) e um Cavaleiro de Cristo (Rhun) – revelar os mistérios ocultos nas páginas deste artefato tão especial, capaz de conduzir a humanidade a uma era de ouro e prosperidade ou, então, à ruína e escuridão eterna, se caísse em mãos erradas.

A partir de então começa uma corrida contra o tempo para descobrir o paradeiro do Evangelho de Sangue que, pelas pistas deixadas em Massada, pareceu ter sido roubado durante a Segunda Guerra Mundial por uma seita nazista, o que levará nossos protagonistas à Alemanha, Rússia, Itália….E, nesta busca desesperada, um intrincado jogo de intrigas toma forma, com traições inesperadas levando nossos heróis ao limite, com segredos arrebatadores sendo revelados e, claro, com muito, muito sangue sendo derramado. Vemos, então, que nada é o que aparenta ser, amigos e inimigos não meros termos circunstanciais, a depender de momentos e alianças secretas e que, no fim, todos não passam de peões nas mãos de um grande mal chamado…..

Chega!! Se eu escrever mais vou revelar spoilers. O que posso dizer é que o livro é muito bom. Agora, há pontos que eu não gostei, o que não desmerece sua qualidade narrativa, pois, trata-se, basicamente, de uma questão de gosto. Eu, particularmente, não sou muito fã de romances, sobretudo platônicos, em livros de ação desenfreada, como é o caso de Evangelho de Sangue. Eu não consigo entender duas pessoas tentando se pegar, mas sem fazê-lo, em um mundo prestes a acabar e em meio a uma luta contra seres sobrenaturais. Contudo, pelo que parece, esta aventura sentimental poderá virar um triângulo amoroso e, aí, sim, ficaria muito mais legal, digamos, com um pouquinho de sacanagem. Vale lembrar, caros amigos, que o mundo está à beira do colapso, então, se é pra ter namorico, que seja em “tons de cinza”. O livro também deixa várias pontas soltas, o que é compreensível considerando a complexidade da trama e dos maravilhosos personagens que surgem ao longo desta inebriante aventura. Bem, resta-nos esperar para ver o que nos aguarda na sequência da série, pois este primeiro volume foi, simplesmente, de tirar o fôlego!!!!

Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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6 respostas para Resenha: O Evangelho de Sangue, de James Rollins & Rebecca Cantrell

  1. Ois,

    Gostei da resenha, apenas li um livro do escritor e gostei muito, vale bem a pena🙂

    Abraços

    • Fábio Queiroz disse:

      Olá, amigo corvo. Este é o primeiro livro que leio deles e achei fantástico. Como você disse, realmente, vale muito a poena!
      Abração

  2. Maurilei disse:

    Cassiana, deve ser muito bom mesmo este livro hein ! Sua resenha me deixou bem empolgado para lê-lo. Abraços !

    bomlivro1811.blogspot.com.br

    • Maurilei disse:

      Me desculpem o equívoco, pois foi o Fábio que fez a resenha.

      • Fábio Queiroz disse:

        ha, ha! Tudo certo, Maurilei. Aqui somos todos Dragonmountbooks!!!! Quanto ao livro, recomendo muito a leitura. Eu adorei, e olha que não costume ler muita coisa relacionada ao universo vamp. Este livro me fez repensar minhas preferências!

      • Cassy Teodoro disse:

        Estou tentando arrumar um jeito de transformar o Fábio em nosso colaborador de um forma oficial, mas o wordpress passou por atualizações que deixaram o processo um pouco chatinho. rsrs

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