Resenha: The Broken Kingdoms, de N. K. Jemisin

the broken kingdoms capaTítulo: The Broken Kingdoms

Autora: N. K. Jemisin

Publicação: 2010

Número de páginas: 384 páginas

Editora: Orbit

ISBN:  9780316075985

The Broken Kingdoms é o segundo livro e se passa na cidade de Shadow, na parte baixa da World Tree. Oree, uma artista com um estranho e ao mesmo tempo lindo dom para a pintura, é a protagonista e quem narra a história. Ela tem como hóspede um misterioso homem e através dele Oree acaba entrando em uma trama que envolve muita intriga e conspiração.

Outro livro maravilhoso nesta trilogia, onde a Jemisin novamente trabalha de forma magistral os elementos fantásticos e mostra  o quanto ainda se pode explorar em uma história usando-se velhos temas. A Oree a exemplo da Yeine vem de uma etnia considerada inferior, tanto por questões culturais quanto em aparência, mas diferente da protagonista do livro anterior, Oree vive na camada mais popular de World Tree, o que nos permite conhecer outras partes, uma vez que no primeiro livro, tirando algumas menções a outras nações, a história se concentrou no palácio da família Arameri.

Nesse segundo livro, conhecemos um pouco mais sobre o mundo onde se passa a série e um pouco da história da terra natal da Oree, que envolve a participação dos deuses e seus conflitos. A obra também serve para a autora apresentar ao leitor a entidade sobrenatural antagonista dos deuses, mas não exatamente sob a temática bem x mal. Os deuses e seus antagonistas são diferentes por questões de origem e princípios.

A interação da Oree com os demais personagens é maravilhosa e gostei bem mais dela como protagonista e narradora do que da Yeine. A Oree representa um conjunto de aspectos das minorias da nossa sociedade, das pessoas que todos os dias têm que se superar porque ninguém no mundo pensou na necessidade delas, porque não são pessoas normais, porque são a classe baixa, mas engana-se quem pensa que a N. K. coloca tudo isso de forma a fazer  da Oree uma pessoa sem qualquer habilidade, força e personalidade. A Oree é maravilhosa e uma das melhores personagens criadas no gênero. A Oree também representa para o leitor aquele preconceito embutido na gente, o que nós muitas vezes fazemos com outros e  nem nos damos conta até sofrermos algo parecido.

Achei a narrativa deste segundo livro bem mais pesada, diria até mais provocativa, mas não agressiva ou desrespeitosa com alguma etnia do nosso mundo real representada ali através dos personagens do livro. No entanto, é impossível não sentir nas palavras do texto a revolta em ser considerado um ser inferior por puro preconceito. Os diálogos são excelentes e deixam bem claro o que é uma situação quando há preconceito movido por questões sociais e quando a questão é étnica e cultural.

É claro que, como um livro de ficção, a autora não fica somente nas mazelas das suas personagens (isso pode ser notado também no livro anterior). Como eu disse no começo deste artigo, a N. K. trabalha muito bem os elementos do gênero, criando algo com uma identidade própria, que chega a surpreender o leitor em diversos momentos. A N. K. não tem medo de ousar, de provocar o leitor, de fazê-lo pensar e refletir. É difícil não gostar de nenhum dos seus personagens, mesmo aqueles que pouco aparecem na trama.

O desfecho do livro foi uma mistura de sentimentos: surpresa, agonia, alegria, alívio, tristeza e, por incrível que pareça, achei bem justo.

Uma pena essa autora ainda não ter despertado o interesse de nenhuma editora brasileira e creio que poucos de vocês a conhecem.

.:.Até mais, gente!.:.

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Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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2 respostas para Resenha: The Broken Kingdoms, de N. K. Jemisin

  1. fiacha disse:

    Ois Cassy,

    Não conhecia mas pelo que percebi seria uma excelente aposta para ser publicado no Brasil e mesmo por cá, quem sabe um dia.

    Excelente resenha como sempre 😉

    Abraços

    • Cassy Teodoro disse:

      Aí pelo menos vocês portugueses já tem uma tradição em ler livros escritos por mulheres sem ficar achando que é romance de banca. rsrs Aqui não é assim. Muitos me perguntam se vale a pena ler determinada autora, se o livro dela é assim ou assado, e nunca fazem o mesmo quando o livro é escrito por um homem. Não sou militante feminista, mas não dá para deixar de reparar nisso. rsrs

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