Resenha: Artistas dos Ossos, de Madeleine Roux

Artistas dos OssosTítulo: Artistas dos Ossos

Autora: Madeleine Roux

Publicação: 2016

Número de páginas: 110 páginas

Editora: V&R

ISBN: 9788576839583

A série Asylum, best-seller do New York Times, foi uma das gratas surpresas literárias que tive o prazer de conhecer ano passado. Apresentando-nos uma narrativa que mistura, com maestria, suspense e terror, a autora, Madeleine Roux, nos brinda com um texto original e tenso, ingredientes indispensáveis para o sucesso de propostas desta natureza.

Em Artistas dos Ossos, segundo spin-off da série, acompanhamos a estória paralela de um dos personagens coadjuvantes, porém importantes, do segundo volume linear: Sanctum. Com a mesma escrita criativa tão marcante nos volumes anteriores – ao mesmo tempo aterrorizante e enervante – a narrativa recai, desta vez, no jovem Micah, o citado personagem cuja trajetória em Sanctum era, até então, repleta de enigmas.

Dito isto, em Artista dos Ossos tudo começa quando Micah e seu amigo inseparável, Oliver, recebem uma proposta um tanto quanto inusitada, porém, capaz de lhes render dinheiro fácil: roubar artefatos em sepulturas. Os misteriosos empregadores – como dedutível a partir do título, conhecidos como Artistas dos Ossos – seguem regras simples e claras: 1) o Artista deve escolher um objeto importante para o falecido; 2) o Artista não deve sentir culpa nem remorso pela apropriação e, por fim, e mais importante, 3) o objeto, para surtir os efeitos esperados, deve entrar em contato com sangue e, quanto mais inocente for o sangue, mais poderoso o resultado.

Após aceitarem as condições deste, digamos, trabalho paralelo, tudo ia bem para Micah e Oliver, ressalte-se, apesar da natureza incomum do que faziam. Contudo, depois de alguns percalços nossos protagonistas resolvem abandonar a ingrata tarefa de violadores de túmulos, afinal, roubar pertences ou partes dos corpos dos mortos não é algo que passe despercebido por muito tempo ou, tampouco, seja agradável. Mas, da pior maneira possível, eles logo descobrirão que os Artistas dos Ossos não são muito amáveis com quem pensa em desistir desta mórbida empreitada.

E, então, quando a narrativa está a mil por hora, ela acaba com um enigmático email enviado a Oliver por Micah … deixando várias perguntas no ar, tal qual os livros anteriores. Devo dizer que este é, sem dúvidas, o episódio mais sombrio e tenso da série, o que me agradou bastante, pois, deste o primeiro livro, vemos, gradualmente, a narrativa ganhando em intensidade e complexidade. Apesar de terminar inesperadamente, Madeleine Roux deixa, com muita habilidade, pistas para o que estar por vir, mas não de uma maneira que seja facilmente dedutível. Ela também nos revela fatos importantes da vida dos personagens que, certamente, terão grandes repercussões no último e muito esperado volume da série: Catacomb.

Enfim, minha impressão. A série, como um todo, é excelente. Este é, como dito, um spin-off, bem curtinho. Em uma hora é possível lê-lo, por isso, temos ação do começo ao fim, pois não há tempo a perder e, nesse sentido, Madeleine Roux cumpre habilmente a proposta narrativa que nos oferece: uma aventura curta, porém em alta rotação, o que contribui para manter constante a atenção do leitor.

Um ponto importante é que, apesar de reveladores e muito interessantes, é possível ler a série linear sem os dois spin-offs. Contudo, recomendo vivamente que todos os cinco episódios sejam lidos para que a experiência seja completa. Sabe aquele filme bem legal que quando aparecem os créditos finais, todos saem da sala do cinema … e depois ficamos sabendo, pelo comentário dos que ficaram, que houve uma cena ao fim? Pois bem, a sensação é a mesma. Os spin-offs equivalem a estas cenas: não interferem no entendimento do contexto geral, mas com eles é bem mais legal!

Se você gostou da resenha e optou em dar uma chance à série Asylum, eis a sequência da leitura: Asylum (linear); Scarlets (spin-off); Sanctum (linear); Artista dos Ossos (spin-off) e Catacomb (linear).

Em suma, temos em mãos uma série cuja leitura, pelo menos para mim, tem sido agradabilíssima, com todos os ingredientes de um ótimo suspense psicológico/terror clássico. Recomendadíssimo! E, em breve, aqui no nosso amado, estimado e digníssimo blog, a resenha do livro que fecha esta surpreendente série! Até!!

Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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