Resenha: A Autoestrada, de Richard Bachman

auto estrada-OK.aiTítulo: A Autoestrada

Título original: Roadwork

Autor: Richard Bachman (Stephen King)

Publicação: 2009; originalmente, 1981

Número de páginas: 304 páginas

Editora: Suma de Letras

ISBN: 9788560280384

A Autoestrada é mais um livro do Stephen King, escrito sob o pseudônimo Richard Bachman. Se não me engano é o segundo livro que li dos livros do Bachman e gostei muito por passar muito bem as dores humanas e a forma como algumas pessoas encaram o seu sofrimento.

É um livro com uma atmosfera bem tensa, devido ao estado mental do protagonista, Barton Dawes, que após uma perda na sua família, vê o seu casamento entrar em crise, e para piorar, o lavanderia onde Barton trabalha, assim como a sua residência, serão demolidos pelo governo para a construção de uma autoestrada. Tendo a casa e o seu trabalho como os únicos objetos que o mantêm ainda de pé para encarar as mazelas da vida, Barton entra em uma guerra contra o governo e se recusa a sair de sua residência durante o processo de demolição.

Durante a leitura, é mostrado o quanto a casa (e até o local de trabalho) de Barton significa para ele. É o símbolo que mantém vivas as lembranças de sua família, o ser um bom marido, o ser um bom pai, também significa ter que lembrar de toda a luta para cuidar da esposa e do filho, bem como, dos momentos tensos que antecederam a perda sofrida por Barton. E saber que tudo aquilo pelo qual ele lutou, que durou longos meses e até anos, podem virar um amontado de entulhos em poucos minutos, o deixa fora de si.

O Stephen King passa muito bem ao leitor, através de sua ótima escrita, aquele sentimento de tensão, até raiva e ódio que o Barton sente. Não só pelo governo, mas pela situação em si, pela providência em si. É de fato um livro com uma carga tensa enorme, inclusive li algumas resenhas, nas quais os leitores diziam ter se sentido deprimidos durante a leitura. E comigo foi assim também. No entanto, o livro acaba por te puxar mais ainda para o texto, pois desperta a sua curiosidade para saber o que acontecerá no fim.

Apenas um momento do livro não me agradou tanto, embora eu entenda que provavelmente era uma forma do autor mostrar que nem tudo na vida se resume a sentir dor, raiva, magoa, mas eu achei que acabou destoando um pouco do livro em si.

Além da trama se versar nessa luta do Barton em se manter em sua casa, o livro mostra muito bem a questão política da época na qual se passa a história. O livro se passa no ano de 1973, em plena Guerra do Vietnã, e a trama mostra como o governo criou uma série de medidas, visando o desenvolvimento urbano de várias cidades americanas para desviar a atenção da população para a guerra (e vocês acham que isso só acontece no Brasil).

O desfecho é bem satisfatório, vai na lógica do King que todos nós, Leitores Constantes, estamos acostumados. E se fosse diferente, acho que teria soado muito falso e não seria condizente com a narrativa da obra toda.

Eu recomendo para os fãs do autor, pois não acho que seja o livro ideal para se conhecer a escrita do Stephen King, mesmo porque é um livro de suspense e muito leitores novatos querem ler o que tornou Stephen King tão famoso dentro do cenário do horror/terror, e a A Autoestrada pode ser uma decepção para esses tipos de leitores.

Para terminar esta resenha, alguns de vocês podem ter estranhado a grafia do título. Pois bem, até o ano de 2009, o título era grafado como A Auto-estrada. A partir de 2013 – e creio por conta do Acordo Ortográfico -, passou-se a escrever A Autoestrada.

Última curiosidade: A Autoestrada tem conexão com o livro Desespero, o conto A Máquina de Passar Roupa, da antologia Sombras da Noite, e com o conto Verão da Corrupção – Aluno Inteligente, da antologia Quatro Estações.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
Esse post foi publicado em Romance, Stephen King, Suspense/Terror e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

5 respostas para Resenha: A Autoestrada, de Richard Bachman

  1. Maurilei disse:

    Este ainda não tenho, mas como fã do autor fiquei interessado. Excelente resenha mais uma vez.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

  2. Maurilei disse:

    Este é um dos poucos que não tenho do King. Tenho que adquirir uma hora dessas, pois é um dos poucos autores que quero todos os livros publicados por aqui. Ótima resenha mais uma vez.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

  3. Ois,

    Pelo que percebo não é o ideal para quem queira experimentar o King, vou-me manter pela serie da Torre Negra, ainda assim parabens pelo comentário

    Bjs

    • Cassy Teodoro disse:

      Eu não indico, amigo Corvo. A escrita é boa e passa bem o sentimento do protagonista, mas para quem espera um livro de terror/horror, este não é o indicado. Claro, sempre há surpresas, pode ser que vc goste deste. Os livros do King aqui no Brasil estão disponíveis no formato digital também e fica mais fácil experimentar. Se não gostar é só retirar do leitor digital e continuar outra leitura.😛

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