Resenha: Perdido Street Station, de China Miéville

Perdido Street Station capaTítulo: Perdido Street Station

Autor: China Miéville

Publicação: 2000

Número de páginas: 640 páginas

Editora: Del Rey

ISBN: 9780345464521

Perdido Street Station é considerado o melhor livro da carreira de China Miéville como escritor. E não é para menos, o livro ganhou um dos principais prêmios de literatura: o Arthur C. Clarke Award. Aliás, China coleciona prêmios e indicações para os seus trabalhos e chegar naquele que é considerado o melhor livro do autor deixa qualquer leitor bem ansioso e comigo não foi diferente. E mais uma vez o China não me decepcionou.

Perdido Street Station, cuja edição brasileira – Estação Perdido – tem previsão de lançamento para o mês que vem pela editora Boitempo, é o primeiro livro da trilogia Bas-Lag, também conhecida como trilogia New Crobuzon. A história se passa na cidade-estado de New Crobuzon, cujos aspectos urbanos e populacionais são muito bem retratados pelo autor em sua narrativa. Essas aspectos lembram bastante os nossos grandes centros urbanos com todos os seus problemas relacionados à políticas urbanas, diferenças entre os locais onde residem pessoas de alto padrão econômico e onde residem a população carente.

O livro retrata ainda questões de política econômica e para quem conhece a ideologia do China Miéville e toda a sua carreira acadêmica fica o aviso: ele Marxista. Mas não se preocupem, durante a leitura e ao final do livro, vocês não ficaram com a sensação de que devem ir até o guarda-roupa de vocês e pegar a primeira camisa vermelha e sair nas ruas gritando “Golpe!” a plenos pulmões. Até porque o livro não tem qualquer intenção por parte do China de te convencer a acreditar nos ideais marxistas, é pura e simplesmente uma crítica que independe de ideologia. O aviso é por conta do radicalismo – de todos os lados – que tem ocupado a mente de muitos que pensam estar defendendo um ideal, quando na verdade está agindo sem parar para pensar nas consequências do que é dito aos outros.

O que eu quero dizer é, embora o China não queira e um livro de ficção nem para isso serve, doutrinar os seus leitores na teoria marxista ou algo assim, ele critica de forma bem evidente o capitalismo, porém, de uma foram que até quem defende o capitalismo entende. A crítica é a busca desenfreada por desenvolvimento, por progresso, para o bem de uma população que no fim das contas não recebe nada desse progresso, não vê nenhum progresso acontecer. Para leitores muito radicais pode soar como uma crítica esquerdista apenas, mas para quem tem olhos para ver e enxerga de fato o que acontece a sua volta, vai perceber que o China não está tão errado assim. Além disso, temos vários outros autores de ficção fazem o mesmo, não é algo de alguém que defende essa ou aquela teoria, é a realidade colocada em um livro de ficção.

Bas Lag mapa

Mapa de Bas-Lag

A história gira em torno do cientista Isaac que se compromete a ajudar o garuda Yagharek, com isso Isaac acaba ajudando na criação de um ser que leva perigo à população de New Crobuzon. A amante de Isaac, uma artista chamada Lin, é contratada pelo maior gangster da cidade, o Sr. Motley, para esculpir a sua figura. O Sr. Motley está envolvido com algo relacionado a uma droga chamada dreamshit, que coloca em risco a sanidade da população em New Crobuzon. O prefeito, que posa de bom governante, mas faz as parcerias mais sinistras da cidade, tenta lutar combater essa ameaça, uma vez que também lhe afeta, mas quem acaba sendo o perseguido pelo governo é Isaac e seus amigos.

É óbvio que a história envolve todo um contexto narrativo, onde o leitor perceberá os problemas referentes ao dreamshit e à produção dessa droga, bem como as situações enfrentadas por Isaac para tentar acabar com tudo isso. E durante a narrativa, o autor aproveita para apresentar os seres que habitam New Crobuzon, uma analogia bem feita em relação às nossas etnias. O autor não se descuida dos aspectos tecnológicos.

Perdido Street Station ilustração

Estação Perdido

O autor, assim como em King Rat, mistura à narrativa elementos do terror, uma vez que Perdido Street Station não é somente um livro distópico, mas também do gênero New Weird, consagrado pelo próprio China e que tem elementos presentes nas obras de H. P. Lovecraft. O livro também passa pelo gênero Steampunk, muito bem contextualizado e que acrescenta bons elementos à história e dá mais credibilidade aos aspectos tecnológicos e científicos da história. E a narrativa do China que é maravilhosa, mesmo aqueles momentos em que a narração cai um pouco, o autor mantém o leitor curioso e ansioso pela próxima cena.

Apesar de tudo isso, eu não sei se recomendaria Perdido Street Station para quem ainda não leu China Miéville, eu recomendaria para os iniciantes a leitura de King Rat/Rei Rato primeiro, afinal é a primeira obra do autor e retrata de forma parecida os aspectos urbanos, embora Perdido Street Station vá mais além. De qualquer maneira, o livro é excelente, uma mistura maravilhosa dos elementos da ficção científica – distopia, steampunk, new weird – com elementos da fantasia – em especial da fantasia urbana – e elementos do terror e do suspense ao estilo de Rei Rato.

Leiam e tirem as suas próprias conclusões. Eu ADOREI!

Fontes: Mapa de Bas-Lag – mapsales.com, Estação Perdido – curufea.com.

.:.Até mais, gente!.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
Esse post foi publicado em Fantasia e Ficção Científica, Resenhas, Romance, Suspense/Terror e marcado , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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