Resenha: Eu, Robô, de Isaac Asimov

Eu Robô capaTítulo: Eu, Robô

Título original: I, Robot

Autor: Isaac Asimov

Publicação: 2004; originalmente, em 1950

Número de páginas: 318 páginas

Editora: Ediouro

ISBN: 9788500015298

Eu queria muito ler as obras do Asimov. Sei que muitos de vocês começaram a ler na adolescência e possuem uma visão dos trabalhos do autor muito mais completa e muito mais crítica do que a minha, mas não economizarei na empolgação (ou falta dela) nas minhas resenhas do trabalho do autor como uma leitora novata.

Apesar de todas as recentes análises sobre a obra e o comportamento antissocial do autor em convenções literárias, não dá para negar que Asimov tem um grande papel na ficção científica, inclusive nos trabalhos mais recentes do gênero. Não vou endeusar o autor, como por vezes fazem com Tolkien na fantasia, porque como ser humano, Asimov com certeza tem suas falhas como escritor. Algo que perceberei lendo os outros livros dele.

De qualquer maneira, qualquer elemento usado pelo autor que me pareça despropositado e fora de contexto, caso não seja spoiler, será mencionado nas resenhas.

Dito isso, vamos à resenha propriamente dita.

Eu, Robô consiste em nove contos publicados nas revistas americanas Super Science Stories e Astounding Science Fiction, entre 1940 e 1950, e compilado em um único livro publicado em 1950 pela editora Gnome Press.

Cada conto apresenta uma história em si, com começo, meio e fim, mas com uma ligação com os demais contos do livro. A narração acontece em terceira pessoa, embora cada história seja um relato contado pela Drª Susan Calvin ao seu entrevistador.

O livro apresenta as Três Leis da Robótica e as situações conflituosas que podem surgir devido à extrema obediência a essas leis, bem como os problemas que podem aparecer quando a obediência de uma das leis entra em conflito com obediência às demais. Ao leitor também é contado as soluções encontradas pelos envolvidos.

O livro também lida com a technofobia, em uma das histórias mais comoventes do livro, onde uma garotinha se vê privada da amizade com o seu melhor amigo, que é um robô.

Além da Drª Calvin, os personagens que ganham mais destaque são os robôs apresentados em cada um dos nove contos e os cientistas Gregory Powell e Mike Donovan. O Asimov não apresenta um grande aprofundamento dos personagens e todas as situações nos quais alguma característica de personalidade é apresentada têm a ver com a questão envolvendo um robô problemático, excetuando-se o conto sobre a technofobia.

Eu gostei muito de todos os contos, em especial aqueles nos quais a Susan participa de forma mais ativa. As situações enfrentadas por Powell e por Donovan são ao mesmo tempo graves e cômicas, mostrando que o autor tem uma boa técnica de escrita.

O que mais me chamou a atenção foi a percepção do quanto as situações se assemelham com a nossa sociedade. Eu sempre imaginei que ficção científica mais clássica fosse algo no qual o autor só se preocupava com tecnologia, máquinas e conflitos interplanetários, mas ao ler Duna vi algo diferente do que eu esperava e achei que esse lado um pouco mais frio e menos filosófico eu encontraria lendo Asimov e me surpreendi com a crítica social embutida ali nos contos que integram Eu, Robô, embora não haja no texto do Asimov, aquele aprofundamento transcendental dos livros da série Duna.

Outra coisa que me agradou muito foi o cenário ou os cenários, ora localizado em outros planetas, ora em um planeta Terra com uma estrutura geopolítica regida de forma muito semelhante com a Terra real, mas com cuidado de se separar os blocos por questões culturais e étnicas, o que em princípio me deixou preocupada a ponto de pensar que o autor estava sendo preconceituoso, mas, no fim, acabou sendo uma grande crítica maravilhosa.

Eu adorei ler Eu, Robô e, apesar de todas as questões tecnológicas muito bem explicadas e exploradas dentro do possível se fazer em contos, foram as questões humanas que me chamaram a atenção, porque se adequaram muito bem ao contexto.

Espero que vocês leiam, gostem e voltem aqui para contar o que acharam ou deixem a sua opinião, caso já tenham lido.

.:.Abraços e até a próxima.:.

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Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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5 respostas para Resenha: Eu, Robô, de Isaac Asimov

  1. Maurilei disse:

    Tenho vários livro do Asimov na estante e ainda não iniciei a leitura de seus livros. Já passou da hora de eu conhecer o trabalho deste autor que é uma referência do gênero de ficção científica.

  2. Pingback: O robô Atlas do Google e inteligência artificial

  3. Pingback: Minha ordem de leitura dos livros do Asimov | .:.Dragonmountbooks.:.

  4. Pingback: Resenha: Eu, Robô | Robótica Educacional

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