Resenha: Aníbal, de Ross Leckie

Título: Aníbal

Título original: Hannibal

Autor: Ross Leckie

Publicação: 2004

Número de páginas: 246 páginas

Editora: Ediouro

ISBN: 850001315-x

Hannibalis ad portas, “Aníbal está às nossas portas”, este era o prenúncio do terror inominável, o grito de pânico que precedia a chegada daquele que foi considerado o maior inimigo da república romana. Nascido na grande cidade de Cartago, no norte da África, em 247 a.C, Aníbal Barca – filho de Amílcar – era o herdeiro de uma linhagem de nobres guerreiros e notabilizou-se por empreender façanhas até então inimagináveis como, por exemplo, transpor as cordilheiras dos Pirineus e dos Alpes com dezenas de milhares de soldados, cavalos e elefantes.

“(…) Você é um Barca, Aníbal, e meu filho. Você vê esta cidade que se estende à sua frente. Você sente seu chamado, não?” – Aquiesci. – Ela o chama porque a vida dela é a sua vida. Seus antepassados vieram de Tiro, na Fenícia, para este lugar, e encontraram cabanas pobres e amontoadas. Veja o que nós fizemos. Nossa família sempre foi proeminente entre os cartagineses” (p.17).

Suas ousadas táticas eternizaram-no no panteão dos gênios da História. Numa época em que os feitos militares eram decididos na ponta de lanças e espadas, Aníbal, com apenas 26 anos, comandou o exército de um império que praticamente não deixou rastros, mas que, ainda assim, o alçou à condição de um dos maiores estrategistas da Antiguidade e, porque não, de todos os tempos, ao lado de nomes como Alexandre, o Grande; Leônidas, o destemido rei de Esparta; e de Temístocles, o sagaz líder da resistência ateniense contra a invasão persa de 480 a.C.

A notável história deste homem de resoluta bravura cuja natureza se confunde com a de seres mitológicos é contada de forma magistral por Ross Leckie neste livro homônimo que, certamente, agradará em cheio aos amantes de ficções históricas e aos fãs de autores do gênero como Steven Pressfield (Portões de Fogo; Tempos de Guerra; A Última das Amazonas; Caçando Rommel), Bernard Cornwell (As Crônicas de Artur; As Crônicas Saxônicas; As Aventuras de Sharpe) e Catherine Jinks (O Inquisidor).

Meu primeiro contado com esta obra de Leckie, originalmente publicada em 1995, foi há muito tempo atrás, em 2004. Dando uma reorganizada na estante encontrei o livro escondidinho, tímido, lá no cantinho e resolvi lê-lo novamente. E foi ótimo, como se este fosse nosso primeiro encontro, o que é muito bom em se tratando de livro!! Reviver a narrativa de um ícone histórico de tamanha magnitude foi uma aventura épica.

Bem, como a história das Guerras Púnicas (entre Cartago e Roma) é bem conhecida e documentada não entrarei nestes detalhes para não soar repetitivo. Contudo, deixe-me ressaltar, Aníbal atenderá ao gosto não apenas dos aficionados por História Antiga, mas, também aos que gostam de uma boa aventura carregada de muito sangue. Reflexo de um período onde as guerras eram viscerais, das páginas deste livro escorrem litros e mais litros de sangue, o que eu, particularmente, curto bastante. Portanto, fica aí a dica (ou aviso aos mais cautelosos).

O rigor histórico dos fatos é impressionante e se destaca como ponto alto da obra, sobretudo, o episódio em que Aníbal foi derrotado por Cipião, o Africano, na Batalha de Zama (202 a.C). A parte ficcional se encaixou de forma perfeita e sem atropelos, o que deixou a narrativa fluida e verossímil, tudo na medida certa para um livro pequena, de apenas 246 páginas, o que deixou aquele gostinho de quero mais. Então, amigos viciados em livros, se você se aventurar pelas incursões de Aníbal, não deixe de passar aqui para compartilhar suas impressões conosco, combinado?

.:.Então, até a próxima!.:.

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Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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