Resenha: Asylum, de Madeleine Roux

AsylumTítulo: Asylum

Título original: Asylum

Autora: Madeleine Roux

Publicação: 2014

Número de páginas: 335 páginas

Editora: V&R

ISBN: 9788576837442

A loucura é algo relativo. Depende muito do lado da grade em que a pessoa está. Esta é a tônica a conduzir o leitor pela narrativa que nos é apresentada no excelente suspense, Asylum, best-seller do New York Times e livro de estreia da jovial promessa, Madeleine Roux, no mundo da literatura.

Primeiro volume de uma trilogia, Asylum despertou meu interesse já no primeiro momento em que li sua sinopse e me deparei com uma capa deliciosamente assustadora. E, apesar de ter lido algumas resenhas não muito positivas quanto à obra, embora poucas, é verdade, resolvi tirar a prova por minha conta. E, devo dizer, foi uma aposta certeira. Este foi um dos melhores livros que li até o momento, uma trama enervante e que se revelou uma grata surpresa.

Nesta narrativa acompanhamos a estória de Daniel Crawford (Dan), Abbigail Valdez (Abby) e Jordan, três típicos adolescentes passando por aquela (muitas vezes) temida fase de transição da escola secundária para o ensino superior. Em busca de novas experiências, cada qual com seus motivos, eles se matriculam em um curso de verão, de cinco semanas,  no tradicional New Hampshire College, uma Universidade local que oferece cursos de curta duração para possíveis ingressantes.

No entanto, devido a uma reforma, o alojamento dos alunos é temporariamente transferido para Brookline, um antigo prédio há muito desativado e, recentemente, adquirido pela universidade. Ocorre que Brookline guarda muitos segredos. Apesar da inofensiva aparência de um prédio histórico comum, ele fora, outrora, uma instituição de saúde mental ou, em outras palavras, um manicômio, por isso, a onipresente natureza soturna do lugar e o receio, e constante temor, com que a comunidade local lida com sua  indesejada presença.

asylum fig 1

Não bastasse o fato de ser um manicômio, em Brookline muitos experimentos terríveis foram conduzidos na aparente tentativa de curar sujeitos extremante perigosos como assassinos e psicopatas. E, o fato de estar em um lugar como este, claro, logo aguçou o interesse e curiosidade de nossos protagonistas que, apesar da proibição expressa, começaram a explorar os sótãos e corredores do velho edifício.

Asylum fig 2

E não tarda muito para que as coisas tomem um rumo totalmente inesperado quando Dan começa a ter desmaios súbitos seguidos por uma série de visões de fatos sórdidos ocorridos nas dependências de Brookline, só que há muito tempo atrás, ainda em seus tempos áureos. Seriam estas alucinações causados por uma situação de stress? Ou por algo pior?

Aos poucos vários acontecimentos inusitados e, aparentemente, sem uma explicação lógica ou racional tornarão este curso de verão a experiência mais dramática de suas vidas. E, na medida em que os mistérios do antigo manicômio vão sendo revelados, Dan e seus amigos se dão conta de que a presença dos três ali não é mera obra do acaso, mas o resultado de algo muito mais aterrorizante que os conectará profundamente com o passado sombrio daquele lugar.

Enfim, minha impressão. O início, meio bobinho, acendeu o sinal de alerta. Dan é o típico protótipo de adolescente cujas atitudes, exageradamente infantis em muitas partes da narrativa, me fizeram pensar que esta seria mais uma estorinha infanto-juvenil no estilo “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”. Mas, felizmente, esta impressão logo se desfez. As atitudes dos protagonistas são compreensíveis, e compatíveis com suas idades, afinal, são jovens lidando com muitas mudanças e dilemas pessoais, tão comuns nesta fase da vida. A trama ajuda bastante para que a narrativa seja fluida. Ela é tão bem construída que torna inteligíveis as ações do trio – apesar de, como dito, serem, por vezes, muito irritantes – no desenrolar do suspense, mais palpável a cada virada de página, o que me fazia, simplesmente, querer mais, saber o que viria a seguir, mesmo tendo uma vontade louca de ver Dan tomar um pontapé no traseiro.

Outro ponto super positivo são as ilustrações internas, todas elas montagens de fotos de manicômios reais que contribuem, e muito, para aumentar a sensação do terror imprevisível, como se algo muito ruim estivesse à espreita, prestes a acontecer a qualquer momento. O livro termina, então, com várias pontas soltas, o que é totalmente compreensível, afinal, muita coisa ainda estar por vir na sequência da série: Sanctum e Catacomb (além dos dois spin-offs). Em suma, Asylum foi uma leitura agradabilíssima, com todos os ingredientes de um ótimo suspense psicológico. Recomendadíssimo!

Asylum fig 3

Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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7 respostas para Resenha: Asylum, de Madeleine Roux

  1. Maurilei disse:

    Me interessei muito por esta trilogia. Mais uma para minha lista de compras.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

  2. Fábio Queiroz disse:

    Olá, Maurilei. Cara, eu gostei tanto de Asylum que já comecei a ler o spin-off da séria – Scarlets – que é tão bom quanto. E logo, logo deveremos ter em mãos o segundo volume linear da série, Sanctum. Acredito que a série te agradará bastante. Abraço.

  3. Pingback: Resenha: Sanctum | .:.Dragonmountbooks.:.

  4. Pingback: Resenha: Artistas dos Ossos, de Madeleine Roux | .:.Dragonmountbooks.:.

  5. Izumi Y disse:

    Quis ler esse livro desde que vi a capa,mas tive medo de ser uma decepção igual o orfanato da srta Peregrine, mas a sua resenha me estimulou a correr atrás dessa leitura kk

    • Fábio Albergaria de Queiroz disse:

      E mais uma coisinha que esqueci… se vc está interessada em uma série deste gênero, mas que arrebenta e é sucesso de público e crítica,
      te recomendo a quadrilogia O Monstrologista. É fantástica!!!

  6. Fábio Albergaria de Queiroz disse:

    Olá Izumi. Obrigado pela visita. Eu, particularmente, gostei bastante. A série em si é muito legal, com exceção, infelizmente, do último livro que achei bem displicente e abaixo do nível dos demais. Então, isso deve ser levando em consideração. Esse primeiro livro tem uma linguagem mais YA, mas, claro, por conta da própria idade dos protagonistas. na medida em que o enredo se desenvolve a narrativa tb ganha em complexidade. Depois compartilhe conosco suas impresões

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