Resenha: A Maldição do Wendigo, de Rick Yancey

a maldição do wendigo capaTítulo: A Maldição do Wendigo

Título original: The curse of Wendigo

Autor: Rick Yancey

Número de páginas: 456 páginas

Publicação: 2012

Editora: Farol Literário

ISBN: 9788562525421

Em A Maldição do Wendigo, segundo volume da série O Monstrologista acompanhamos, novamente, as épicas aventuras de nossa inusitada dupla de protagonistas, o enigmático Dr. Pellinore Warthrop, o maior monstrologista de sua época, e Will Henry, um órfão que fora acolhido como seu assistente após a trágica morte de seus pais. Mas, antes de adentrarmos neste universo, cabe um breve adendo. Se você, amigo viciado em livros, ainda não conhece a série, deixe-me dizer que ela é sensacional, inovadora e viciante e, aqui no blog, você pode conhecer mais um pouco sobre o universo desta trilogia fantástica na resenha de seu primeiro livro, O Monstrologista.

Agora, se você já foi apresentado à monstrologia – a ciência que estuda formas de vida geralmente não reconhecidas como organismos existentes, em especial aqueles considerados produtos da mitologia – bem-vindo a mais uma aventura incrível nesta que é, sem dúvidas, uma das obras mais interessantes da literatura fantástica contemporânea. Desta vez, Rick Yancey nos leva, conduzidos por seus personagens, às desoladas florestas do Canadá de fins do século XIX em busca de uma criatura mítica, conhecida nas lendas (seriam lendas?) por sua insaciável fome por carne humana.

E tudo começa quando o antigo mentor de Warthrop, Dr. Von Helrung, levanta a possibilidade da existência, como diziam os antigos índios algonquinos canadenses, “daquele que devora toda a humanidade”. Ainda segundo as lendas locais, ele possui vários nomes – Atcen, Djenu, Outiko, Vindiko, ou, como é mais comumente conhecido, Wendigo – é um ser muito antigo, a própria essência do mal. Quanto mais ele come, mais faminto fica, em um frenesi incontrolável por mais vítimas. E as vítimas, quando sobrevivem, encontram um destino ainda pior que a morte – acabam se tornando a própria fera.

O Wendigo

O Wendigo

O outrora amigo de Warthrop, John Chanler, agora, seu atroz rival e desafeto, desapareceu misteriosamente em busca do Wendigo e, sua esposa, Muriel Chanler, recorre ao único homem capaz de descobrir o que realmente aconteceu com John. Claro, ninguém menos que nosso grande monstrologista … e, a tiracolo, seu fiel escudeiro, Will. Mas as coisas não são tão simples, pois Warthrop e Muriel tiveram um passado antes e esse, digamos, complexo triângulo amoroso que se desenha, adiciona muito em emoção à narrativa.

Um ponto super interessante do livro é que o elemento fantástico não é aquele que dita os acontecimentos, pelo menos não em boa parte do livro, mas, sim, os sentimentos da natureza humana em seus confins mais obscuros e profundos. Mais uma vez, tal qual no primeiro livro da série, somos levados a questionar se faz alguma diferença haver monstros no mundo, afinal, o grande mal jaz na própria humanidade, em outras palavras somos, nós, os verdadeiros perigos. Isso me faz lembrar uma das máximas do grande filósofo Thomas Hobbes de que o homem é o lobo do próprio homem em uma constante guerra de todos contra todos! E é isso que o livro nos mostra de forma crua.

Neste volume o autor, Rick Yancey, dá uma de George R. R. Martin e não tem nenhum pudor em derramar sangue, inclusive, daqueles personagens que passamos a nutrir grande simpatia! Mas, voltando à estória, depois de resgatar seu amigo praticamente à beira da loucura, Warthrop, também no limite de seu corpo e mente, pois, por diversas vezes, se viu face à face com a morte nesta missão suicida, é convidado por seu antigo professor a participar do encontro anual da sociedade de monstrologia, em Nova York.

Enquanto Von Helrung planejava defender a tese de que o Wendigo de fato é real sendo John Chanler a prova de sua existência, pois estava se tornando, ele próprio, um Wendigo, caberia a Warthrop refutá-lo e, indo contra seu antigo mestre, provar que as estranhas mudanças no comportamento de John Chanler eram fruto do stress causado pelos infortúnios no Canadá, nada mais. Será!?

E enquanto o duelo entre Von Helrung e Warthrop mobiliza a atenção de todos, mortes inexplicáveis, muito parecidas com aquelas atribuídas ao Wendigo, ocorrem em Nova York levantando, então, uma série de questões: seria um assassino em série ou realmente havia um ser sobrenatural trazendo o medo e o caos à cidade? Até onde vai o limite entre a razão e a crença no desconhecido?

Também há uma dose cavalar de emoção, sobretudo, em torno da conturbada relação entre Will e Warthrop e que determinará o futuro desta parceria. Outro ponto muito legal é que o autor, Rick Yancey, também se torna personagem na série. O início e o final do livro tem o ano de 2007 como cenário, onde Yancey é um jornalista investigativo convidado para desvendar uma série de anotações e diários deixados por um velho moribundo encontrado morto e que, enquanto vivo, alegava ter, nada mais, nada menos, que 131 anos. Seu nome: William Henry, o nosso protagonista.

Sobre ele não havia nada, nenhum registro, nenhum documento, apenas os diários onde ele relatava incríveis aventuras ao lado de Warthrop. E os livros da trilogia seriam, segundo Yancey, a publicação dos diários de Will na tentativa de, ao torná-los públicos, encontrar algum parente ou conhecido. Uma jogada de marketing genial! Portanto, além da narrativa fantástica há, também, o mistério por detrás daquela figura enigmática. Seriam os diários de Will os devaneios de uma mente conturbada ou relatos de eventos que realmente aconteceram? Enfim, o que posso dizer é que esta série é um achado extraordinário e que não pode faltar na estante dos amantes de uma boa literatura. Em breve retornarei com a resenha do último livro da trilogia: A Ilha de Sangue! Até…

Fonte da imagem O Wendigo: http://monstrumology.wikia.com/wiki/Wendigo?file=Picture_17.png.

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Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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3 respostas para Resenha: A Maldição do Wendigo, de Rick Yancey

  1. fiacha disse:

    Viva,

    Excelente resenha, espero que venha a ser um dia publicado desta lado do atlântico pois dá para perceber que estamos na presença de uma excelente trilogia 🙂

    Abraços

  2. Fábio Queiroz disse:

    Olá Amigo Fiacha. Eu diria que a trilogia é mais do que excelente, ela é fantasticamente excepcional. Recomendo que vc leia a versão digital, valera cada minuto de seu tempo. Forte abraço

  3. Pingback: Resenha: A Descida Final, de Rick Yancey | .:.Dragonmountbooks.:.

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