Resenha: Foundation, de Isaac Asimov

foundation-coverTítulo: Foundation

Autor: Isaac Asimov

Publicação: 1951

Número de páginas: 234 páginas

Editora: Voyager

ISBN: 9780586010808

Foundation é o primeiro livro de trilogia de mesmo nome, depois transformada em série com a publicação de outros livros dentro do mesmo universo. É o segundo trabalho do Isaac Asimov que eu leio e que se apresentou bem diferente do que eu esperava.

O livro é formado por cinco contos inter-relacionados, com variação de períodos de tempo de um conto para o outro. Quatro desses contos foram publicados na Astounding Magazine, entre os anos de 1942 e 1944. O quinto conto foi acrescentado à história na publicação do livro e é a primeira parte da história, responsável por tratar dos psico-historiadores.

Saber que são contos reunidos para se formar um livro – e que é de fato um livro e não uma coletânea de contos – ajuda na leitura, para aqueles leitores que leram resenhas bem críticas ao estilo de escrita do autor.

Na história, Hari Seldon, um matemático e psicólogo, usando a psico-história, descobre que o Império Galático está com a sua existência ameaçada. Seldon sugere a criação de uma Enciclopédia com o objetivo de preservar todo o conhecimento humano durante os 1000 anos de caos pelos quais passaria o Império. Mas é óbvio que há mais por trás da criação dessa Fundação. E é isso o que nos mostra o autor durante o desenrolar da história.

Embora seja o protagonista, é interessante notar durante a leitura, a sumida de Seldon da narrativa. O personagem aparece em determinadas ocasiões, deixando a narrativa livre para que o autor explore outros personagens, suas intenções e atitudes, que fazem perceber o quanto o ser humano é a grande ameaça do universo. E foi aí que a história me surpreendeu, pois eu esperava algo que explorasse melhor alguns conceitos mencionados na narrativa – o que acontece, de certa forma – mas o viés mais politizado foi uma grata surpresa, pois adoro quando os autores demonstram o quanto as atitudes humanas são prejudiciais. Esquemas, subterfúgios, política, religião são alguns dos temas que se no livro, em detrimento à exploração espacial e tecnológica.

Não estou aqui dizendo que falta à história aquilo que se espera de uma trama de ficção científica, mas o Asimov preferiu seguir uma linha que gosto bastante em outros autores, em especial os de fantasia, que é entrar no campo político, explorando as artimanhas políticas dos personagens, inclusive a péssima combinação política-religião.

Por ser uma reunião de contos espaçados por um período de tempo, a história dá um aspecto, no início, de quebra da narrativa, porém, dá para entender a sequência de acontecimentos e perceber as mudanças de tempo.

Gostei bastante dos conceitos da psico-história e dos psico-historiadores, embora tenha sentido falta de uma melhor explicação dessa ciência. Também gostei muito da questão envolvendo a Enciclopédia e os seus fundadores. Senti falta da exploração do local, mas compreendo que ainda estamos no começo de uma jornada e que a intenção do autor não era esse tipo de narrativa mais detalhada.

Enfim, Foundation não foi aquilo que eu esperava, entretanto, surpreendeu-me de forma positiva e recomendo.

.:.Até mais, gente!.:.

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Sobre Cassy Teodoro

Administradora e resenhista deste digníssimo blog. Aes Sedai da Ajah Verde, Curadora das Crônicas da Torre Branca e fiel ao Lorde Dragão Rand al'Thor.
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6 respostas para Resenha: Foundation, de Isaac Asimov

  1. Paulo Dores disse:

    Oie,

    Tenho que ler, mas primeiro a ver se consigo comprar a bom preço. Fico contente que tenhas gostado e penso que até faz o meu genero.

    Abraços e votos de um bom ano 🙂

    • Cassy Teodoro disse:

      Olá, amigo Paulo! Um feliz 2017 de alegrias e ótimas leituras para nós. Gostei muito do livro sim, apesar do que dizem do Asimov, não dá para negar que é um dos principais escritores do gênero e recomendo muito a leitura. Abs!

  2. Aline T.K.M. disse:

    Oii! Gostei do seu ponto de vista; esse lado mais político do livro – e da trilogia toda – também me surpreendeu muito positivamente. Antes de ler, eu não fazia muita ideia do que encontraria, já que só havia lido um livro do Asimov antes, e eu gostei de toda a trilogia de forma geral. A narrativa é bem direta e levei um pouquinho de tempo para me acostumar, e a leitura fluiu muito bem. Achei genial a condução da trama e, como disse antes, toda essa parte política que envolve os personagens e os conflitos.
    Beijos,
    Aline – http://www.livrolab.com.br

  3. Oi, Cassy!
    A única leitura que fiz de Asimov foi Eu, Robô. Uma coletânea bem interessante, lembro que fui totalmente fisgada, mas não recordo detalhes porque li há muito tempo. Vou tentar ler Fundação agora. De preferência numa edição física, porque quando li Eu, Robô foi em e-book, mas naquela época minha visão ainda prestava pra alguma coisa :p
    Ótima resenha. Com tanta leitura de fantasia acumulada, passei a gostar e dar mais atenção a essas tramas e questões políticas.

    Beijo, Celly – Me Livrando.

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