Resenha: A Mão Esquerda de Deus, de Paul Hoffman

Título: A Mão Esquerda de Deus

Título original: The Left Hand of God

Autor: Paul Hoffman

Número de páginas: 327 páginas

Publicação: 2010

Editora: Suma de Letras

ISBN: 9788560280537

Galerinha viciada em livros, dado o grande volume de leituras e de sequências inacabadas que, por vezes, nos tiram o sono, seja pela demora de certos autores em finalizar suas obras, seja pela incompetência das editoras em traduzi-las em tempo hábil, enfim, fiz opção em ler apenas séries já publicadas para evitar o caos literário em minha cabeça. Nessa política de leitura, hoje, trago para vocês a resenha de A Mão Esquerda de Deus, o primeiro livro de uma trilogia iniciada em 2010 pelo escritor britânico, Paul Hoffman.

A premissa básica do livro é bem interessante: nesta aventura somos apresentados a um órfão cuja origem é um mistério. Conhecido apenas como Thomas Cale, nome dado a ele quando entregue ao Santuário dos Redentores, uma ordem religiosa desoladora onde jovens em tenra idade são abandonadas ao acaso e submetidos, desde então, a um duro treinamento marcial marcado por violência, crueldade e muitos abusos sob o comando dos chamados Lordes Redentores.

A estória se passa em um mundo apocalíptico uma vez que várias cidades e países conhecidos são mencionados, contudo, em um contexto pouco convencional, distópico, como se algum evento catastrófico houvesse varrido o mundo tal qual conhecido por nós. O componente religioso do livro é outro atrativo. Há claramente elementos do Cristianismo permeando toda a narrativa, mas contados de forma totalmente diferente, o que nos leva a refletir sobre a importância da construção de narrativas ao longo da história ou, em outras palavras, de como os fatos são moldados pelas pessoas que as contam. Cito, por exemplo, a veneração ao Redentor Enforcado, ninguém menos que Jesus Cristo.

Contudo, apesar da premissa interessantíssima, a estória transita entre altos e baixos. Neste primeiro volume acompanhamos a transformação de Cale em um assassino e estrategista brutal, incomparável em sua capacidade única de desempenhar seu ofício. Em uma tentativa de fuga do Santuário, após testemunhar com dois amigos, Henri Embromador e Kleist, as atrocidades, aparentemente secretas, cometidas por um Redentor, eles chegam à cidade de Memphis onde se envolvem em uma série de problemas com a elite militar e política local, os Materazzi.

É então que seu paradeiro é descoberto pelos Redentores e Cale, aos poucos, começa a entender que seu destino é muito mais complexo do que o de um simples órfão treinado na arte de matar. Ele faz parte de algo muito maior, de uma plano dito divino: ele é a Mão Esquerda de Deus…o que, infelizmente, para evitar spoilers, não poderei falar.

Em suma, a leitura é, no geral, interessante, mas, por vezes, maçante, e não chega a empolgar ao ponto de irmos de página a página com a mesma vibração. Há várias possibilidades de crescimento da narrativa, mas, ao fim e ao cabo, a estória não deslancha para o tão esperado clímax, exceto por alguns poucos momentos que realmente nos prendem: mais especificamente, quando Cale demonstra toda sua vocação para levar o caos por onde passa. No entanto, esta é apenas a primeira parte de uma trilogia que, espero, revele em sua sequência, os muitos mistérios em torno deste enigmático personagem. Se fosse para dar uma nota de 0 a 10, eu diria que o livro merece um 7.

No entanto, estou bem curioso, confesso, para saber mais sobre Cale e seu destino messiânico. O livro, se não agrada totalmente, deixa a porta aberta para desdobramentos que prometem bastante. Então se ficaram interessados em saber mais sobre os enigmas nos quais está envolto Thomas Cale, a Mão Esquerda de Deus prometo que logo, logo, trarei minhas impressões sobre o segundo volume da série: As Últimas Quatro Coisas.

Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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4 respostas para Resenha: A Mão Esquerda de Deus, de Paul Hoffman

  1. Estimado Fábio, compartilho das suas impressões: gostei do enredo e, no geral, do primeiro livro. Porém, essa leitura maçante domina o segundo livro, a ponto de me fazer desistir do terceiro volume (e isso é raro de acontecer comigo)! A história se perde totalmente…
    Ansioso para saber sua opinião sobre As Últimas Quatro Coisas. Um abraço!

    • Fábio Albergaria de Queiroz disse:

      Olá Daniel!Rapaz, sério? Bem, é bom saber disso pois vou com menos expectativas para o segundo volume. Obrigado por seus comentários…e volte sempre ao nosso blog. Valeu!!

  2. Também estou com essa filosofia de só ler séries já totalmente publicadas, devido ao fato de ter pego alguns livro os quais as editoras decidiram não publicar suas continuações….

    • Fábio Albergaria de Queiroz disse:

      Pois é! Olha, o que estou sofrendo com as Crônicas do Matador do Rei não é brincadeira. Qdo o Rothfuss lançar, se é que vai lançar, o último volume terei que ler tudo de novo pois não lembro de mais nada. O mesmo aconteceu com Elric de Menilboné, mas aí a sacanagem foi da editora que demorou horrores para lança o segundo volume. Enfim, achei esta uma boa política, só começar a ler séries que já estivessem totalmente concluídas…e obrigado por sua visita ao blog.

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