Resenha: Horror na Colina de Darrington, de Marcus Barcelos

horror-na-colina-de-darrington-coverTítulo: Horror na Colina de Darrington

Autor: Marcus Barcelos

Publicação: 2016

Número de páginas: 142 páginas

Editora: Faro Editorial

ISBN: 97885624409790

Benjamin Francis Simons, ou Benny, é o protagonista do interessante Horror na Colina de Darrington, uma obra de Marcus Barcelos, autor que, sem dúvida, desponta como mais uma grata surpresa na atual geração de escritores brasileiros que vem trazendo ao mercado nacional boas opções de leitura. Temos aqui uma narrativa pulp, estilo literário em que a ação se desenvolve em ritmo intenso e direto objetivando, com isso, inserir o leitor nas cenas criadas, como se o mesmo estivesse assistindo a um filme, por isso, a notável semelhança deste estilo narrativo com um roteiro de filme.

Logo, aos leitores que não gostam de estórias que dedicam muito espaço ao world building, esse é o livro ideal, muito embora, ressalte-se, este fato não signifique que a obra careça de profundidade ou que seja irremediavelmente rasa na descrição dos fatos.

Dito isto, sem delongas, e no melhor estilo pulp, vamos ao que interessa. Em 2004, Benny deixa o orfanato em que cresceu para ajudar sua tia, debilitada por uma misteriosa doença, e seu tio que, por esse (suposto) infortúnio, passara a trabalhar dia e noite para garantir a estabilidade financeira da família cabendo, então, a Benny, ajudar a cuidar de Carla, sua prima de apenas cinco anos de idade.

Mas nada é o que aparenta ser! A casa de seus tios – localizada na colina de Darrington, em South Hampton, no estado norte-americano de New Hampshire – guarda segredos macabros e, com eles, vêm à tona uma série de fatos que conectam Romeo, tio de Benny, a uma misteriosa seita, os Illuminatti, que, para alcançar seus objetivos, recorrem a atos inomináveis, dentre os o envolvimento com o oculto, o grande pano de fundo sob o qual se desenvolve toda a trama.

A partir de então, em um ritmo frenético, presenciamos muitas reviravoltas e revelações inesperadas, sem enrolação, o que torna a leitura um ciclone de tensão no melhor estilo dos filmes de terror blockbuster e que – afeitos ou não ao gênero – nos faz querer saber o que vem adiante em cada página.

Devo dizer, amigo leitor, que este livro é um daqueles fenômenos que explodem na internet e, logo, chamam a atenção de alguma editora, neste caso a Faro Editorial. Com mais de um milhão de leituras foram inúmeros os comentários elogiosos à obra, o que foi determinante para que eu decidisse me aventurar pelas sangrentas páginas de “Horror na Colina de Darrington”, muito embora eu não nutra nenhum encanto “sobrenatural” pelo gênero terror. Por isso, creio, a obra não tenha me impactado tanto quanto eu esperava. E, aqui, deixe-me ser claro. Não é que ela não seja interessante, mas é que a minha notável falta de conexão com o gênero contribuiu para que eu fizesse uma leitura mais despretensiosa…em suma, para mim, foi apenas uma leitura.

Ademais, esse lance de seres malignos e espíritos dos mortos aparecendo, nos moldes de filmes como Invocação do Mal – um recurso bem presente na obra – é algo que eu não tenho muita paciência para ler. Aqui eu senti falta do world building. Creio que, se uma maior atenção tivesse sido dedicada a explicar alguns fatos, a leitura pudesse ser mais atrativa. Mas, em contrapartida, devo pontuar que esta não é uma falha, mas, sim, como falei, uma escolha estilística do autor e que, pelo que notei em muitos comentários, funcionou super bem.

Por isso, peço licença para alertá-los de que eu não sou o resenhista mais qualificado para apontar as qualidades desta obra. Logo, eu recomendo vivamente a leitura de outros pontos de vistas, sobretudo, de críticos literários dedicados ao gênero terror e suspense.

É que, sei lá, eu não me conectei 100% com a estória apesar de, como dito, a forma como o autor traz os fatos nos faça querer ler o livro até o fim, de uma única sentada, o que é muito fácil, pois, além de agradável, ele é bem curtinho: apenas 142 página incluindo várias ilustrações bem maneiras de algumas das cenas mais marcantes e que, sem dúvida, ajudam bastante a tornar palpável o clima soturno da narrativa, mesmo para aqueles que, tal qual este que vos escreve, não tenham tido todo esse encanto pela estória. O final, para mim foi uma sacada genial: deixa tudo em aberto e de forma a não nos dar pistas sobre em quem acreditar e no que está por vir na continuação da obra.

Enfim, para muitos leitores casuais, como eu fui, talvez esta seja apenas uma leitura interessante. Mas, para o público certo, pode ser aquela porta de entrada para uma estória intrigante e cheia de terror.

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Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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