Resenha: Messias de Duna, de Frank Herbert

Messias de DunaTítulo: Messias de Duna

Título original: Dune Messiah

Autor: Frank Herbert

Publicação: 2012; originalmente, 1969

Número de páginas: 216 páginas

Editora: Aleph

ISBN: 9788576571162

Messias de Duna é o segundo livro das Crônicas de Duna e se passa doze anos após os eventos de Duna. Arrakis, planeta mais conhecido como Duna, tornou-se o centro do Imperium, após a ascensão do novo imperador.

Os aliados do novo imperador espalham a sua forma de governar e sua filosofia pelos planetas conquistados, gerando grande insatisfação e um nova onde de conspirações contra o governo do Imperium.

Quando peguei Messias de Duna para ler, eu já tinha lido algumas resenhas e ouvido opinião de amigos que não tinham gostado tanto desse livro. De fato, é um livro mais fraco do que o anterior, porque acaba por ter uma trama, em princípio, repetitiva. Questões políticas unidas a questões religiosas mais uma vez são o tema.

O que eu achei, porém, foi que o autor mais uma vez acertou em sua abordagem do quanto assuntos de Estado e assuntos religiosos podem ter consequências desastrosas, em especial munido de princípios que tendem para o lado ditatorial de quem deveria zelar pelo bem-estar de seus governados. Fiquei bem surpresa com as atitudes de um dos personagens, que em alguns momentos teve atitudes digna de um déspota, embora com intenções bem justificadas.

As questões religiosas são bem colocadas pelo autor, que em nenhum momento tende por essa ou aquela religião do nosso mundo e nem ofende ninguém por isso. O que fica claro é que por mais que um império se funde em preceitos religiosos e/ou legais a sua aplicação deve ser feita da mesma forma para quem quer que seja. Isso sem demagogia.

Acho que nas cadeiras de sociologia e filosofia de muitas faculdades, os livros da série Duna deveriam ser estudados, porque são tantas situações parecidas com o nosso mundo real e comportamentos humanos, sejam de quem é governado, sejam dos governantes, que chega a arrepiar. Frank Herbert acerta em cheio em diversas abordagens, em especial naquela tão vista em diversos países: quando se põe a esperança de mudança em um única pessoa, transformando-a em algo maior, em um Messias mesmo. Tudo se faz em nome dessa pessoa e não em nome de si, por direito de si e sim porque agrada a essa pessoa.

Os perigos de um Messias vivo, que é um ser humano, que tem defeitos e que uma hora acabará por cometê-los é o tema do livro.

Some-se a isso tudo, religião, religiosidade e Estado, o fator econômico representado pela disputa no controle da especiaria, que já havia sido explorado no livro anterior, mas que aqui ganha mais evidência e ajuda a entender melhor o lado empresarial dos governantes e porque algumas atitudes são tomadas em prol de seus próprios benefícios.

O autor aproveita para desenvolver melhor alguns dos personagens do livro anterior, além de mostrar alguns interessantes aspectos tecnológicos, que mereciam ter sido mais bem explorados. Sem contar que alguns personagens que aparecem no início do livro acabaram ficando avulsos no decorrer da trama.

A escrita é ótima, mas em alguns momentos eu achei algumas situações forçadas, que não condiziam com a personalidade e caráter dos personagens, por mais justificadas que fossem as suas ações.

Em suma, Messias de Duna é um ótimo livro, que funciona mais como um final de ciclo ou como um complemento de Duna. Não o vejo tanto como uma sequência em si, no sentido de dar um novo rumo ou desenvolver melhor a trama da série. Apesar de não ter gostado do final, achei o desfecho adequado e uma boa escolha do autor por tudo que aconteceu, pois desde a leitura de Duna já se tem uma ideia de que isso de fato acabaria acontecendo.

Série recomendadíssima.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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8 respostas para Resenha: Messias de Duna, de Frank Herbert

  1. Eu tenho a impressão que livros Sci-fi não são pra mim.
    Eu não consigo me prender aos livros do Herbert, Asimov, K.Dick e do C.Clark. A linguagem deles, a maneira de escrever, pra mim é muito parado e enfadonho.

    Eu li Messias de Duna, demorei mas li. O Universo é fantástico, mas eu sinto o livro arrastado demais, com um meio “pesado” e demorado para chegar num fim interessante. E isso em todos os livros dele. E o mesmo vale para os autores ai citados.

    Estou começando agora Hereges de Duna, e vai ser outra Via Cruxis pelo “Caminho dourado” para terminar.

    • Cassy Teodoro disse:

      Dizem que Hereges de Duna é o pior da série.

      Sobre Messias de Duna ser meio “pesado”, concordo. Eu gostei do livro, adoro a escrita do Frank Herbert, mesmo as viagens na maionese, mas o livro tem esse climão fatídico mesmo e meio paradão ao mesmo tempo. Ele não tem as emoções de Duna. Para mim ficou muito claro que é uma continuação de Duna como fechamento de ciclo e não como sequência da série. Tipo um Duna 1.7, já que o Duna 1.5 seria o livro Paul de Duna.

  2. Fiacha disse:

    Ois,

    Sou da opinião que o Duna é melhor livro e que até fica bem encerrado como stand alone, mas sem duvida que este Messias mesmo não sendo tão bom, está longe de não ser um livro interessante, porque o é, como deixaste bem claro no comentário🙂

    Pena a SDE não terminar pelo menos a trilogia, faz com que tenha de ler o livro seguinte em digital o que é pena.

    bjs

    • Cassy Teodoro disse:

      Pena mesmo, amigo Corvo. É possível encontrar toda a série traduzida por fãs, além dos livros da outra editora. Eu tenho os três primeiros da editora Aleph e acho que o quarto será (re)lançado em outubro. Vamos ver. Uma pena saber que a série acaba caindo de nível, mas como disse o Heitor em outro comentário, o Universo é incrível.

  3. Diego disse:

    Eu conheço bastante gente que fala de Duna , o mais perto que cheguei de um livro Sci-fi foi o Guia do Mochileiro das Galáxias que simplesmente amei e quando peço alguma recomendação ou dica de um livro Sci-fi que é um lado que não conheço , Duna com certeza sempre esta no meio.
    Me pergunto se a fama de Duna se limita apenas ao primeiro ou a toda série , eu sei que o primeiro livro é considerado como um clássico mas não costumo a ouvir tanto sobre o resto da série ou “As Crônicas de Duna” de modo geral.

    • Cassy Teodoro disse:

      Oi, Diego! Eu estou descobrindo o universo de Duna. Tenho conhecidos de redes sociais que adoram todos os livros, mas algumas resenhas que vi no GR me pareceram bem desanimadoras. Eu gosto do lado humano da Sci-fi. Será que sou uma SWJ e não sabia? rsrs Enfim, Duna vale a pena ler, Messias é ótima, mas não chega aos pés de Duna.

      Outro bom autor que vc pode tentar é o Asimov. Eu tb gostei do John Scalzi, li Lock In, que parece não ser o melhor trabalho dele e gostei muito. A Aleph vai publicá-lo aqui, na verdade, a série Old Man’s War que vai ganhar resenha aqui no blog tb.

      Além disso, tem o James S. A. Corey (Daniel Abraham e Ty Franck) com a série The Expanse (falei dela no meu outro blog o Escotilha Literária) e a Ann Leckie com Ancillary Justice e Ancillary Sword. Todos saem no ano que vem pela editora Aleph.

  4. Maurilei disse:

    Fiquei satisfeito com o primeiro volume da série e confesso que não estou muito animado pra ler os demais. Mas vai que um dia eu acabe mudando de ideia rsrsrsrs

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