Resenha: Butcher’s Crossing, de John Williams

Título: Butcher’s Crossing

Autor: John Williams

Publicação: 2016

Número de páginas: 332 páginas

Editora: Rádio Londres

ISBN: 9788567861111

Butcher’s Crossing não é um livro comum, deixe começar esta resenha alertando-o para isso e, claro, vou explicar os porquês. Depois de incontáveis elogios resolvi comprá-lo e, muito ansioso, comecei a leitura deste clássico cult de John Williams originalmente publicado em 1960 e lançado, no Brasil, em 2016, em uma belíssima edição de capa dura pela editora Rádio Londres.

Aqui acompanhamos a estória do jovem Will Andrews nos idos de 1870 quando, após abandonar seus estudos na prestigiosa universidade de Harvard, resolve viajar ao minúsculo povoado de Butcher’s Crossing, no interior do Kansas, em busca de aventuras que trouxessem um novo sentido para sua vida.

É quando ele conhece Muller, um veterano caçador de búfalos, e seus companheiros de caça, Charley Hoge e Schneider, que uma improvável aventura começa a se desenhar. Provido de muitos recursos financeiros, Will se propôs a financiar uma expedição pelas inóspitas paisagens das Montanhas Rochosas do Colorado em busca de uma grande manada de búfalos vista por Muller há muitos anos atrás e, para tanto, contrata os serviços do grupo.

Bem, amigos viciados em livro, até aí nada de extraordinário. A narrativa se desenvolve, então, extremamente descritiva, trazendo-nos os mínimos detalhes de cada momento desta expedição marcada por desafios extremos: sede, frio, fome, fadiga em meio ao isolamento que se estenderá por vários meses em um cenário caótico, na natureza em seu estado mais selvagem, e que os levará aos limites da capacidade humana em uma incansável luta pela sobrevivência.

Este é um livro diferente, no mínimo. É uma obra-prima, como muitos resenhistas o rotularam? Em minha opinião não, não é, mas, ainda assim, é um livro indispensável. A leitura é fácil? Não, muito ao contrário. Ela é extremamente árida, mas que proporcionará aos leitores que nela perseverarem uma experiência literária única. Uma vez que nos acostumamos ao estilo narrativo proposto, a leitura, apesar das dificuldades, torna-se extremamente prazerosa, pois entramos em um estado de contemplação onírico onde o cenário, então, como dito, essencialmente descritivo, torna-se palpável e, isso, é algo mágico neste livro.

Assim, enquanto acompanhamos esse “ritual de passagem” imposto por Will, o protagonista, a ele mesmo, vemos a psique humana em seu estado mais primitivo e visceral. E, apesar de minhas ponderações parecerem contraditórias, amigo leitor, elas não o são. O livro é realmente diferente e capaz de causar este turbilhão de sentimentos. Só quem leu Butcher’s Crossing sabe do que estou falando! Temos, nesta obra, uma inesquecível e autêntica experiência existencial que, em uma mera resenha, eu tentei descrever, mas cuja exata dimensão somente a leitura poderá proporcionar. Que livro, nada mais a dizer!

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Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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