Resenha: A Rainha do Fogo, de Anthony Ryan

Título: A Rainha do Fogo

Título original: Queen of Fire

Autor: Anthony Ryan

Número de páginas: 750 páginas

Publicação: 2017

Editora: Leya

ISBN: 9788544105016

O escritor escocês, Anthony Ryan, despontou como uma estrela em franca ascensão ao encantar leitores de todo o mundo com o elogiadíssimo Canção do Sangue, o primeiro volume da trilogia A Sombra do Corvo, que narra a saga de Vaelin Al Sorna, um protagonista incrível que nos é apresentado, tendo como cenário um mundo igualmente incrível, de proporções épicas, como poucas vezes já visto.

E em nossa resenha de hoje, a A Rainha do Fogo, o tão esperado desfecho deste ciclo que, para mim, foi uma verdadeira montanha-russa de emoções. Caros amigos viciados em livros, o primeiro volume da série, como eu disse em resenha a ele dedicada, foi uma das leituras mais impressionantes que já fiz na vida, com personagens marcantes, cativantes e, sobretudo, humanos, cada qual com suas virtudes e defeitos o que, quase que instantaneamente, cria um laço de empatia entre estes e o leitor, pois, facilmente, como em um espelho, nos vemos refletidos em nossos queridos protagonistas.

Pois bem, finda a leitura criei altíssimas expectativas para saber o que aguardava nossos heróis da Sexta Ordem. Veio, então, o segundo volume, O Senhor da Torre que, em suma, foi bom, correto, mas, a meu ver, longe do brilhantismo de seu antecessor. Contudo, até aí tudo certo, afinal, é comum que meios de trilogias sejam livros de transição ou, em outras palavras, que nos preparem para o grande final.

Pois bem, em abril deste ano chegou, com grande alarde às livrarias tupiniquins, o aguardado A Rainha do Fogo, um calhamaço de 750 páginas… e aí começa minha vertiginosa descida nesta montanha-russa chamada A Sombra do Corvo. O livro começa exatamente de onde terminou O Senhor da Torre que, deixe-me lembrá-los, foi um livro muito denso e complexo, pois narrava em detalhes uma série de batalhas e reviravoltas que punham em risco o futuro do Reino Unificado.

Na desesperada contraofensiva para salvar o Reino de um mal ancestral, aqui acompanhamos os principais protagonistas – Vaelin, Reva, Frentis, Lyrna – envolvidos em eventos diferentes, cada qual com seus problemas e dilemas, em diferentes frentes de batalha que, por si só, já dariam um livro solo cada uma. Até me lembrar dos fatos anteriores e dos vários personagens secundários, porém importantes, já estava lá pela página 150, ainda meio desconectado com o rumo da narrativa.

Somada a esta dificuldade, o autor nos traz dezenas de novos personagens, o que tornou a estória, pelo menos pra mim, uma grande confusão (apesar de o livro nos ajudar com um apêndice – Dramatis Personae – que traz um resuminho de cada personagem). Além disso, essa avalanche de informações contribuiu para a total impossibilidade de criar laços de empatia com essas novas figuras, algo que, como dito, foi muito natural e prazeroso no primeiro livro.

A impressão que tive é que a estória cresceu mais do que esperado e acabou fugindo ao controle do próprio Anthony Ryan. Entre idas e vindas entre as narrativas de cada personagem, achei que houve delongas excessivas na condução da trama, muitas delas totalmente irrelevantes e que em nada contribuíram para o desfecho desta aventura épica, o que poderia economizar, no mínimo, umas 200 páginas de enrolação, e sem nenhum prejuízo ao resultado final que, ressalte-se, também deixou a desejar.

Eu creio que este é um daqueles livros que colocará os leitores em opostos extremos: os que o amaram e os que … bem!!! Em suma, a saga, em si, é um bom passatempo se comparada a outras obras do gênero. Agora, quando comparamos os três volumes que compõe este mega universo, aí fica muito clara a diferença entre o primeiro, que certamente figurará no panteão das maiores narrativas de fantasia já escritas, e a continuação que, para mim, nada mais foi do que mais do mesmo.

Deixe-me sintetizar assim. Em minha singela e modesta opinião, a saga A Sombra do Corvo caiu na armadilha do efeito Matrix: deveria ter parado no primeiro!! Quem assistiu à trilogia protagonizada por Keanu Reeves, na pele do hacker Neo, sabe do que estou dizendo. Mas, enfim, se vocês leram ou pretendem ler o trabalho de Anthony Ryan não deixem de passar aqui para compartilhar conosco, neste digníssimo blog, suas opiniões.

.:.Até a próxima.:.

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Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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6 respostas para Resenha: A Rainha do Fogo, de Anthony Ryan

  1. Manu disse:

    Concordo plenamente com a sua opinião!! Terminei ontem a trilogia e até agora não consegui me recuperar!! Depois de 2112 páginas, arrasada me define!! Fui com uma expectativa bem alta pra terminar pq havia gostado bastante dos dois primeiros livros e agora no final, quase nem acreditei que foi desse jeito. Simplesmente conseguiu destruir o desfecho de personagens maravilhosos, com uma narrativa arrastada e excesso de personagens secundários. Eu como fã do gênero, estou verdadeiramente triste. O que prometia ser uma das melhores narrativas de fantasia épica da atualidade, com um final grandioso e glorioso para seus protagonistas, terminou de forma medíocre e lamentável!!

    • Fábio Albergaria de Queiroz disse:

      Oi Manu. Pois é, né. Depois de um primeiro livro tão avassalador, o desfecho da trilogia foi, pelo menos pra nós dois, uma grande frustração. Eu esperava muito mais. O autor não precisava de 750 páginas pra um final tão mais ou menos, só tornou a narrativa uma bagunça. Eu já não sabia de onde saiam e sumiam tantos personagens, fiquei bem perdido. Ahh, e muito obrigado por compartilhar conosco sua opinião. Volte sempre!!!

  2. Rafael Ribeiro disse:

    Bom eu concordo em partes! Mas como essa eh a minha opiniao, nao tenho pretencao e nem vontade de me opor ao autor, longe disso! Realmente sao mto personagens e gera mta confusao e pouca empatia, tirando os protagonistas. Mas eu creio que a trilogia foi cíclica e encerrou mto bem. O turbilhão de sentimentos continua, mas como os proprios protagostistas amadurecem, acho q nos, como leitores tb amadurecemos com na trama… ja nao nos espantamos ou assustamos com tanta frequencia, o q eu acho mto positivo! Aquele estado de guerra e sofrimento viram “velhas companheiras” como nas palavras de Al Sorna e achei mto verdadeiro. E os cap finais sao ao meu ver, muito legais e vibrei com a conclusao do Aliado e as consequencias severas em todos… Enfim, eu realmente acho que o autor pecou em alguns pontos e houve um pouco de exagero sim mas é e continua sendo a melhor surpresa que li a anos! Espero mto mas mto mesmo novas aventuras com o Reino Unificado! Beijos na bunda de vcs rs

    • Fábio Albergaria de Queiroz disse:

      Rafael, obrigado pelo comentário. De fato, a obra é cíclica, mas, acho, o autor conseguiria o mesmo resultado no último livro com bem menos páginas e creio, dessa maneira, a leitura ficaria muito mais agradável e fluída. Mas, sim, concordo, a trilogia eh bem legal e merece muitos elogias.

  3. Pedro Olavo disse:

    Bom, eu gostei da trilogia como um todo, mas concordo que o final poderia e deveria ter sido melhor trabalhado.Uma das coisas que mais senti falta foi a canção do Vaelin, porem foi necessario a perda da mesma pro crescimento do personagem.Quanto ao numero de paginas tambem acho que o terceiro volume poderia ter sido mais curto.Ja no caso do universo criado acho que seria muito interresante se ele escrevesse contos sobre o que aconteceu com os personagens e contar novas histórias, como por exemplo sobre Os Senhores Mercadores do Extremo Oriente(era isso mesmo o nome?), a famosa Princesa de Jade, e ainda as viagens de Erlin ou as de Artesão.

  4. Fábio Albergaria de Queiroz disse:

    Concordo Pedro. Acho que perder a canção foi muito ruim para a trilogia como um todo já que o grande chamariz da obra foi, exatamente, ela.

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