Resenha: Windhaven, de Lisa Tuttle & George R. R. Martin

Windhaven capaTítulo: Windhaven

Autores: Lisa Tuttle & George R. R. Martin

Publicação: 1981

Número de páginas: 268 páginas

Editora: Bantam

ISBN: 9780553897197

Buscando ler mais livros do Martin, afinal, quem se diz fã desse autor não deve ficar somente na série de TV e muito menos em um único trabalho dele resolvi aceitar a dica de dois queridos amigos e ler Windhaven, livro escrito pelo Martin em parceria com a autora Lisa Tuttle.

Eu gostei muito da leitura, mas acabei não me envolvendo tanto com a história quanto eu gostaria, no entanto, é uma obra que recomendo para qualquer fã de literatura especulativa que queira aumentar o seu acervo.

Windhaven é um livro de fantasia que mistura elementos da ficção científica. Para alguns leitores é apenas ficção científica, para outros, fantasia. A dica que eu passo é leiam e tirem suas próprias conclusões. Para mim, tem um pouco dos dois gêneros. A trama se passa no planeta Windhaven. O local é formado por muitas ilhas e isso torna a comunicação entre os habitantes do planeta impossível, para piorar o mar é cheio de perigos e o clima propício a tempestades e ventanias, porém, existe uma elite de pessoas com equipamentos e habilidades para viajarem de ilha a ilha, trazendo para os seus habitantes, as novidades, canções e histórias sobre outros locais, são os flyers/voadores.

Apesar de eu ter adorado o cenário, com todos os perigos e desafios apresentados aos flyers (eles usam asas de metal), achei o mundo de Windhaven muito parecido na sua formação em ilhas com o mundo criado pela Ursula K. Le Guin na série Terramar. Há diferenças, claro, e não estou dizendo que a Lisa e o Martin imitaram ou plagiaram a Ursula, muito pelo contrário, Windhaven tem sua vida própria, mas eu teria curtido mais se não tivesse lido Terramar. Ainda tem o fato de que os autores não exploraram tão bem o mundo, mas isso pode ser pelo fato da história ser contado pelo ponto de vista da Maris e a importância estar no que acontece com ela no desenrolar da trama.

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Fonte: fort.wikidot.com

Maris é filha de um pescador, mas acaba sendo adotada por voador chamado Russ. Sem outra pessoa para herdar a sua missão como voador, Maris cresce aprendendo o ofício, mas é preterida quando o seu irmão mais novo Coll nasce, isso cria uma revolta em Maris que vai buscar de todas as formas uma maneira de se tornar flyers. Fica bem claro a crítica à cultura onde a Maris é desmerecida por não ser filha biológica e pelo fato do Russ ter um filho homem.  É mais uma bela crítica ao que aconteceu (e ainda acontece) em muitas sociedades do nosso mundo. Até a pouco tempo atrás, aqui mesmo no Brasil, tínhamos esse tipo de cultura, no qual apenas o filho-varão (esse era o termo) mais velho herdava; a mulher somente era herdeira na falta de um filho homem. E ainda tinha o direito de ser filho/a e herdeiro/a apenas os filhos de sangue advindos do casamento, os demais eram considerados bastardos. Ler isso retratado, a luta da Maris em provar as suas habilidades e buscar a realização do seu sonho é maravilhoso.

Outro ponto é o próprio Coll, o irmão da Maris, cujo sonho não é herdar o seu lugar entre os flyers, mas sim se tornar um cantor. Durante a leitura, lembrei-me de entrevistas de artistas, em especial cantores e atores/atrizes de teatro, que começaram suas carreiras no fim dos anos 60, alguns nos anos 70 e outros nos anos 80 e que sofreram bastante com seus familiares, em especial, seus pais, quando anunciaram que queriam ser artista. Isso porque ser artista nessas épocas- e ainda hoje, viu? – é visto por muitas pessoas como vagabundagem. As mulheres, então, sofriam ao serem chamadas de prostitutas. Então, não é incomum ver no livro, o sonho do Coll ser considerado absurdo pelo seu pai.

Embora seja uma história muito interessante, com personagens cativantes e resgates culturais de uma época que não queremos mais em nossa cultura, mas que infelizmente ainda existe em muitas, Windhaven teve trechos onde a história quase descambou para a chatice, em especial na segunda parte. Devo falar aqui que o livro, na verdade, é formado por três novelas, todas com começo meio e fim, mas que dependem umas das outras para dar um bom entendimento na história toda. No geral, é uma boa história, mas pegando em separado, novamente cito a segunda novela/segunda parte do livro, temos algo que não chega a ser enrolação, mas deixa a história sem aquele ótimo clima do começo e do desfecho.

Mesmo assim, eu recomendo. Acho que o livro deve chegar no Brasil em breve pela vocês-sabem-qual-editora. Leiam e tirem as suas próprias conclusões. Espero que gostem bem mais do que eu gostei.

.:.Até mais, gente!.:.

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Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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2 respostas para Resenha: Windhaven, de Lisa Tuttle & George R. R. Martin

  1. fiacha disse:

    Ois,

    Um livro que me surpreendeu pela positiva, gostei muito 🙂

    Abraços

    • Cassy Teodoro disse:

      Olá, amigo Corvo! Eu tb gostei da leitura, mas alguns trechos acabaram por ser um pouco mais lentos, em especial na segunda parte, em relação à boa narrativa da primeira parte. É um livro muito bom e tenho certeza que quando chegar por aqui, os fãs do Martin vão gostar.

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