Resenha (filme): A Garota Dinamarquesa

A garota dinamarquesa posterTítulo: A Garota Dinamarquesa

Título original: The Danish Girl

Duração: aproximadamente 119 minutos

Ano de produção/estreia: 2015

País de origem: Estados Unidos

Gênero: drama, pseudo-biografia

Cinebiografia de Lili Elbe (Eddie Redmayne), que nasceu Einar Mogens Wegener e foi a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de gênero. Em foco o relacionamento amoroso do pintor dinamarquês com Gerda (Alicia Vikander) e sua descoberta como mulher.

Antes de começar a falar do filme, já deixo a minha crítica negativa e o porquê de eu suar a expressão pseudo-biografia. A Garota Dinamarquesa chegou aos cinemas como uma cinebiografia, mas na realidade é uma adaptação do livro de mesmo nome de autoria do escritor David Ebershoff.

Obviamente, não estou chamando o filme de pseudo-biografia, pelo fato de ser uma adaptação, mas sim por ser a adaptação de um livro que é uma pseudo-biografia. Em seu site, o próprio autor, que tem muitas de suas obras adaptadas, revela que o livro é amplamente inspirado em uma história real sem, no entanto, chamá-lo de biografia, mas usando os nomes de pessoas reais e situações bem parecidas com as que se tem notícia em relação à Lili Elbe. É importante falar disso aqui, pois muitos de vocês que tenham interesse em assistir ao filme ou ler o livro, tenham a consciência de que muita coisa ali é criação da mente do David, portanto, nunca aconteceu nas vidas da Lili e da Gerda.

Entretanto, mesmo como uma ficção em sua maioria com personagens que de fato existiram, o filme não deixa de retratar um importante assunto referente à descoberta de sua real sexualidade e querer a todo custo realizar o sonho de ser uma pessoa completa, literalmente de corpo e alma. O que para muitos soa como blasfêmia, agressão à leis divinas, sem-vergonhismo,  era para a Lili uma questão de se ver como um ser humano completo, pleno e a forma que ela achou para realizar esse sonho foi se submeter a um experimento que era a hoje conhecida cirurgia de transgenitalização, comumente chamada cirurgia de troca de sexo.

Entendam, queridos, mesmo que vocês sejam fãs do Malafaia, ou chamem o Bolsonaro de Bolsomito que a questão é bem simples: não se trata de um homossexual, tratava-se de uma mulher presa no corpo de um homem e a adequação física para quem se enxerga pertencente ao sexo oposto ao do seu corpo físico é a forma de ser ver plenamente com o ser humano que a pessoa deveria ser.

eddie redmayne como einar wegener

Eddie Redmayne como Einar Wegener

E o Eddie Redmayne passa isso de uma maneira brilhante, a cada expressão, quando ele ainda é o pintor Einer, ainda homem, e depois quando já como Lili, em cada gesto e olhar o espectador percebe o quanto é importante para ela ser uma mulher plena. Infelizmente, há um sonho que cada vez que é mencionado no filme, corta o coração, pois até hoje ainda não foi possível, mas só contribui para a sensibilidade com que o tema é tratado. Agora, a sensibilidade esbarra na impessoalidade, o que eu achei muito bom para uma produção que retrata temas desse tipo, ou seja, é apenas a exposição, o relato do que está acontecendo, sem levantar bandeira, sem tentar forçar o espectador a aceitar a situação só para ser partidário da causa dos transgêneros. Tudo é contado com a intenção de mostrar ao espectador que apesar de tudo, a Lili é um ser humano tentando realizar o seu sonho, seu caráter e muita de sua personalidade estão ali e não há pedido de aprovação ou reprovação, concordância ou discordância, ela apenas quer ser feliz e ponto.

Lili e Gerda

Lili e Gerda

Outra coisa, não tem provocação ao mundo hetero. As circunstâncias apresentadas são muito contextualizadas, inclusive as cenas que mostram atos violentos contra os homossexuais. Não há um discurso de ódio contra os heteros como pessoas insistem em dizer quando se mostra casos assim. Há, claro, gestos homofóbicos, que não poderiam deixar de ser mostrados, afinal o filme se passa nos anos 20 e, se hoje, em pleno século XXI, temos diversos atos homofóbicos, imagina naquela época?

Em contrapartida, temos a Gerda, a esposa do Einar, que vê o seu marido se transformar na Lili e percebe que o que começou como uma brincadeira está tomando proporções mais sérias. E é lindo ver que por mais que a perda do marido seja algo terrível para Gerda, o amor que ela ainda sente pela já Lili acaba sendo comovente e a atriz passa isso de uma forma maravilhosa, o que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz coadjuvante no Oscar.

a verdadeira Lili Elbe

A verdadeira Lili Elbe

Além dessas questões pessoais, o filme ainda retrata as questões culturais da época,  tem um figurino muito bonito e bem recriado, além de uma boa fotografia.

A única coisa, acho que pelo limite do filme, acaba sendo quando o Einar se descobre como mulher, achei muito rápido como tudo vai acontecendo, mesmo ficando claro que há uma transição ali, não foi algo que aconteceu da noite para o dia, como é nos casos reais, imagino.

Enfim, assistam e tirem as suas próprias conclusões.

.:.Até mais, gente!.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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