Resenha: O Verão das Bonecas Mortas, de Toni Hill

Verão das bonecas mortas coverTítulo:  O Verão das Bonecas Mortas

Título original: El verano de los juguetes muertos

Autor: Toni Hill

Publicação: 2012

Número de páginas: 372 páginas

Editora: Tordesilhas

ISBN: 9788564406636

Barcelona, uma cidade efervescente, cosmopolita, cheia de vida e, também de mistérios. Este é o cenário escolhido pelo escritor espanhol, Toni Hill, como o ambiente para o excelente O Verão das Bonecas Mortas, um thriller policial dos bons onde somos apresentados ao inspetor argentino Héctor Salgado, o protagonista principal desta perturbadora aventura que, com rara elegância para obras do gênero, nos põe diante de um misterioso quebra-cabeça capaz de deixar em frangalhos até mesmo os nervos dos leitores mais familiarizados com narrativas policiais!

Alvo de uma investigação pela agressão e desaparecimento do suspeito de um caso de tráfico de mulheres e cheio de frustrações pessoais – o fim do casamento aparentemente estável devido à inesperada escolha de sua esposa por viver com outra mulher – o experiente detetive Héctor, mesmo em meio a este turbilhão de emoções, é designado por seu superior para investigar algumas mortes aparentemente sem nenhuma conexão e que, à primeira vista, parecem não ser mais do que frutos de infortúnios ou da cotidiana e brutal violência do mundo moderno: o afogamento de Iris Alonso em um acampamento de verão para crianças e adolescentes e, treze anos depois, o suicídio de Marc Castells, o primogênito de uma importante e bem-sucedida família de Barcelona.

Aqui, peço licença para uma observação importante. Em um primeiro momento, amigo leitor, a leitura pode parecer um tanto confusa uma vez que temos várias estórias contatadas de maneira intercalada e com uma série de personagens complexos, por isso, a necessária atenção, mais do que o normal para uma leitura casual, pois, como dito, não há um paralelo (pelo menos não no início) entre os eventos narrados. Confesso que quis até abandonar a leitura, mas, ainda bem que não o fiz, pois, certamente, me arrependeria.

Isso porque, na medida em que nos acostumamos com a técnica narrativa de Hill, a leitura se torna muito fluida, sobretudo, depois da metade do livro que é quando o inspetor Salgado começa a conectar as muitas pontas soltas das várias narrativas até convergir em um único enredo. De uma maneira muita engenhosa, segredos perturbadores de pessoas acima de qualquer suspeita são desenterrados para, ao fim, sermos brindados com um desfecho impactante e totalmente inesperado, uma das marcas que fizeram de O Verão das Bonecas Mortas – com mais de 200 mil exemplares vendidos em todo o mundo – um grande sucesso de pública e crítica.

Cabe pontuar que Toni Hill é psicólogo de formação, o que claramente impactou na forma como os personagens foram construídos, todos eles cercados por problemas e, também, dilemas morais que nos fazem traçar paralelos com muitas situações que presenciamos em nosso dia-a- dia, por vezes, como meros expectadores, outras vezes como protagonistas ou vítimas das mazelas de uma sociedade hedonista e egoísta: outro ponto alto da obra de Hill. Como resultado, temos personagens densos e complexos, o que muito contribuiu para a criação de uma atmosfera que cresce exponencialmente em tensão conforme a narrativa progride.

Enfim, devo confessar que não tinha muitas expectativas quando iniciei a leitura, até porque este não é um gênero que eu tenho o costume de ler, à exceção – se é que é possível fazer tal analogia – das obras de Sir Arthur Conan Doyle, o “pai”; do imortal Sherlock Holmes do qual sou muito fã. Mas gostei tanto do livro, especialmente do final, que a próxima resenha que trarei aqui para o blog será de outro livro de Hill que também tem o detetive Héctor Salgado como protagonista: Os bons suicidas! Fica aí a dica de uma ótima série policial!

Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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5 respostas para Resenha: O Verão das Bonecas Mortas, de Toni Hill

  1. Maurilei disse:

    Tenho este livro e sua continuação na estante desde o ano passado. Lerei e deixarei minhas impressões por aqui !

  2. Fábio Albergaria de Queiroz disse:

    Olá Maurilei, Comigo foi a mesma coisa. Ele estava na estante dando mole e aí resolvi ler algo diferente…e foi bem interessante. Gostei.

  3. Pingback: Resenha: Os Bons Suicidas, de Toni Hill | .:.Dragonmountbooks.:.

  4. Paulo Dores disse:

    Já percebi que são livros a não perder, tenho que verificar por aqui se estão publicados

    abraço

    • Fábio Albergaria de Queiroz disse:

      Olá, novamente, Paulo. Toni Hill , apesar de novo no mundo da literatura, já um autor bem comentado nos círculos dos amantes da literatura policial. Se, por acaso, aí em Portugal ainda não houver o livro físico, compre a versão digital. Vale muito a pena!..e obrigado por seu comentário.

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