Resenha: Deuses Esquecidos, de Eduardo Kasse

Deuses esquecidos capaTítulo: Deuses Esquecidos

Autor: Eduardo Kasse

Publicação: 2013

Número de páginas: 237 páginas

Editora: Draco

ISBN: 9788582430378

Em um tempo em que os deuses antigos estão cada vez mais esquecidos e a Igreja Católica ganha cada vez mais fiéis, em troca de uma lealdade baseada no medo de serem punidos por um Deus sem nome e sem rosto, mas totalmente insensível às falhas humanas, cuja a demonstração de poder se faz através de homens igualmente insensíveis, conhecemos Alessio di Ettore, um camponês que trabalha no mosteiro de sua vila, onde vive com sua mulher e seu filho.

Alessio acredita piamente nesse Deus da Igreja e segue os dogmas da instituição, sendo um marido zeloso e um pai amoroso. Uma certa noite, Alessio se depara com um ser que o transforma em algo bem diferente daquele aceito pelo seu Deus e vai aprender que ter fé significa muito mais do que apenas seguir o texto sagrado à risca e temer o Deus impiedoso. Ele se torna um vampiro, ser noturno que se alimenta da vida, e isso vira um verdadeiro fardo para o homem que vê em sua nova condição um pecado contra o seu amado Deus, mas também é a chance de testar a sua própria fé.

Deuses Esquecidos é o segundo livro da série Tempos de Sangue e nos mostra como foi a transformação de Alessio na criatura noturna e sua adaptação à nova condição. Em relação ao que aconteceu com o outro vampiro da série, o Harold Stonecross, cuja história foi contado no primeiro livro, eu achei a de Alessio mais detalhada em alguns aspectos da nova vida vampiresca.

Por se passar no período da ascensão do cristianismo, a história tem, em seu desenvolvimento, cenas que demonstram os mandos e desmandos daqueles que obedeciam as palavras de Deus e tiravam de circulação aqueles que não se enquadravam no esquema do ser maior e Alessio não poderia mais fazer parte do esquema de Deus sendo o que é, por isso, passou a ser perseguido por um monge que nada deve aos Inquisidores.

O livro também retrata a condição dos próprios monges, que são os homens de Deus na Terra, e como muitos de fato acreditam nisso e outros que usam a Igreja e a palavra de Deus para os seus próprios interesses – nada muito diferente de certos congressistas nossos. A história tem ainda, um grupo de crianças órfãs, da qual nada se sabe, mas que sobrevivem e são unidas, porém, não recebem seque uma ajuda da Igreja tida como benevolente, mas que veria essas crianças como criaturas não alcançadas pelo amor do ser maior.

Tudo é contado em três focos narrativos. Assim, tem-se o ponto de vista do Alessio, o dos monges e o do grupo de crianças. Tudo muito bem amarrado e que ajuda a entender a época, os seus costumes e cultura e o quanto realmente, apesar de todo o mando e desmando, algumas pessoas mantinham a sua fé e outras viraram as costas para a sua crença. Além das dúvidas quanto à benevolência desse Deus.

Por fim, tenho que dizer que adorei o desfecho, pois foi bem condizente com toda a narração da história. Pena não poder dizer em detalhes o quanto adorei o momento de redenção do Alessio, portanto, fica a minha recomendação da leitura dessa excelente obra da nossa literatura fantástica, que mistura muito bem a ficção vampiresca e a ficção histórica, em um tempo de deuses esquecidos.

.:.Até mais, gente!.:.

Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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4 respostas para Resenha: Deuses Esquecidos, de Eduardo Kasse

  1. alanaffreitas disse:

    É possível entender um livro sem ter lido o outro da série? Ou as histórias são atreladas?

    • Cassy Teodoro disse:

      Até certo ponto dá sim, mas um personagem do livro anterior é mencionado e para entender a referência é necessária a leitura do primeiro livro.

    • Cassy Teodoro disse:

      Olá, alanaffreitas, apesar da minha resposta, pouco mais de dois meses atrás, o autor confirmou que é possível sim ler Deuses Esquecidos antes de O Andarilho das Sombras sem problemas para o entendimento do restante da série. Abs e desculpe pela sugestão furada😛 !

  2. Pingback: Divulgação: Ruínas na Alvorada, de Eduardo Kasse | .:.Dragonmountbooks.:.

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