Resenha: A Guerra da Luz, de Peter V. Brett

Título: A Guerra da Luz

Título original: The Daylight War

Autor: Peter V. Brett

Publicação: 2017

Número de páginas: 750 páginas

Editora: Darkside

ISBN: 9788594540478

Vou direto ao ponto, sem rodeios, pelo menos tentarei! Ciclo das Trevas é, em minha opinião, a grande narrativa fantástica do momento, algo incrível, e me pego pensando como alguém pode ter pensado em algo tão notável. Esse cara é Peter V. Brett. A Guerra da Luz, terceiro livro da série, mantém, no fantástico mundo criado pelo autor, a mesma linha de tensão e magia dos volumes anteriores, capaz de prender o leitor de capa a capa, neste tomo de 750 páginas! A cada página virada fica o sentimento de perda, de o fim estar mais próximo. Essa é a sensação ao ler A guerra da Luz e, em minha singela opinião, o melhor termômetro de que um livro é bom.

Poderia parar por aqui pois não tenho adjetivos para qualificar o que tenho em mãos. É simplesmente algo de outro mundo esta narrativa que nos presenteia com a dose certa de humor, romance, tensão, e um sistema de magia super criativo, ao estilo de Mistborn, tudo isso em um mundo crível, com sociedades complexas e personagens únicos. Inclusive, este é um aspecto sensacional.

O livro começa dando grande ênfase a Inevera, a Damajah de Krasia, uma das principais antagonistas da série. Contudo, não há como não torcer por ela na medida em que visitamos seu passado e acompanhamos todo o processo que a levou a se tornar a mulher mais poderosa de seu povo. O mesmo acontece com Ren, Leesha, Roger, ou seja, Brett nos mostra que não há como definir, nesta saga, vilões e heróis: os protagonistas e antagonistas são, todos, humanos, com sentimentos que os moldam, o que nos aproxima muito dos personagens e cria, instantaneamente, uma empatia com todos, sem exceção. Cada um, a seu modo, busca o mesmo objetivo. Vencer a batalha contra os demônios da noite que se levantam para exterminar a humanidade, mas revelando, além de suas virtudes, suas muitas fraquezas e incertezas.

E, nesse sentido, vemos os dois grandes nomes da saga, os outrora amigos e postulantes ao título de salvador – Arlen e Jardir – crescerem em poder tornando-se guerreiros inigualáveis, mas, ainda, marcados por feridas abertas e um profundo ressentimento que os conduzirá a um encontro épico que brindará o leitor com um desfecho daqueles, de tirar o fôlego e nos fazer implorar para que a Darkside publique o quanto antes o quarto livro da série (vale lembrar que o arco principal do Ciclo das Trevas conta com cinco volumes, todos já publicados lá fora).

Em suma, até o momento a saga é perfeita, irretocável, trazendo, sem ser apelativa ou panfletária, temas sensíveis, mas de forma sutil e perfeitamente inseridos no âmbito da narrativa. Manter três volumes em altíssimo nível é algo para poucos, o que me faz considerar Peter Brett um dos grandes nomes da fantasia da atualidade, ao lado de Brandon Sanderson e Robert Jordan, em minha opinião, os Shar’Dama Ka da literatura fantástica (quem já foi apresentado à série sabe do que estou falando!).

Quanto à parte estética, o livro mantém o já conhecido padrão de qualidade da Darkside. A única ressalva fica por conta da revisão que deixou a desejar em certos momentos e não passou despercebida já que em muitas partes vemos erros textuais (de forma e tradução) que, se não comprometem o contexto, exigem que o leitor tenha uma preocupação desnecessária com certas passagens para não correr o risco de se perder na complexidade da trama. Mas isso se torna irrelevante ante a magnitude de A Guerra da Luz.

Sobre Fábio Albergaria

É professor universitário, darwinista convicto, colecionador de livros antigos e, claro, viciado em tudo que tenha papel, tinta e muita imaginação. Brasiliense de nascimento, mas elantrino por vocação.
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