Resenha: Binti, de Nnedi Okorafor

BintiTítulo: Binti

Autora: Nnedi Okorafor

Publicação: 22 de setembro de 2015

Número de páginas: 96 páginas

Editora: Tor Books

ISBN: 9780765384461

Binti é o primeiro trabalho que leio da escritora americana Nnedi Okorafor, autora que mistura bem a ficção especulativa e elementos da cultura nigeriana.

No conto, Binti é uma adolescente do povo Himba e tem a chance de cursar a Universidade Oomza,  a melhor instituição de ensino superior da galáxia. Em seu caminho para a universidade, Binti sente os primeiros sinais do choque cultural, tão bem contextualizado pela autora com o que acontece no nosso mundo que chega a ser incrível saber o quanto pessoas confundem falta de conhecimento da cultura de alguém com preconceito, ao mesmo tempo que fica evidente o que de fato é preconceito (leia-se racismo mesmo, queridos amigos), que chega a me dar nojo saber que existem pessoas que acham que todos as vítimas de preconceito estão na verdade se vitimizando.

O interessante neste conto é ver como a Nnedi contextualiza tão bem a situação, de modo a não parece vitimismo ou coitadismo, ao mesmo tempo em que mostrar atos de pura curiosidade e ignorância (no sentido de desconhecimento) daqueles atos de preconceito, no qual o personagem se sente no direito de julgar e desfazer da cultura de alguém. Além disso, a Binti sofre com o preconceito da própria família e amigos do povoado, onde a autora mostra o quanto as chamadas minorias, muitas vezes, duvidam de suas próprias capacidades ou da capacidade alheia, também através de atos preconceituosos travestidos de questões culturais.

Em determinado momento do texto, Binti é obrigada a lutar pela sua sobrevivência e é justamente o que ela é, a sua cultura e seu respeito aos seus hábitos culturais que vão fazendo com a jovem ganhe tempo e se mantenha salva dos seres conhecidos como Medusas. São momentos muito interessantes e esclarecedores, que fazem a jovem conhecer mais sobre a cultura das Medusas, ao mesmo tempo que esclarece algo sobre a nossa, em especial, sobre existirem seres humanos cujo o tom de pele são mais escuros.

O desfecho poderia ter sido melhor trabalhado, mas o ótimo recado da autora está dado e é que sempre se prega em conflitos de origem cultural, territorial e étnica: o respeito.

Eu adorei conhecer a escrita da Nnedi, mesmo sendo um texto mais curto e pretendo ler outras obras da autora. A mistura de ficção científica, fantasia e a parte da cultura africana ficou linda e bem realista. O mais bacana foi perceber que não há aquela coisa de levantar uma bandeira pró-raça negra. Do começo ao fim é o respeito e a diversidade o tema do texto.

Recomendadíssimo.

.:.Abraços e até a próxima.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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