Resenha: Piano Vermelho, de Josh Malerman

Título: Piano Vermelho

Título original: Black Mad Wheel

Autor: Josh Malerman

Publicação: 2017

Número de páginas: 318 páginas

Editora: Intrínseca

ISBN: 9788551002063

Josh Malerman despontou no mundo literário como uma das mais notáveis promessas
ao nos surpreender com o excelente Caixa de Pássaros, obra que, para muitos, inclusive
para este que vos escreve, trouxe uma proposta narrativa totalmente surpreendente e
inovadora. Logo, foi com grande expectativa que li seu novo livro, Piano Vermelho. E
ele, de fato, me surpreendeu… mas negativamente. Para falar a verdade, infelizmente,
este foi um dos piores livros que já li, e falo isso com muito pesar.

Nessa nova empreitada acompanhamos, como protagonista, Philip Tonka,
líder de uma banda da cena musical de Detroit – os Danes – que, depois de uma
trajetória de sucesso, acabou caindo no ostracismo. Mas sua rotina e a de seus
companheiros foi interrompida ao receberem um misterioso convite de um militar
americano: averiguar a origem de um misterioso som, originário da África, que carrega
consigo um enorme poder de destruição, capaz, até mesmo, de neutralizar a arma mais
perigosa já criada pelo homem.

É nesse contexto, envolto em muito mistério, que – em busca de respostas sobre o que é
este som desconhecido e mortífero – tem início a viagem de um grupo de
expedicionários, formado pelos músicos de Detroit e um seleto grupo de militares, pelo
inóspito deserto da Namíbia. Tal qual em Caixa de Pássaros aqui, também, a narrativa
se alterna entre eventos passados e o presente. Logo, enquanto acompanhamos nossos
personagens no continente africano, também presenciamos, seis meses depois do início
da expedição, a chegada a um hospital de um homem vitimado por um acidente que o deixou à beira da morte e com todos os ossos do corpo literalmente destruídos. Seu nome: Philip Tonka.

Depois de milagrosamente despertar do coma, e apresentando uma recuperação sobre-
humana, acerca de sua viagem às entranhas da África Tonka limitou-se apenas a falar
sobre um estranho piano vermelho e a presença de uma figura meio humana, meio bode.
Surgem, então, várias perguntas: o que teria acontecido no mortal deserto da Namíbia?
Que circunstâncias lhe causaram lesões até então nunca vistas? E os demais membros
da missão, onde estariam?

A princípio, caro leitor, você pode até ser atraído pela narrativa que, de fato, chama
muito nossa atenção por ser algo que, certamente, é diferente de qualquer coisa que já
tenhamos lido. Mas, na medida em que a aventura se desenvolve e o livro se aproxima
do fim, o único adjetivo que me vem à cabeça para defini-lo é bizarro. Apesar da
tentativa tão bem sucedida, em Caixa de Pássaros, de manter o leitor
claustrofobicamente preso ao mistério da narrativa, em Piano Vermelho a fórmula não
deu certo: Malerman errou, e muito, na dose.

Assim, o que era pra ser uma interação entre o leitor e as possíveis respostas sobre o que
haveria acontecido com os Danes na África, na verdade, não passou de uma estória inverossímil, extremamente confusa e frustrante. Enfim, se você leu a obra debutante de Malerman, talvez, como eu, se decepcione com seu novo livro. Aos que ainda não conhecem o trabalho do autor, fica aqui a recomendação para que comecem lendo Caixa de Pássaros e, se optarem em dar-lhe um voto de confiança (afinal, Malerman tem
crédito) então, tirem suas conclusões sobre Piano Vermelho e, por favor, venham aqui
em nosso digníssimo blog compartilhar conosco suas impressões. Então, caros amigos
viciados em livros, até a próxima!

Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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