Resenha: O Senhor da Torre, de Anthony Ryan

O senhor da torre capaTítulo: O Senhor da Torre

Título original: Tower Lord

Autor: Anthony Ryan

Publicação: 2016

Número de páginas: 704 páginas

Editora: Leya Brasil

ISBN: 9788544102527

Em A Canção do Sangue, primeiro volume da série A Sombra do Corvo, de Anthony Ryan, fomos apresentados a um dos personagens mais interessantes e enigmáticos da literatura épica, Vaelin Al Sorna, um jovem abandonado aos 10 anos de idade que, em meio a várias adversidades, descobriu ser portador de um dom surpreendente – a canção do sangue. De um mero aprendiz da Sexta Ordem da Fé, Vaelin torna-se o maior guerreiro do Reino Unificado, cantado em prosa e verso. Erigido à condição de lenda, Vaelin é, para muitos um herói, para outros o Lâmina Negra, um mal como nunca visto antes.

Sem dúvida, esta série é fenomenal: Ryan cria um Reino impressionante em seus mínimos detalhes e com tudo o que uma narrativa épica exige: intrigas, traições, guerras civis e religiosas, reviravoltas inesperadas, mistério e muito, muito sangue derramado. O primeiro volume da série é, em minha opinião, um dos melhores livros do gênero e, por isso, minhas expectativas quanto à sua continuação, O Senhor da Torre, eram imensas.

Vamos, então, a ela. Nesta sequência, acompanhamos Vaelin – desiludido com o jogo de poder em que fora envolvido e que muito lhe custou – em sua tentativa de renunciar a um passado sombrio. Sua única pretensão estava em proteger sua meia-irmã, Alornis, a qualquer custo e, para tanto, aceita do Rei Malcius Al Nieren o indesejado posto de Senhor da Torre dos Confins do Norte, numa derradeira busca pelo tão almejado isolamento do mundo e, igualmente, determinado a nunca mais matar.

Mas Vaelin carrega consigo a marca daqueles agraciados (ou amaldiçoados) com a Canção do Sangue: a inexorável companhia da destruição, destino que o leva a mais uma sangrenta batalha, desta vez quando um mal antigo e inominável avança contra o Reino restando, então, ao Lâmina Negra, mais uma vez, trazer por sua espada aniquilação aos que se puserem em seu caminho.

Apesar de ser uma leitura interessante, sobretudo, por conta do crescente protagonismo de Frentis, um órfão salvo por Vaelin (ainda no primeiro livro) e que se torna um combatente formidável e, também, um grande ponto de interrogação quanto ao seu papel no desenrolar dos eventos, definitivamente, esta sequência está muito aquém de sua antecessora, o que não significa de forma alguma que a leitura seja ruim ou algo do gênero. Simplesmente, ela não está à altura do primeiro livro, o que é muito comum em segundos volumes de trilogias e, neste caso, não foi diferente. Os livros de transição entre o início e o epílogo de narrativas, sobretudo épicas, destinam-se a amarrar pontas soltas, desenvolver pontos pouco explorados e preparar o terreno para o grande desfecho e, por isso, costumam ter, por vezes, um desenvolvimento menos impressionante (apesar, claro, disso não ser uma regra).

Ademais, há vários motivos para que este livro não tenha alcançado o mesmo sucesso. Primeiro, como dito no início desta resenha, temos em mãos uma obra épica, com muitos eventos acontecendo ao mesmo tempo. O Senhor da Torre recomeça exatamente do ponto onde termina a Canção do Sangue, em meio a uma complexíssima guerra civil e, no meu caso, que o li há mais de um ano, foi bem difícil acompanhar a narrativa. Talvez porque nesse intervalo eu tenha lido dezenas de obras, e muito do que aconteceu com Vaelin eu já não me lembrava. E isso prejudicou um pouco a minha leitura.

Por isso, se você não conhece a série, mas está interessado em lê-la, deixe-me dizer que vale muito a pena. Em segundo lugar, recomendo que você a leia em sequência, assim, a leitura flui de uma forma muito mais intensa. Aqui cabe um adendo. Li em alguns blogs que a Leya, selo editorial responsável pela série no Brasil, está passando por sérios problemas financeiros e já cogita até mesmo vender seu catálogo para alguma editora que se interesse. Se em tempos de calmaria a Leya já deixava a desejar, imagine agora! Boato ou não, espero, sinceramente, que, se verdadeira a notícia, a Leya saia o quanto antes desta, pois em um país em que a literatura é tratada como artigo supérfluo, tudo o que não precisamos é de mais uma baixa no mercado editorial.

Voltando ao que interessa, temos em O Senhor da Torre, uma série de novas guerras, personagens e mistérios, a maioria deles, de alguma maneira e em graus variados, ligados aos acontecimentos do primeiro livro. Contudo, as estórias são, em um primeiro momento, independentes umas das outras, narradas de forma intercalada, sob o ponto de vista de cada personagem (Vaelin, Frentis, Reva, Verniers, Lyrna), o que torna a leitura difícil e bem complexa até que, nas últimas 100 páginas, os acontecimentos começam a desaguar em uma trama comum, em que os destinos de cada personagem se cruzam, mas, como esperado para uma obra desta grandeza, deixando várias perguntas no ar.

Outro ponto que me incomodou foi o fato de Vaelin aparecer no livro já tendo dominado a Canção do Sangue sem que o processo tenha sido mostrado aos leitores. Ao fim do primeiro livro ele ainda tentava descobrir a origem de seu dom e, do nada, em o Senhor da Torre, nosso protagonista já o controla muito bem. Assim, a ligação entre Vaelin e a Canção, ponto central da narrativa, não é devidamente explicada, sobretudo quanto às suas implicações, o que me desapontou bastante. Mas em se tratando de trilogias espero que ao fim tudo seja explicado, até porque a Canção terá um papel marcante nos fatos que estão por vir, como apontou um inesperado encontro entre Vaelin, à beira da morte, e uma misteriosa personagem.

Que venha então, e logo, o esperado desfecho desta trilogia épica: A Rainha de Fogo (Queen of Fire). E se você, amigo e amiga, viciado(a) em livros, leu ou pretende ler O Senhor da Torre, dê uma passadinha aqui em nosso digníssimo blog e compartilhe suas impressões conosco. Sua opinião é muito importante.

Até a próxima resenha!

Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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13 respostas para Resenha: O Senhor da Torre, de Anthony Ryan

  1. GUILHERME SILVA disse:

    Não sei se vc já leu o terceiro livro, mas postarei um aviso: achei deveras decepcionante.
    Adorei os dois primeiros livros, e gostei muito, tava bem empolgado para o terceiro, e no começo atendeu minhas expectativas. Porém, a partir mais ou menos da segunda metade, a impressão que me passou é que o autor fez correndo, em poucas paginas o que deveria ter muitas. Não digo que é a unica opinião possível do livro, mas que fique avisado que é uma possível

    • Fábio Albergaria de Queiroz disse:

      Sério, Guilherme!! Ahh não!! O primeiro realmente foi fenomenal e,mesmo com o segundo decepcionando um pouco, tinha muitas expectativas quanto ao desfecho da narrativa. Mas vamos ver né..começando a ler com uma expectativa mais baixa talvez torne a leitura mais palatável.

  2. Filipe Faria disse:

    Eu estou lendo A Canção do Sangue agora, estou um pouco depois da metade e estou gostando muito. Vou tentar seguir a recomendação de ler O Senhor da Torre logo em seguida. Eu tinha lido que a editora Leya ia acrescentar ilustrações na nova edição de ACS e nessa de OST, mas a edição que eu comprei só veio com a capa nova. Vocês tem alguma informação?
    Gosto muito do blog, parabéns pelo ótimo trabalho🙂

    • Fábio Albergaria de Queiroz disse:

      Olá Filipe. Bem, a Leya apenas mudou a capa, o que causou bastante polêmica, sobretudo, por parte daqueles que esperavam que o antigo layout fosse mantido. Eu, inclusive, acho a arte original muito melhor…mas enfim, a editora não se pronunciou, pelo menos não oficialmente, sobre uma versão com ilustrações…e acho que isso não vai ocorrer a considerar que a nova versão acabou de ser relançada. E quanto a ler o Senhor da Torre na sequência vai te ajudar bastante a manter a atmosfera desta narrativa. Depois nos diga o que achou..e obrigado pelo comentário.

  3. vagnerstt disse:

    Quero muito ler esse livro, mesmo já sabendo que não é tão bom quanto o primeiro, já que essa parece ser uma opinião geral mesmo, quase 90% de todos os leitores dizem isso. Vaelin é foda, tentarei desbravar O Senhor da Torre até o final do ano!

    • Fábio Albergaria de Queiroz disse:

      Olá Vagner. O livro realmente é bom, o problema é ter que compará-lo com o primeiro (o que é inevitável). Espero que o último volume arrebente para compensar!

  4. Luca disse:

    Olá, já li os dois primeiros livros da trilogia. Há alguma previsão para o lançamento do ultimo no Brasil?

  5. Roberto Filho disse:

    Poxa, achei A Canção do Sangue uma das fantasias mais interessantes que li. De certo modo vou ler com as expectativas mais baixas, mas talvez funcione melhor comigo já que li o primeiro volume há poucos meses.
    Fica minha torcida para que a Leya saia dessa situação, pois, bem ou mal, é um grupo editorial que publica muitos livros de Fantasia aqui nosso país.

  6. Opa, blz?
    Terminei ontem a Canção de Sangue, e já estou correndo atrás do Lorde da Torre, como você comentou que leu a mais de um ano, vou ajudar a refrescar a memoria em uma partezinha haha, vc falou que não explica muito bem como ele dominou a canção, isso sim, mas ele quando Verniers fala que ele deve estar fora de forma que não estava praticando, Vaelin olha pra ele e disse e quem disse?.. Verniers fala que não é possivel fazer muita coisa preso oque ele ficou fazendo?.. e Al Sorna responde Cantando.. Ou seja por mais que não mostre, ele ficou treinando seu canto por 5 anos incessantes. E pelo que vemos quando ele alcança a verdadeira aceitação no final da canção de sangue , ele começa a cantar mais claramente indo até Lyrna, Sherin e ate mesmo Frentis.

    vendo o comentarios de vcs fiquei um pouquinho desanimado com o proximo, mas vamo que vamo…

    Sobre a situação da Leya creio ser verdade. Um amigo meu trabalha na Amazon distribuidora da Leya e falou que a coisa esta feia lá.

  7. Fábio Albergaria de Queiroz disse:

    Olá Gustavo. Muito obrigado pelo seu comentário. Sem dúvida, o fato de haver um grande intervalo entre a leitura do primeiro e do segundo volumes atrapalhou um pouco. Neste caso, por serem grandes volumes, vale muito a pena lê-los na sequência. Em minha opinião, o primeiro livro é um dos melhores de todos os tempos. Assim, criei muita expectativa para o segundo. E, pelos comentários que li, o desfecho da série deixa a desejar, mas, enfim, como vc disse, vamos que vamo!! E volte sempre!!!

  8. Rubens rds disse:

    Acabei de ler ontem, e gostei bastante !
    Acredito que não senti essa “decaída” entre o primeiro e o segundo pois comecei a ler ” O Senhor da torre ” imediatamente depois de terminar a “A canção de sangue “, ( Não deu nem tempo de desapegar do universo do Ryan ) .
    Enfim, parabéns pela resenha, e aguardemos Queen of fire.

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